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TSE disponibiliza plano dos candidatos à presidência da República; veja principais pontos

Documentos dos 13 partidos apresentados ao TSE não mostram, porém, como grande parte dos projetos deveriam ser executados

Por Cynthia Morato Medeiros Burgos

TSE

Os planos de governo dos candidatos à presidência da República estão disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde o registro das candidaturas em agosto. Os documentos dos 13 partidos que registraram postulantes apresentam diagnósticos dos problemas vividos no País e propostas para os próximos anos. No entanto, não demonstram como grande parte dos projetos deveriam ser executados politicamente e, mais importante, de onde viria o custeio para que saiam do papel.

Além de saúde e educação, tópicos como segurança pública, combate à corrupção e o fim da escala 6x1 ganharam destaque entre os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, defende o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte nos salários. Também fala em regulamentar o trabalho para aplicativos - como Uber e iFood.

Já Flávio Bolsonaro (PL) destaca a segurança pública, classificando-a como condição básica para todos os outros temas apresentados. O senador propõe combater o crime organizado por meio de uma "asfixia financeira" e uma retomada de territórios dominados por facções criminosas.

Ronaldo Caiado (PSD) destaca o combate à corrupção e propõe instituir um sistema destinado a investigar fraudes ao erário público.

Augusto Cury (Avante) fala em implementar escolas em tempo integral. Romeu Zema (Novo) traz propostas de reforma do Poder Judiciário. E o programa de Renan Santos (Missão) vê a violência urbana como o problema que aproxima o Brasil de se configurar como um "narcoestado".

Veja abaixo os destaques dos planos da cada candidato à Presidência.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Defesa do fim da escala 6x1 e menos horas de trabalho

O plano de governo do presidente Lula tem 84 páginas e é estruturado em 13 diretrizes temáticas: democracia; combate à desigualdade; segurança pública; educação; saúde; cultura e esporte; direito à cidade; economia; segurança alimentar; transição energética; sustentabilidade; valorização do trabalho; e soberania nacional.

O documento enfatiza os pontos de combate à desigualdade, valorização do trabalho, segurança alimentar, fortalecimento da democracia e defesa da soberania nacional.

No tópico de combate à desigualdade, o programa do PT fala em enfrentar as causas da pobreza com justiça tributária, ampliação do Bolsa Família, valorização real do salário mínimo e implementação de políticas de equidade para pessoas com deficiência e grupos minoritários.

Lula defende o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte salariais. Também fala em regulamentar o trabalho por aplicativos como forma de garantir direitos previdenciários a motoristas e entregadores.

Na economia, o plano de governo petista fala em investimento na indústria por meio de um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Sobre segurança alimentar, o presidente defende o fomento da agricultura familiar com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além da retomada dos estoques reguladores e apoio à modernização do agronegócio.

Flávio Bolsonaro (PL)

Destaque para segurança pública e empreendedorismo

O programa apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro está organizado em eixos temáticos, distribuídos em 76 páginas: segurança pública; proteção das mulheres; redução do Estado; corte de impostos; educação, saúde e esportes; proteção social, crédito e cuidado com os idosos; trabalho e produtividade; liberdade de expressão; equilíbrio fiscal; e combate à corrupção.

Na apresentação das políticas, o documento destaca a segurança pública e diz que o tema é condição básica para todos os outros que serão apresentados. O filho de Jair Bolsonaro (PL) propõe ainda combater o crime organizado por meio de uma "asfixia financeira" e uma retomada de territórios dominados por facções.

Na economia, Flávio cita o incentivo ao trabalho formal e o apoio ao empreendedorismo. Também está previsto no plano a utilização da Caixa Econômica Federal como ferramenta de acesso ao crédito para pequenos negócios.

O eixo de proteção à mulher atravessa todo o plano de governo e o plano afirma que elas são a base da família. O programa propõe também a inclusão digital, saúde, autonomia financeira, proteção contra violência e oferta de "vouchers-creche" para as brasileiras.

Na administração pública, o senador propõe corte de ao menos dez ministérios, redução do número de cargos comissionados e diz pretender combater penduricalhos e super salários do funcionalismo público. O candidato defende ainda uma reforma administrativa.

Ronaldo Caiado (PSD)

Projeto pretende reforçar o Sistema Único de Saúde

Ronaldo Caiado apresentou um plano de governo de 100 páginas, dividido em 25 temas. A maior ênfase está nos blocos que abordam saúde; segurança pública e combate à corrupção; infraestrutura; indústria; e energia. O projeto do PSD fala em fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), trabalhar em prevenção e incorporar ciência e tecnologia para integrar uma rede digital. Redução das filas, controle de doenças crônicas, recuperação de campanhas vacinais e prevenção a enfarte, acidente vascular cerebral e câncer são pontos apresentados como "missões" pelo documento.

