Eduardo e aliados plantaram versões para despistar fuga de Flávio
Deputado cassado e neto de João Figueiredo orquestraram vazamentos seletivos
A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi acompanhada por uma ofensiva de desinformação articulada por integrantes do núcleo bolsonarista. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está autoexilado nos Estados Unidos, e aliados, como o comentarista Paulo Figueiredo, repassaram informações truncadas sobre o paradeiro do senador, em uma tentativa de despistar a imprensa e dificultar a identificação da rota utilizada pelo primogênito de Jair Bolsonaro para chegar aos Estados Unidos.
As versões desencontradas ganharam força enquanto autoridades brasileiras tentavam esclarecer as circunstâncias da saída de Flávio do território nacional. Informações sobre uma eventual passagem pela Argentina, governada pelo aliado Javier Milei, alimentaram especulações sobre o destino do senador. O governo argentino, no entanto, negou a existência de um pedido de asilo político e informou não haver registros oficiais de sua entrada no país.
Paralelamente, interlocutores ligados à família Bolsonaro passaram a disseminar a narrativa de que Flávio seria alvo de uma perseguição política conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O discurso buscava apresentar a saída do país como uma medida de autoproteção diante de uma eventual ordem de prisão, embora não houvesse, naquele momento, uma determinação judicial nesse sentido.
A estratégia também encontrou respaldo entre aliados do senador, que passaram a defender publicamente a decisão de deixar o Brasil. Nos bastidores, porém, integrantes do próprio campo bolsonarista avaliaram que a movimentação foi precipitada e poderia ampliar o desgaste político do candidato derrotado. A avaliação é de que Flávio teria agido por receio de uma eventual decisão de Moraes, mesmo sem a existência de uma ordem de prisão.
Integrantes do governo Lula, por sua vez, rejeitam a narrativa de perseguição política e sustentam que o senador deveria permanecer no país para responder aos procedimentos legais. Para esses interlocutores, a tentativa de transformar a saída do Brasil em um episódio de perseguição judicial integra uma estratégia de mobilização da base bolsonarista e de questionamento das instituições.
Confira matéria no Correio Braziliense.