"Pessoa mau-caráter é capaz de tudo", diz Mirtes após Sari pedir financiamento do Fies
Sari Corte Real teve negado pela Justiça Federal o pedido para ter o curso de medicina financiado pelo Fies
A bacharel em direito Mirtes Renata, mãe do menino Miguel Otávio, se manifestou nas redes sociais após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negar pedido de Sari Corte Real para receber crédito estudantil integral pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), decisão divulgada com exclusividade pelo Diario de Pernambuco.
"Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para estudar e sobreviver, a burguesia segue utilizando todas as brechas possíveis para disputar recursos que deveriam priorizar quem nunca teve privilégios", escreve Mirtes.
"O que revolta é a criminosa ter a cara de pau de ter recorrido à Justiça Federal para obter financiamento estudantil integral, enquanto milhares de jovens de baixa renda enfrentam dificuldades para ingressar ou permanecer no ensino superior", completa a mulher.
Mirtes diz que a ex-primeira-dama de Tamandaré, na Mata Sul, segue cometendo "absurdos" mesmo condenada pela morte de Miguel. "Uma pessoa mau-caráter é capaz de tudo", completa.
Fies
Sari, que foi aprovada em uma faculdade privada de medicina, teve o pedido de financiamento do Fies negado em 2023 sob alegação de não ter alcançado nota mínima no Enem. Ela acionou a Justiça Federal alegando que cumpria os requisitos previstos na lei e nas regulamentações do programa, como renda familiar bruta per capita inferior a três salários mínimos e desempenho acadêmico mínimo exigido pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Na sentença de 1º grau, de junho de 2025, o juiz federal Naiber de Almeida diz ser entendimento consolidado que a utilização da nota como critério de seleção constitui medida legítima.
Sari Corte Real apresentou recurso afirmando que a exigência da nota mínima do Enem viola princípios constitucionais, como direito à educação e o princípio da legalidade.
Em seu voto, o relator do recurso, desembargador federal Flávio Jardim, da Sexta Turma, conclui que não há ilegalidade na restrição. A decisão do desembargador, de manter a sentença que julgou improcedentes os pedidos de Sari, foi seguida de forma unânime em acórdão publicado no dia 25 de junho deste ano.
Caso Miguel
Em maio, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decidiu, por maioria de votos, rejeitar recurso apresentado pela defesa de Sari e manteve sua condenação a sete anos de prisão em regime fechado pela morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos.
Miguel morreu após cair do nono andar de um edifício de luxo no bairro de São José, área central do Recife, em 2 de junho de 2020, enquanto estava sob os cuidados de Sari. Naquele período, durante a pandemia da Covid-19, a mãe da criança, Mirtes Renata Santana de Souza, continuava trabalhando como empregada doméstica para a família de Sari.
Segundo as investigações, Mirtes havia saído do apartamento para passear com o cachorro dos patrões quando Miguel tentou ir atrás da mãe. Imagens do circuito interno mostraram o menino entrando sozinho no elevador após interação com Sari.
De acordo com a investigação da Polícia Civil e os laudos periciais, a criança chegou ao nono andar do prédio, acessou uma área técnica próxima aos equipamentos de ar-condicionado e caiu de uma altura de cerca de 35 metros.
Sari Corte Real foi denunciada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por abandono de incapaz com resultado morte.