A criação do Ministério da Segurança Pública é a primeira proposta apresentada para o tema. O plano prevê integração das polícias, trabalho conjunto do governo federal com governadores e também a criação de um órgão de combate ao "terrorismo doméstico". Assim como Flávio Bolsonaro (PL), o candidato do PSD fala em "asfixiar financeiramente" o crime organizado, no combate às facções. Para combater a corrupção, Caiado propõe instituir um sistema destinado a investigar fraudes ao erário público.

Sobre infraestrutura, Caiado fala em elevar os gastos no setor de 2% para 4% do Produto Interno Bruto (PIB), com protagonismo da iniciativa privada. No setor energético e de combustíveis, o programa fala em usar as matrizes petrolífera e renovável para aproveitar a posição brasileira, que o documento classifica como "dupla potência".

Augusto Cury (Avante)

Propostas com foco em saúde emocional e inclusão

Augusto Cury registrou na Justiça Eleitoral um programa de governo com 200 páginas, separado em 18 projetos para o Brasil. O psiquiatra e escritor apresenta propostas com foco em saúde emocional, inclusão e empreendedorismo.

O programa do candidato fala em implementar escolas em tempo integral como prioridade para a educação. Temas como saúde mental, bullying e violência contra professores são abordados pelo documento, que se assemelha a um livro. No campo da saúde mental, Cury fala na criação de políticas de Estado que visam cuidados com jovens e adultos neurodivergentes - pacientes do espectro autista, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), disléxicos ou que apresentam altas habilidades.

O documento registrado pelo Avante ainda fala em fazer do Brasil um país de empreendedores como maneira de combater o desemprego. Propõe a criação de escolas de empreendedorismo. Outra proposta econômica é o chamado "banco do empreendedor" para oferecer crédito a pequenos negócios e para startups.

O programa também aborda a polarização política atual. "A primeira ferramenta para atravessar a polarização é o DCD: duvidar, criticar e determinar. Duvidar das narrativas automáticas; Criticar os pensamentos radicais; Determinar ser livre para pensar antes de reagir", diz um trecho do programa que foi apresentado.

Romeu Zema (Novo)

'Choque fiscal' e PPPs para o saneamento básico

As propostas de um eventual governo de Romeu Zema estão dispostas em 81 páginas e divididas em 20 tópicos ao longo do documento. Os principais pontos tratam de desenvolvimento econômico; infraestrutura e saneamento; saúde; e desenvolvimento social.

O candidato do Novo ainda traz propostas de reforma do Poder Judiciário, cuja atuação "extrapola suas atribuições constitucionais", segundo o programa registrado no TSE. O ex-governador de Minas fala em valorizar o trabalho e o empreendedorismo para modificar o sistema econômico brasileiro. Seu plano de governo propõe um "choque fiscal" para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB e, assim, reduzir os juros no País. Zema também defende um corte de impostos.

O eixo que trata de infraestrutura no plano de governo do candidato fala em priorizar a participação da iniciativa privada no País e defende inserir as decisões de mobilidade urbana no Ministério da Infraestrutura. O programa fala ainda em acelerar a universalização do saneamento básico por meio de parcerias público-privadas, as chamadas PPPs.

Para a saúde, Zema fala em modernizar o SUS por meio de tecnologia e inteligência artificial, além de defender uma gestão regionalizada da saúde pública. O ex-governador também propõe integrar os sistemas público e privado para que os pacientes possam contar com prontuário unificado.

Renan Santos (Missão)

Punições severas para o crime no 'Livro Amarelo'

As principais propostas do chamado Livro Amarelo, apresentado pelo partido Missão, tratam de segurança pública; de um pacto federativo; e de medidas de austeridade econômica. O plano de Renan Santos, de 51 páginas, ainda prevê reformas de natureza fiscal e administrativa, às quais estariam condicionados os investimentos estatais em infraestrutura.

O programa de governo vê a violência urbana como problema que aproxima o Brasil de se tornar um "narcoestado". O diagnóstico de Renam é que o País está dominado por facções criminosas que atuam como governos paralelos.

O documento fala, então, na aplicação de uma doutrina jurídica conhecida como "direito penal do inimigo" e prevê punições severas a criminosos, resumida no slogan de campanha: "Prendeu, matou".

Sobre o pacto federativo, o candidato do Missão é crítico ao modelo atual de arrecadação e repasse de impostos de Estados e municípios em direção à União.

O documento ainda sugere a fusão de cidades que não se sustentam financeiramente para provocar uma redução de até 70% no número de municípios brasileiros. No contexto de reformas e medidas de austeridade, o acesso dos partidos políticos aos recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral, segundo o Livro Amarelo, ficariam condicionados ao cumprimento de metas em áreas como saúde, educação e também o saneamento básico.