° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

PSD e PSB dividem maiores bancadas e redesenham forças na Alepe após eleição

Partidos de Raquel Lyra e João Campos elegem nove deputados cada; especialista avalia que governadora terá cenário mais confortável para construir maioria

Por Elaine Guimarães

Novo prédio sede da Alepe, na Rua da União, Centro do Recife. Foto: Rinaldo Marques/Alepe

Após as eleições de 2026, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) ganha uma nova configuração para o quadriênio (2027-2030) com chegadas de novos nomes, saídas e retornos à Casa. Com 49 cadeiras, a Alepe passa por um processo de reconfiguração de forças político-partidárias, tendo o Partido Social Democrático (PSD), da governadora reeleita, Raquel Lyra, e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do ex-prefeito do Recife João Campos, como os grandes protagonistas do pleito.

As duas legendas conquistaram nove deputados estaduais, cada uma, assegurando as maiores bancadas da Casa para os próximos quatro anos. Com relação ao pleito de 2022, o PSB amplia a sua presença no parlamento estadual, com o acréscimo de dois deputados. 

Enquanto o PP, que liderava com dez cadeiras, caiu para sete e perdeu o status de maior bancada. O Podemos ocupa a quarta maior bancada no legislativo estadual, com seis parlamentares. Já o PCdoB e Avante voltam a ter representantes.

  • PSD: 9 CADEIRAS

  • PSB: 9 CADEIRAS

  • PP: 7 CADEIRAS

  • PODEMOS: 6 CADEIRAS

  • PT: 5 CADEIRAS

  • PL: 3 CADEIRAS

  • PV: 3 CADEIRAS

  • MDB: 2 CADEIRAS

  • UNIÃO BRASIL: 1 CADEIRA

  • REPUBLICANOS: 1 CADEIRA

  • PCdoB: 1 CADEIRA

  • Avante: 1 CADEIRA

  • Novo: 1 CADEIRA

A nova conjuntura da Alepe, segundo análise do cientista político Bhreno Vieira, será "mais confortável do que na primeira legislatura" para Raquel Lyra. No primeiro mandato, a chefe do Executivo estadual encontrou dificuldades de diálogo com parte dos parlamentares. 

"Para essa legislatura nova, o que a gente tem observado é que essa margem de conforto de Raquel se ampliou mais. Então, por exemplo, agora ela tem uma base eleitoral que saiu de mais de 24 deputados. E com isso ela pode ampliar, montando uma coalizão com uma base da coalizão governista, e conseguir realmente ter uma maioria para que ela possa aprovar uma série de reformas e ter uma tramitação bem mais acelerada de seus projetos", aponta Vieira.

Com as alianças construídas durante o período eleitoral, o trabalho, agora, é transformá-las em maioria legislativa. "Nesse sentido, exige um processo de coordenação permanente. Então, quais são as ferramentas que a gente encontra dentro do modelo do Executivo brasileiro, seja na esfera federal, seja na esfera estadual? A questão de distribuição de cargos, os poderes de agenda, a questão de distribuição de recursos são ferramentas-chave para manter essa coalizão operando e permanente nesse sentido."

Renovação

Em 2026, mais de 30 parlamentares estaduais conseguiram a reeleição. Ademais, 18 deputados chegam para aquecer as discussões, alguns vindos da Câmara Municipal do Recife, ou retornam à Alepe:

  • Gilson Machado Filho (Podemos)
  • André Ferreira (PL)
  • Lara Santana (PV)
  • Maria Arraes (PSB)
  • Batista Cabral (PSB)
  • Janjão (PSD)
  • Bruno Marques (PSB)
  • Jobson Almeida (Republicanos)
  • Professora Ivete Caetano (PT)
  • Roberta Arraes (PP)
  • Romerinho Jatobá (PSB)
  • Sebastião Oliveira (Avante)
  • Fábio Aragão (PSD)
  • Vini Castello (PCdoB)
  • Andréa Medeiros (PSD)
  • Emerson Freitas (MDB)
  • Breno Araújo (PT)
  • Zé de Irmã Teca (PSD)

Para Bhreno Vieira, a nova Alepe não deve mudar, de imediato, o perfil da Casa, visto que os recém-chegados não entram isolados e obedecem às instruções das lideranças partidárias. Ainda conforme o cientista político, o que vai definir o perfil do parlamentar é sua posição diante da lógica de oposição e governo.

