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Dino pode afastar Kassio Nunes de relatorias no TSE

Ministro do STF analisa pedido para remover presidente e vice do TSE da análise de ações sobre propaganda eleitoral

Por Estado de Minas

Ministro Flávio Dino (STF) analisa possibilidade de afastar colegas do TSE da relatoria de ações sobre propaganda eleitoral

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia a possibilidade de afastar Kassio Nunes Marques e André Mendonça da relatoria de ações sobre propaganda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida poderia abrir um novo capítulo na crise entre as cortes.

O fundamento para a decisão seria um suposto represamento de decisões individuais no TSE, que não estariam sendo submetidas a referendo do colegiado, além de uma concentração de poder no presidente e vice-presidente da corte eleitoral.

O ministro Gilmar Mendes disse a Kassio que o presidente do TSE estava "se investindo no papel de imperador" ao designar a si e a Mendonça como juízes da propaganda, função que costuma ser de ministros substitutos. A fala ocorreu na sala de lanches do Supremo, revela o jornal “Folha de S.Paulo”.

A análise de Dino ocorre no âmbito de um pedido feito pelo deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade. Ele alega que o acúmulo de funções por Kassio e Mendonça gerou demora na apreciação de casos urgentes e congestionamento no tribunal.

O TSE informou que há cem representações aguardando referendo do plenário e que devem ser julgadas até nesta sexta-feira (2). Em nota, o tribunal afirmou que "não há processos sobre propaganda eleitoral de candidatos à Presidência parados" e que já analisou cerca de 210 representações, contra 77 no mesmo período de 2022.

Após a divulgação da reportagem pela “Folha de S.Paulo”, Kassio rebateu as alegações em sessão plenária, afirmando que a corte tem agido de forma célere e enfrenta um "volume muito expressivo de demandas".

“Os números demonstram o esforço e o comprometimento de todos para dar respostas rápidas a questões urgentes e, ao mesmo tempo, assegurar a apreciação colegiada desta corte", disse, destacando que o TSE tem "enfrentado um volume muito expressivo de demandas”, afirmou Kassio.

Pouco depois, Dino divulgou uma decisão apontando que o TSE possuía "mais de uma centena de decisões monocráticas não apreciadas".

A tensão aumentou com o caso envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Mendonça ordenou a remoção de notícias falsas sobre Flávio Bolsonaro (PL), mas Kassio teria ignorado recomendações de pautar o referendo da decisão em 24 horas.

Dino derrubou a ordem de Mendonça, mas o ministro Luiz Fux desautorizou Dino e restabeleceu a decisão original. Magistrados próximos a Dino avaliam que Kassio usou a situação para insuflar o presidente do STF, Edson Fachin, contra uma suposta interferência na corte eleitoral.

Um ministro aponta que o próprio Mendonça e Dias Toffoli já derrubaram decisões do TSE em outras ocasiões, mas Kassio só acionou Fachin após a medida de Dino. Com a pressão, Kassio levou o caso de Nossa Senhora ao plenário virtual do TSE, e Fachin desistiu de pautá-lo no Supremo.

Interlocutores de Dino afirmam que ele ainda analisa o requerimento do deputado e pode solicitar ao TSE informações oficiais sobre as decisões pendentes. Kassio nega a pessoas próximas que haja congestionamento de processos.

O ministro disse a um integrante de sua equipe que um eventual afastamento seria a prova de que Dino é um "agente do caos", o que poderia intensificar uma mobilização social contra o STF.