Familiares de paciente com múltiplas fraturas nas pernas denunciam HR por demora em procedimentos
Segundo irmão do paciente, a colocação de fixadores internos nas pernas do assistido só aconteceu após denúncia no MPPE; HR justifica que cirurgia definitiva foi inviabilizada pela situação da pele e da infecção dos membros inferiores
Familiares do paciente Daniel Marinho, internado desde o dia 22 de março no Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, denunciaram ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) a demora nos procedimentos de colocação de fixadores internos nas pernas do assistido, que teve múltiplas fraturas.
Segundo o irmão da vítima, Tiago Marinho, a colocação dos fixadores internos em uma das pernas, que ocorreu no dia 14 de maio, só aconteceu após a denúncia no MPPE.
“Após que denunciamos a situação do MPPE, deram mais atenção ao meu irmão ao ponto dele passar por uma cirurgia definitiva na perna esquerda na quarta passada (14)”, contou à reportagem do Diario de Pernambuco.
Segundo ele, a demora na colocação de fixadores internos fez com que os equipamentos externos se soltassem, ocasionando um sangramento em uma das pernas de Daniel Marinho.
“Meu irmão foi atropelado no dia 22 de março e teve múltiplas fraturas nas duas pernas. Diante da gravidade, levaram ele para o HR e fizeram a cirurgia de colocação dos fixadores externos”, explicou Tiago.
“A informação que nos foi repassada é que esses equipamentos ficariam 20 dias na perna dele e que depois teria outra cirurgia para colocar os fixadores internos”, completou.
Tiago disse ainda que, após esse prazo, o organismo do irmão começou a expulsar os fixadores, o que fez, segundo Tiago, os equipamentos se soltarem da perna do paciente, fazendo ele sentir muita dor.
“Além da dor, que fez meu irmão tomar até morfina, tinha a questão do sangramento, que fez ele receber bolsa de sangue. Quando questionava os médicos e os enfermeiros sobre a cirurgia, eles falavam que haviam chegado outras pessoas mais grave”, reclamou.
O atropelamento, que resultou na entrada de Daniel Marinho no HR, aconteceu no dia 22 de março, na Avenida Pan-Nordestina, nas proximidades do bairro do Varadouro, em Olinda. Segundo testemunhas, a vítima foi atropelada por um carro em que o motorista estava supostamente bêbado.
Já a denúncia feita na ouvidoria do MPPE aconteceu após o paciente completar mais de dois meses esperando pela cirurgia definitiva, demora essa que já havia sido reclamada em post divulgado nas redes sociais de Daniel.
“O tempo foi se passando e meu irmão começou a relatar que estava perdendo a sensibilidade da perna esquerda, fazendo com que tivéssemos medo que ele perdesse a perna. Foi aí que procuramos o MPPE. Após essa denúncia, deram mais atenção ao meu irmão ao ponto dele passar por uma cirurgia definitiva na perna esquerda na quarta passada, dia 14 de maio”, ressaltou Tiago Marinho.
O irmão do paciente ainda afirma que deram um prazo de 15 dias, contabilizados desde o procedimento cirúrgico da semana passada, para a realização da cirurgia definitiva da outra perna.
Conforme consta na justificativa enviada pelo HR ao MPPE, no dia no 12 de maio, a não realização da cirurgia definitiva aconteceu “devido à falta de condições de pele e infecção dos membros inferiores”.
Porém, o HR informou no mesmo documento que no dia 5 de maio, um dia após os familiares denunciarem a situação do paciente ao MPPE, Daniel Marinho foi submetido a novo procedimento cirúrgico com a realização de limpeza cirúrgica, desbridamento, troca e manipulação dos fixadores externos.
“Em relação a falha na manutenção dos fixadores externos, é importante ressaltar que esses fixadores são normalmente instáveis, por isso são geralmente utilizados de forma provisória. Quando ocorre soltura de pinos ou infecção do local dos pinos, eles podem ser trocados ou manipulados, fato que ocorreu no dia 05/05/2026, portanto a manutenção do fixador vem sendo realizada adequadamente”, destaca trecho da resposta do HR enviada ao MPPE.
A reportagem do Diario de Pernambuco buscou o hospital para comentar sobre a reclamação da família do paciente. Em nota oficial, o HR disse a equipe médica seguiu todos os protocolos assistências.
A nota do HR na íntegra:
"O Hospital da Restauração (HR) Gov. Paulo Guerra explica que, desde a admissão, o paciente está sendo acompanhado pela equipe de Ortopedia da unidade, recebendo toda a assistência necessária, incluindo exames laboratoriais, de imagem e troca de curativos, enquanto aguarda o segundo tempo cirúrgico.
A unidade acrescenta que as decisões cirúrgicas e o intervalo entre os procedimentos seguem rigorosamente os protocolos assistenciais e critérios médicos, com foco na segurança e na plena recuperação do paciente."