"Isso é extremamente mais interessante de ser observado do que se apontar, simplesmente, que vai ter uma renovação de quadros, que isso vai trazer uma mudança de perfil. Há de se observar onde esses parlamentares estão inseridos dentro dessa dinâmica oposição e governo. Também é importante só frisar que o que pode acontecer é ter a chegada de novas pautas. Temos uma bancada bem mais consolidada em termos de ideologia do PL, do PP e da Federação União Progressista. Então, podemos observar que isso vem a garantir novas pautas sociais e de costumes para o estado. Mas, para isso, é necessário observar como vai ser o comportamento deles nos cinco primeiros dias."

Votação da Mesa Diretora

Com o início do quadriênio, há a renovação da Mesa Diretora, que atualmente tem como presidente o deputado reeleito Álvaro Porto (MDB), e deve provocar uma disputa interna entre as legendas com maior representatividade na Casa. Questionado sobre essa construção, Vieira pondera que a votação não é uma reprodução do pleito de 2026. 

"A gente pode ver que os partidos podem formar alianças com legendas que literalmente estavam em campo oposto. Por exemplo, a figura de Álvaro Porto, quando foi eleita como presidente nos dois primeiros anos da legislatura na Alepe anterior, a candidatura teve um amplo apoio. Era um parlamentar, até então do partido da governadora, e teve um amplo apoio de pessoas que estavam concorrendo, inclusive um candidato em coligações opostas nesse sentido."

Contudo, Bhreno não descarta que a figura da governadora reeleita possa contribuir de modo mais específico para a construção da Mesa Diretora, mas não representará um todo. "É importante frisar que a Mesa vai ter uma tendência bem mais ampla do que simplesmente a base atual do governo. É uma outra eleição, mas uma eleição importante, e isso vai ditar, por exemplo, a facilidade ou, de certa forma, os entraves, que Raquel pode enfrentar."

Saídas

A renovação da Assembleia Legislativa de Pernambuco também marca a saída de importantes nomes do cenário político estadual. Não retornam à Casa a partir de 2027:

  • Doriel Barros (PT)
  • Diogo Moraes (PSB)
  • Claudiano Martins (PP)
  • Henrique Filho (PP)
  • Romero Sales Filho (PSD)
  • Pastor Cleiton Collins (PP)
  • Nino de Enoque (PL)
  • William Brígido (PSD)
  • Joel da Harpa (PP)
  • Edson Vieira (Podemos)
  • Júnior Matuto (Republicanos)
  • Romero Albuquerque (PSB)
  • Gilmar Júnior (PV)
  • Mário Ricardo (Podemos)

Nesse contexto, Bhreno Vieira observa que a não renovação desses mandatos, mesmo com uma votação expressiva, como nos casos de Doriel, Hugo Morais, Claudiano Martins e Romero Albuquerque, pode ser reflexo de uma disputa interna das respectivas legendas. 

"Toda essa configuração exige uma própria disputa interna nesse cenário. Somado a isso, o que a gente encontra é que também há regras de distribuição de cadeiras; elas são bastante fortes. O debate sobre coeficiente eleitoral, as cotas eleitorais para a cota partidária e a questão das sobras é muito importante para definir quem fica e quem não fica com um assento dentro da Assembleia."

Ademais, o cientista político menciona a influência das redes sociais e, principalmente, das redes municipais desses candidatos. "Pode ser que isso, tanto o debate nas redes, o debate na formação de alianças com prefeitos e lideranças municipais, possa ter impactado bem mais, de modo com que eles não tenham conseguido obter uma cadeira na Alepe."

Para ele, a não reeleição não significa uma rejeição, mas "um desgaste no sentido de não ter feito uma lição de casa tão forte para conquistar a questão da eleição."