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Reeleição de Lula abre caminho para novas parcerias com Raquel Lyra em Pernambuco

Eventual participação do adversário político João Campos no governo não deve ser impeditivo para boa relação institucional

Por Amauri Lins

Lula e Raquel Lyra em agenda no interior de Pernambuco

A renovação do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência da República, efetivada no último domingo (25), abriu espaço para formulações sobre o horizonte da relação institucional com sua terra natal, Pernambuco. Apesar de não ter declarado apoio na corrida eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) fez questão de ressaltar ao longo de toda a campanha a parceria exitosa construída ao longo do seu primeiro mandato no Executivo estadual.

Em 2022, Raquel também optou pela neutralidade na disputa presidencial, o que não impediu a governadora de angariar posteriormente apoio federal para obras e empreendimentos em áreas como saúde, habitação, infraestrutura e segurança hídrica, incluindo os investimentos na refinaria Abreu e Lima, a ampliação da Adutora do Agreste e programas parceiros como o federal Minha Casa, Minha Vida e o estadual Morar Bem Pernambuco.

Para a cientista política Priscila Lapa, a ausência de uma aliança formal não significa a ruptura do diálogo entre as partes. “Não aconteceu em 2022 e eu não vejo nenhuma mudança estrutural que possa inviabilizar uma relação de gestão administrativa muito fortalecida também neste mandato, no sentido de continuidade daquilo que já havia sido posto. Porque existe a vontade das duas partes, essa é a grande questão”, afirmou.

Lideranças políticas petistas no estado também construíram boas relações com Raquel ao longo dos últimos quatro anos, como o deputado estadual reeleito João Paulo (PT) e o senador reeleito Humberto Costa (PT). No últimos dias da campanha do segundo turno, a governadora foi elogiada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que também coordenou a campanha de Lula, após o anúncio da garantia do transporte público gratuito para o dia da votação.

Fator João Campos não deve ser impeditivo

Diferente do cenário de 2022, a ascensão de João Campos (PSB) como principal adversário político de Raquel no estado surge como um elemento desafiador para a relação com o governo federal. Derrotado na disputa pelo Executivo estadual, o socialista é o presidente nacional de sua sigla e chega como um dos nomes cotados para assumir uma pasta no primeiro escalão da nova gestão.

No entanto, na avaliação de Lapa, o quarto mandato de Lula vai demandar um aprofundamento na estratégia de formar uma coalizão ampla, em razão da nova composição do Congresso Nacional com um caráter mais conservador. Nesse cenário, o Partido Social Democrático (PSD) de Raquel é uma das principais forças do centro político a serem procuradas para uma maior aproximação.

“Na gestão do presidente Lula caberá tanto uma sinalização de parceria com a governadora, porque para ele o estado estar desenvolvido é também vitrine do seu governo, para construção também da sua sucessão, como também sinalizar um nome como João Campos, que não necessariamente está na linha direta de sucessão de Lula, mas faz parte de uma composição que sinaliza para uma renovação desse campo”, explica.

Obras no horizonte

Os próximos quatro anos devem contar com uma série de empreendimentos em andamento por meio de parcerias entre as gestões estadual e federal, entre eles o ramal Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina, que recentemente enfrentou entraves no Tribunal de Contas da União (TCU). O projeto é tido como estratégico para o escoamento da produção vinda do interior do estado.

A construção do Arco Metropolitano também é uma das principais obras a serem avançadas nos próximos anos. A iniciativa, que pretende desafogar o trânsito na região entre a BR-101, BR-232 e o Complexo de Suape, foi iniciada pelo governo Raquel Lyra e deve ter o segundo trecho concluído pela União.

O principal desafio que pode surgir para frear possíveis investimentos no estado é uma eventual mudança na política econômica do governo federal, como forma de responder à pressão do mercado por medidas de austeridade. Para Lapa, o cenário pode ocasionar uma redução na verba destinada aos estados.

“Há uma certa urgência, uma pressão de mercado, dos setores produtivos, de uma certa austeridade. Um mínimo de reformas que possam levar a uma máquina pública minimamente mais enxuta, mais eficiente. Isso pode, necessariamente, passar pela redução de gastos e investimentos”, aponta.