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Após acidente que matou 7 pessoas, ônibus do TFD de Petrolândia chega esvaziado ao Recife

Medo e luto desencorajaram pacientes a seguirem com a agenda nesta sexta

Por Guto Moraes

A agricultora aposentada Rosilda Soares, 58, há sete meses acompanha o marido no tratamento fora do domicílio

O ônibus que faz o transporte dos pacientes em Tratamento Fora de Domicílio (TFD), de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, veio parcialmente vazio ao Recife, nesta sexta-feira (24). Das 32 vagas indicadas como reservas no Centro Especial de Acolhimento Humanizado (Cesah), localizado no bairro da Boa Vista, área central da capital, estima-se que somente tenham sido ocupadas cerca de 15. O local acolhe pacientes de seis cidades do Sertão e uma do Agreste.

“A cidade está comovida. Muitas pessoas estavam com medo de prosseguir com a viagem [após o acidente] e há quem tenha ficado para acompanhar os velórios”, indicou o diretor do Cesah, Thulio Santana. O acidente que ocorreu na PE-360, na quinta-feira (23), no trecho entre Floresta e Ibimirim, vitimou sete pessoas. Quatro pessoas sobreviveram. Entre elas, duas mulheres e uma criança de cinco anos. No sinistro colidiram um caminhão-baú e a van que fazia o transporte de pacientes em direção ao município de Arcoverde, também no Sertão.

Os dois condutores faleceram. Ricardo Eduardo de Souza, 56, era o motorista de ambulância e assumia o volante naquela ocasião. “Ele era muito experiente. Motorista de ambulância é sempre muito atento”, declarou Thulio, ao recordar o bom humor de “Cal” - como era conhecido o motorista - nas passagens pelo espaço. 

Apreensão cotidiana

Há sete meses, a agricultora aposentada Rosilda Soares, 58 anos, acompanha o esposo de 79 ao Recife, onde ele faz tratamento no Hospital do Câncer. Residente de Petrolândia, ela já perdeu as contas de quantos dias está na capital. Visivelmente comovida, ela comenta a experiência.

“É muito difícil a gente ter que se locomover de lá, por ser longe e a doença geralmente ser grave. Não tem socorro lá, então mandam pra fora”, relata antes de destacar o medo da estrada.

“A gente já vem assustado, por ser longe, por ter muitos caminhões na pista. É difícil, é sofrido, é cansativo, mas, infelizmente, não tem outra saída”, conta. “A gente entrega a Deus e ele é quem sabe”, finaliza a aposentada, que deverá voltar para casa - a 413 km da capital - junto do marido nos próximos dias.

A Prefeitura de Petrolândia divulgou uma nota de pesar na qual indica que direciona esforços para o amparo dos familiares das vítimas e para o acompanhamento da recuperação dos sobreviventes. O município declarou luto de três dias.

O Tratamento Fora de Domicílio (TFD) é um programa instituído para assegurar o encaminhamento do paciente atendido na rede pública do SUS para tratamento médico em outra localidade, quando esgotados meios locais e em distâncias maiores que 50 km. 

A Portaria SAS nº 55, de 24 de fevereiro de 1999, editada pelo Ministério da Saúde para garantir o acesso de pacientes de um município a serviços assistenciais de outro município. Denúncias sobre irregularidades podem ser dirigidas à Ouvidoria-Geral do SUS, no telefone 136 ou na plataforma Fala.BR.