Fuzil e submetralhadora enterrados: como a polícia desarticulou o arsenal dos ‘Irmãos Metralha’ no Recife
Natanael Santos, o "Negão", era o responsável pelo arsenal do grupo na comunidade do Detran; arsenal com fuzil e submetralhadora foi descoberto enterrado em ilha após a captura
Um homem de 42 anos foi preso no município de Natuba, na Paraíba, por suspeita de integrar uma organização criminosa com atuação predominante na comunidade do Detran, no bairro da Iputinga, e em outras regiões do Grande Recife. Ele era considerado foragido da Justiça desde 8 de junho.
Natanael Santos da Silva, conhecido como “Negão”, é apontado como o armeiro (responsável pela manutenção do arsenal bélico) do grupo criminoso “Irmãos Metralha”, vinculado ao Comando Vermelho.
Segundo as investigações, ele ocupava posição de destaque, exercendo atribuições relacionadas à arrecadação financeira da organização, gerenciamento da atividade de tráfico de drogas, cobrança de devedores e aquisição de entorpecentes.
A captura aconteceu na quarta-feira (17) e foi realizada por equipes do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Após a prisão, equipes do Bope teriam questionado o homem sobre a existência dos armamentos usados pela organização. Foi a partir da indicação dele, que os policiais localizaram, na Ilha do Bananal, um fuzil 5.56, uma submetralhadora, uma espingarda e três rifles, além de sete carregadores e 2.514 munições de diversos calibres.
Os armamentos estariam “enterrados e cuidadosamente ocultados para dificultar sua descoberta pelos órgãos de segurança pública".
“A quantidade e natureza das armas, munições e carregadores apreendidos revelam gravidade concreta significativamente superior àquela inerente ao próprio tipo penal, demonstrando elevado grau de organização, poder de fogo e capacidade ofensiva do grupo criminoso investigado”, diz trecho do documento policial, obtido pelo Diario.
Em depoimento à Polícia Civil, Natanael negou fazer parte dos "Irmãos Metralha" ou exercer qualquer função no grupo. Ele também alegou desconhecer a existência de outras armas guardadas, bem como quem fazia a manutenção ou qual era a utilidade delas.
Apesar de ter sido detido em flagrante, a Justiça entendeu, durante a audiência de custódia, realizada nesta quinta (18), que não houve flagrante delito e decidiu relaxar a prisão. Ainda assim, como já havia um mandado de prisão preventiva em aberto contra ele, Natanael permanece preso.