PF apura suposta destruição de provas em investigação sobre fraudes em contratos da Prefeitura do Recife
Operação Check-out é um desdobramento de investigação iniciada em junho; suspeito de obstruir as apurações não foi localizado pela Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (21), uma nova operação para investigar a suspeita de destruição de provas e obstrução de uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção e fraudes em contratos firmados com a Prefeitura do Recife. Batizada de Check-out, a ação é um desdobramento da Operação Check-in, realizada em junho deste ano, e teve como alvo um investigado que não foi localizado pelos agentes e é considerado foragido.
Segundo a PF, oito policiais federais participaram da operação, que incluiu dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva, nos municípios do Recife e de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. A ordem de prisão não foi cumprida porque o investigado não foi encontrado em sua residência habitual.
A corporação informou que continua realizando diligências para localizar o suspeito e cumprir a determinação judicial. A identidade do investigado não foi divulgada na nota encaminhada à imprensa.
A operação foi noticiada inicialmente pelo Metrópoles, em reportagem publicada nesta quarta-feira. Posteriormente, a Polícia Federal em Pernambuco divulgou informações sobre a ação, confirmando a investigação de uma possível tentativa de comprometer as apurações conduzidas desde junho.
O crime investigado nesta nova etapa é o de obstrução de investigação de organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013. A PF não detalhou quais provas teriam sido destruídas nem esclareceu de que forma o investigado teria atuado para dificultar o andamento do inquérito.
Investigação começou em junho
A Operação Check-out é um desdobramento da Operação Check-in, deflagrada em 2 de junho, conforme noticiado à época pelo Diario de Pernambuco. A primeira fase, realizada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), teve como objetivo investigar a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em corrupção de servidores públicos, desvio de recursos e fraudes em licitações e contratos celebrados com a Prefeitura do Recife.
Na ocasião, as investigações apontaram indícios de pagamento de vantagem indevida a um agente público do alto escalão da administração municipal por uma empresa contratada pela prefeitura. As suspeitas surgiram após a apreensão de canhotos de cheques durante outra investigação da PF, denominada Operação Firenze.
Os contratos sob investigação envolvem serviços de terceirização de mão de obra realizados em 2020. Naquele ano, a empresa investigada recebeu aproximadamente R$ 25,8 milhões da Prefeitura do Recife, dos quais cerca de R$ 17 milhões foram custeados com recursos federais.
De acordo com as informações divulgadas pela PF na primeira fase, a empresa já mantinha vínculos contratuais com o município em anos anteriores, o que levantou a possibilidade de que eventuais prejuízos aos cofres públicos fossem superiores aos valores inicialmente identificados.
A operação de junho mobilizou 32 policiais federais e dois auditores da CGU, responsáveis pelo cumprimento de oito mandados de busca e apreensão no Recife, em Jaboatão dos Guararapes e no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife.
Na primeira etapa, os crimes investigados incluíam corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação ou contrato e lavagem de dinheiro.
Posicionamento
Em junho, quando a primeira fase da investigação foi deflagrada, a Prefeitura do Recife informou ao Diario de Pernambuco que não era alvo da Operação Check-in. A gestão municipal mantém o posicionamento. Veja a nota enviada nesta quarta (21):
A Prefeitura do Recife esclarece que não é alvo da operação Check-in, que trata de contratos referentes a uma empresa terceirizada que atuou em contratos celebrados em 2020 no âmbito municipal. O Executivo Municipal reforça que segue à disposição das instituições e órgãos de controle no apoio às investigações.