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Vida Urbana
Caso Miguel

"Não me deixem lutar sozinha", pede mãe de Miguel no aniversário de 6 anos da morte do menino

Morte do menino Miguel completa seis anos nesta terça (2). A mãe dele, Mirtes Renata, segue pedindo justiça desde então

Nicolle Gomes

Publicado: 02/06/2026 às 11:22

Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, busca na Justiça a condenação de Sari Corte Real pela morte do filho/Foto: Crysli Viana/Acervo DP Foto

Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, busca na Justiça a condenação de Sari Corte Real pela morte do filho (Foto: Crysli Viana/Acervo DP Foto)

A morte do menino Miguel, que faleceu após cair de uma das Torres Gêmeas do Recife, no bairro de São José, na área central da capital, completa seis anos nesta terça-feira (2). Nas redes sociais, a mãe dele, Mirtes Renata, lamentou a perda do filho e pediu apoio: “Não me deixem lutar sozinha”, escreveu.

Além de lidar com o luto e a dor pela morte de Miguel, Mirtes tem travado uma batalha judicial contra a ex-patroa, Sarí Corte Real, que estava responsável pelo menino quando ele caiu do nono andar, após ser deixado sozinho no elevador.

Em maio de 2022, Sarí foi condenada a 8 anos e meio em regime fechado por abandono de incapaz com resultado morte e tem recorrido da decisão em liberdade. A pena foi reduzida para 7 anos em novembro de 2023.

A liberdade de Sarí é o principal ponto de cobrança de Mirtes. Confira na íntegra a publicação feita pela mãe de Miguel:

“É desesperador.
6 anos sem ouvir a voz do meu filho.
6 anos sem poder abraçá-lo.
6 anos vendo recursos, adiamentos da prisão da condenada e o tempo passar diante dos meus olhos.

Na semana passada, o TJPE manteve a condenação de 7 anos em regime fechado para Sarí Corte Real por abandono de incapaz com resultado morte. A decisão só foi mantida por um voto de diferença: 6 votos a 5. E mesmo condenada, ela continua recorrendo em liberdade.

Eu olho para tudo isso e me pergunto:

Quanto tempo mais?
Quantos anos mais uma mãe precisa esperar?

Meu filho tinha apenas 5 anos. A Justiça já levou mais tempo para responder do que o tempo que Miguel teve para viver. Eu tenho medo de que a lentidão vença.

Tenho medo de que a demora se transforme em impunidade. Tenho medo de que, enquanto a condenada segue vivendo sua vida, viajando, sorrindo e construindo novas memórias, a história do meu filho continue presa em recursos sem fim.

Não temos mais tempo. Junho não pode terminar sem uma resposta concreta para Miguel. Junho não pode terminar sem que a condenada seja presa.

2026 não pode ser mais um ano de espera. Depois de quase 6 anos, eu só tenho forças para fazer um pedido: Não me deixem lutar sozinha. Essa luta é de todos. Essa luta precisa ser de todos. Justiça por Miguel.

@tjpeoficial*este mês precisa terminar com uma conclusão.

#JustiçaPorMiguel”, postou Mirtes.

*Tribunal de Justiça de Pernambuco

O que diz o TJPE

O Diario de Pernambuco procurou o TJPE e aguarda retorno.

O que diz a defesa de Sarí Corte Real

A equipe de reportagem do Diario entrou em contato com a defesa de Sarí Corte Real e aguarda retorno.

 

Relembre

Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, durante o lockdown da pandemia de COVID-19, após cair do nono andar de um dos prédios das famosas Torres Gêmeas do Recife, no bairro de São José. A mãe dele, Mirtes Renata, trabalhava à época para a família de Sarí Côrte Real e Sérgio Hacker.

Momentos antes da morte de Miguel, Mirtes desceu do edifício para passear com o cachorro da patroa. Miguel ficou sob os cuidados de Sarí, que fazia as unhas em seu apartamento. O garoto pediu pela mãe, e Sarí o deixou no elevador da unidade e apertou o botão da cobertura.

Miguel desembarcou um tempo depois no nono andar, de onde caiu de uma altura de 35 metros. Ele não resistiu aos ferimentos e faleceu. Desde então, sua mãe continua buscando por justiça.

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