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Quedas de energia afetam aulas e pesquisas na UFRPE, no Recife

Estudantes e servidores relatam rotina de prejuízos no campus de Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife; Neoenergia alega ter registrado apenas quatro interrupções no ano e cita impacto da vegetação

Por Nicolle Gomes

Marco Santos, técnico-administrativo do Departamento de Estatística e Informática

Servidores e alunos do Campus Recife da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Dois Irmãos, na Zona Norte da capital, reclamam que enfrentam quedas de energia frequentes na região. A situação, segundo eles, compromete atividades e pesquisas acadêmicas.

“Alguns setores específicos da UFRPE possuem geradores, mas são caros, como, por exemplo, a infraestrutura de rede, que mantém os sites funcionando. Esses setores são insuficientes para alimentar toda a instituição. E o que acontece é que pesquisas são constantemente paralisadas. Há amostras em vários departamentos que precisam estar sob refrigeração constante, sob risco de prejuízo”, comenta o técnico-administrativo Marco Santos, do Departamento de Estatística e Informática (DEINFO).

O servidor afirma ao Diario de Pernambuco que esse problema não é de agora. Segundo ele, a situação persiste há anos. As quedas acontecem com mais frequência nos horários de pico da universidade, quando há maior circulação de discentes e docentes no campus.

Marco relata que alguns equipamentos, como "supercomputadores", precisam de estabilidade energética para realizar processos que muitas vezes levam até 10 dias. Diante da inconstância, ele diz que trabalha com "insegurança e medo" de que as peças sejam, inclusive, danificadas.

O técnico compartilhou algumas pesquisas que, segundo ele, têm sido afetadas pelas quedas. Entre elas, está a "IsoProb", ligada a um sistema de atribuição geográfica de vestígios criminais.

Outro estudo afetado é um Laboratório de Modelagem Estatística e Computacional de fenômenos Naturais Complexos (LACUNA). 

O estudante de Computação Vinícius Assis, de 22 anos, conta que já ficou sem aula devido ao problema. “É uma situação real e muito frequente. Neste último período, uma das quedas bagunçou um dos servidores do Departamento de Computação. Ficamos sem conseguir acessar os computadores do laboratório por quase duas semanas. A situação foi tão grave que alguns professores se recusaram a dar aula sem que o problema fosse resolvido.”

O aluno também afirma que a situação afeta até o Restaurante Universitário (RU) da UFRPE, que não funciona sem energia. “Quando falta energia em certa parte do campus, não tem RU, e tem muita gente de residência estudantil que mora na faculdade; eles jantam e almoçam lá. Então, se falta energia, eles não comem.”

A equipe de reportagem também conversou com Tiago Espínola, do Departamento de Estatística. Ele afirma que a solução seria a construção de uma subestação para abastecer o Campus Recife da UFRPE.

“O que eu acredito que seria interessante para a regularização desse processo era a disponibilidade de uma subestação elétrica exatamente para estabilizar o fornecimento de energia. Entendo que a universidade faz tudo o que pode quanto a isso. Não vejo problema por parte da universidade, mas sim na qualidade do fornecimento de energia que chega até ela.”

O que diz a Neoenergia

Procurada pelo Diario, a Neoenergia se pronunciou por meio de nota. Confira o posicionamento na íntegra:

“A Neoenergia Pernambuco informa que, desde janeiro deste ano, identificou quatro interrupções intempestivas em unidades consumidoras da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). As ocorrências, motivadas por interferência de vegetação na rede de distribuição de energia, foram isoladas e não impactaram todas as unidades. Levantamento realizado pela distribuidora também identificou religamentos automáticos, com duração de até cinco segundos, além de desligamentos programados para manutenção da rede elétrica. O mais recente desligamento para manutenção preventiva ocorreu no último dia 17 de julho. Para minimizar a percepção de interrupções no fornecimento para alunos, servidores e frequentadores da UFRPE, a companhia está promovendo podas de galhos de árvores que se aproximam da fiação”, escreveu a corporação.

O que diz a UFRPE

A UFRPE foi procurada pelo Diario. Em nota, a instituição afirma que monitora a situação. Confira na íntegra:

"No Âmbito da UFRPE, a Universidade sempre está em contato com a Neoenergia para resolver sempre rápido as questões destas quedas. Em 2024 já houve uma reunião da nossa reitora, Maria José de Sena, e Thamara Cabral, da Superintendência de Infraestrutura da UFRPE com eles.

A Neoenergia está ciente das demandas da Universidade e também possui um diagnóstico do caso", divulgou.