Quatro suspeitos são presos por extorquir comerciantes com empréstimos no Grande Recife
Grupo é investigado por usar ameaças para cobrar dívidas; Polícia Civil apreendeu dinheiro, celulares e documentos durante a operação
Quatro pessoas foram presas em flagrante suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em extorquir pequenos comerciantes por meio da oferta de empréstimos informais. As prisões ocorreram na última segunda-feira (20), durante uma operação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), conduzida pela Delegacia do Cabo de Santo Agostinho, que investiga a atuação de um grupo estruturado formado por cidadãos estrangeiros.
A investigação começou após uma comerciante denunciar que vinha sendo ameaçada durante cobranças relacionadas a um empréstimo ilegal. Segundo a polícia, integrantes da organização compareciam diariamente ao estabelecimento da vítima para exigir pagamentos.
Além das abordagens presenciais, ela também recebia ligações e mensagens intimidatórias e teve a residência identificada pelo grupo, que chegou a tentar invadir o imóvel para pressioná-la.
Com base nas informações repassadas pela comerciante, policiais civis montaram uma campana nas proximidades do estabelecimento e flagraram um casal realizando a cobrança no momento da abordagem. Os dois suspeitos foram presos em flagrante.
Segundo o delegado Samuel Sá Menezes Moraes, responsável pelas investigações, a denúncia permitiu identificar a forma de atuação da organização e ampliar as diligências.
“A partir da denúncia da vítima, conseguimos identificar a dinâmica da atuação do grupo e realizar o flagrante no exato momento em que a cobrança criminosa era feita. As diligências seguintes revelaram uma estrutura organizada, com divisão de funções e mecanismos destinados à captação de clientes, arrecadação de valores e intimidação das vítimas”, destacou.
Após as primeiras prisões, a equipe seguiu para um imóvel no bairro de Candeias, apontado como base de apoio da organização. No local, os policiais apreenderam uma grande quantidade de dinheiro em espécie, centenas de cartões usados para divulgar os empréstimos e dezenas de páginas com anotações sobre cobranças, pagamentos e possíveis vítimas. De acordo com a Polícia Civil, o material recolhido ocupou duas malas de viagem.
Ainda no imóvel, uma investigada informou que os materiais pertenciam à mulher apontada como líder do grupo. Conforme o relato, a organização contava com diversos estrangeiros que exerciam funções específicas, como a captação de clientes, a realização das cobranças e o recolhimento dos valores.
Durante a operação, os policiais também identificaram uma tentativa de destruição de provas. Segundo a investigação, dois celulares foram formatados remotamente logo após uma ligação para a suposta líder da organização. Os demais aparelhos eletrônicos foram colocados em modo avião para preservar os dados que serão analisados pela perícia.
As diligências apontaram ainda a existência de uma empresa utilizada para movimentar os recursos obtidos nas cobranças ilegais. A mulher registrada como proprietária do CNPJ admitiu à polícia ter emprestado o nome para abrir a empresa e cadastrar a chave Pix utilizada pelo grupo. Com ela, foram apreendidos dinheiro em espécie e um aparelho celular.
Ao todo, foram autuados em flagrante um homem de 31 anos e três mulheres, de 43, 26 e 24 anos, pelos crimes de organização criminosa e extorsão.
Segundo a Polícia Civil, esta é apenas uma etapa de uma investigação mais ampla, que já resultou na instauração de quatro inquéritos policiais e na prisão de outro integrante da organização. As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada em localidades como Gaibu, Mercadão do Cabo, Barra de Jangada, Nossa Senhora do Ó e Candeias, além de outras áreas que continuam sendo investigadas.
A operação também resultou na apreensão de dinheiro em espécie, documentos com registros financeiros da organização, cartões utilizados para atrair clientes e aparelhos celulares que passarão por perícia. A investigação continua para identificar outros envolvidos e localizar novas vítimas do esquema.