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Alagamento volta a afetar trânsito na Abdias de Carvalho após chuvas

Moradores e trabalhadores afirmam que água permanece acumulada por até 24 horas na altura da Praça da Chesf

Por Adelmo Lucena

Alagamento na Avenida Abdias de Carvalho, nos Torrões

As chuvas registradas durante a madrugada desta quinta-feira (23) voltaram a provocar alagamentos na Avenida Abdias de Carvalho, na altura da Praça da Chesf, no bairro dos Torrões, Zona Oeste do Recife. A água tomou parte da via logo nas primeiras horas do dia, dificultando o trânsito de veículos e afetando o acesso ao comércio.

Na noite de quarta-feira (22), a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) elevou o aviso meteorológico para estado de atenção devido à intensificação das chuvas provocadas por um canal de umidade e alertou para o aumento dos acumulados em diversas regiões do estado.

Na manhã desta quinta, a cena foi a mesma já registrada em outros dias, com veículos precisando reduzir a velocidade para atravessar o trecho inundado e comerciantes improvisando medidas para minimizar os transtornos.

Um comerciante de 55 anos, que preferiu não se identificar, afirma que o alagamento já faz parte da rotina de quem trabalha na região. “Aqui toda vez que chove alaga e passa pelo menos um dia para que a água escoe. A poça que formou hoje vai durar o dia todo e, se chover mais, são mais dias até que volte a ficar seco de novo. Já vi carro quebrar aqui, perder placa também. Esse problema é antigo. Trabalho há 30 anos aqui e esse problema começou há 15. Nem sempre foi assim.”

A situação também afeta o movimento dos estabelecimentos comerciais. Amauri Afonso de Oliveira, de 33 anos, mantém um comércio com a família no local há quatro décadas e relata que muitos clientes deixam de parar por causa da água acumulada.

Segundo ele, para evitar que veículos projetem água sobre funcionários e consumidores, foi necessário instalar cones na pista durante o atendimento. “Toda vez que chove, a avenida fica alagado. As motos passam e se sujam por conta dos carros. Quem está indo trabalhar se suja e vejo muita discussão por conta disso. Passa o dia todo para escoar a água. Não sei se as canaletas estão entupidas. A água é suja e as pessoas podem pegar uma doença.”

Ele acrescenta que os prejuízos atingem os comerciantes e motoristas. “Muita gente não quer acessar o comércio, não desce do carro para não se sujar. Coloquei cones na via para evitar que os carros joguem água em cima da gente durante o atendimento.”

Quem depende da avenida para trabalhar também relata prejuízos. Motorista de aplicativo e morador da Várzea, José Marcelo Soares, de 43 anos, afirma que os danos aos veículos custam caro. “A gente tem muito prejuízo, porque entra água e danifica as peças e passa dias para essa água escoar. Esse problema é antigo, mas a gente espera que um dia seja resolvido. Fizeram um reservatório aqui perto, mas a avenida continua cheia.”

 

Prefeitura diz que obras estão em execução

Em nota, a Prefeitura do Recife informou que executa um conjunto de obras de macrodrenagem na Zona Oeste com investimento de aproximadamente R$ 60 milhões, por meio do programa ProMorar.

Segundo a gestão municipal, as intervenções incluem a implantação de quatro reservatórios de contenção de cheias nas alças da BR-232, a requalificação dos canais da Chesf e do Vietnã e melhorias na microdrenagem da Avenida Abdias de Carvalho.

A prefeitura afirma que os reservatórios, com capacidade para armazenar cerca de 130 mil metros cúbicos de água, devem reduzir em até 30% o pico das cheias extremas. A conclusão dessa etapa está prevista para 2027.

Também estão em andamento as obras de requalificação dos canais da Chesf e do Vietnã, com serviços de limpeza, retirada de sedimentos, ampliação da capacidade de escoamento e alterações no traçado do canal da Chesf. De acordo com a administração municipal, essas intervenções têm como objetivo reduzir o acúmulo de água na Avenida Abdias de Carvalho e beneficiar comunidades vizinhas.

Além disso, a prefeitura informou que a requalificação da microdrenagem da avenida, na altura da Praça da Chesf, está em fase final de licitação e prevê a substituição das tubulações existentes por um sistema dimensionado para suportar eventos de chuva mais intensos, dentro do cenário das mudanças climáticas. O valor estimado para essa etapa é de R$ 3,4 milhões.