Lula lidera em 10 estados e Flávio Bolsonaro em 9 na disputa presidencial
Lula lidera em dez estados e Flávio em nove mais o DF; no Sudeste, disputa segue empatada dentro da margem de erro, segundo pesquisas Datafolha e Genial/Quaest
O mapa da corrida presidencial de 2026 mostra uma divisão regional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Levantamento feito pela Folha de S. Paulo, considerando pesquisas do Datafolha e da Quaest realizadas nas 27 unidades da Federação ao longo das últimas três semanas, colocam o petista na liderança em dez estados, enquanto Flávio aparece à frente em outros nove e no Distrito Federal.
A vantagem de um sobre o outro, porém, nem sempre é suficiente para configurar uma liderança isolada. Em seis estados, os dois estão tecnicamente empatados. Goiás foge dessa dinâmica: Ronaldo Caiado (PSD), que governou o estado por dois mandatos, entre 2019 e 2026, ocupa numericamente a primeira posição, mas também está em empate técnico com Flávio.
A análise considera os cenários pesquisados sem Pablo Marçal (PRTB), que teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar das diferenças locais, os resultados revelam uma divisão geográfica que, em parte, se aproxima daquela observada nas últimas eleições presidenciais entre o PT e Jair Bolsonaro (PL). Lula concentra sua força no Nordeste, onde lidera nos nove estados, e também aparece à frente no Pará, o mais populoso da região Norte. Flávio, por outro lado, obtém vantagem principalmente no Sul e em boa parte do Centro-Oeste.
Nordeste concentra maiores vantagens de Lula
É no Nordeste que Lula abre suas maiores distâncias sobre Flávio. O caso mais expressivo é o Piauí: o presidente alcança 60% das intenções de voto, enquanto o senador registra 19%. No Maranhão, a diferença também é ampla, com 58% para o petista e 20% para o adversário.
Mesmo com a liderança em todos os estados da região, o desempenho de Lula varia. Alagoas apresenta o menor percentual do presidente no Nordeste, com 44%. Bahia e Paraíba vêm em seguida, ambas com 50%.
A Bahia ocupa posição relevante nesse quadro por ser o quarto maior colégio eleitoral brasileiro. Em 2022, Lula terminou a disputa presidencial no estado com uma vantagem de 4 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro.
Fora do Nordeste, os maiores percentuais passam a ser de Flávio. O senador chega a 52% em Roraima, seu melhor resultado entre os estados, e marca 45% tanto em Santa Catarina quanto em Rondônia.
DF está entre unidades com menor concentração em Lula e Flávio
No Distrito Federal, Flávio aparece à frente na corrida presidencial, mas a capital também integra o grupo de unidades da Federação em que as intenções de voto estão menos concentradas nos dois principais candidatos. Depois de Goiás e São Paulo, DF, Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso do Sul aparecem entre os locais onde outras candidaturas encontram maior espaço.
A situação é diferente em Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte, onde os demais concorrentes registram seus menores desempenhos diante da concentração das intenções de voto em Lula e Flávio.
O Centro-Oeste também abriga a principal exceção à polarização observada no país. Em Goiás, Caiado registra 28%, diante de 27% de Flávio e 20% de Lula, segundo a Quaest. Embora esteja numericamente à frente, o ex-governador goiano aparece tecnicamente empatado com o senador.
A presença de Caiado distribui as intenções de voto entre três candidaturas competitivas e faz de Goiás o caso mais distante de uma disputa concentrada em Lula e Flávio.
Sudeste tem diferenças dentro da margem de erro
Nos três maiores colégios eleitorais do Sudeste, nenhum dos dois principais candidatos consegue estabelecer uma vantagem ampla. Em São Paulo, Flávio aparece numericamente à frente, com 35%, contra 33% de Lula. A diferença, no entanto, está dentro da margem de erro.
O mesmo ocorre no Rio de Janeiro. O senador registra 39%, enquanto o presidente soma 35%, resultado que também configura empate técnico.
Em Minas Gerais, a ordem se inverte. Lula marca 37% e Flávio, 35%, novamente sem distância suficiente para afastar o empate técnico. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado deu ao petista uma vitória por margem mínima na eleição presidencial de 2022.
A disputa mineira também chama atenção pelo desempenho de Romeu Zema (Novo). O ex-governador, que tinha 10% das intenções de voto, caiu para 5% na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na sexta-feira (11). No mesmo levantamento, Flávio avançou de 31% para 35%, enquanto Lula permaneceu em 37%.
O cenário contrasta com aquele encontrado por Caiado em Goiás. Enquanto o goiano disputa as primeiras posições em seu estado, Zema perdeu espaço em Minas. Na corrida estadual mineira, o governador Mateus Simões (PSD), aliado do ex-governador, aparece numericamente na quarta posição.
São Paulo também se diferencia pela presença dos demais candidatos. Excluídos Lula e Flávio, os outros nomes somam 28% das intenções de voto. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, enquanto Renan Santos (Missão) registra 6%. Apenas Goiás apresenta uma disputa ainda menos concentrada nos dois principais concorrentes.
- Datafolha aponta Lula com 39% dos votos totais e Flávio, 35%, em empate técnico no 1º turno
- Datafolha traz 1º turno com Lula 38%; Flávio, 33%; Cury, 8%; Caiado 4%
- Quaest testa 5 cenários de 2º turno; apenas Zema perde para Lula fora da margem de erro
- Quaest: Flávio lidera 2º turno pela primeira vez com 42%; Lula registra 40%
Norte se divide entre os dois candidatos
Os sete estados do Norte se distribuem entre Lula e Flávio sem que um dos candidatos domine toda a região. O presidente lidera isoladamente no Pará e aparece numericamente à frente no Amazonas, Tocantins e Amapá.
Flávio, por sua vez, ocupa a primeira posição em Rondônia, Acre e Roraima. É justamente em Roraima que o senador alcança seu maior percentual no país, com 52%. Rondônia também está entre seus melhores desempenhos, com 45%.
Flávio lidera nos três estados do Sul
O Sul é a única região em que Flávio aparece na primeira colocação em todos os estados. Santa Catarina se destaca com 45% das intenções de voto, o segundo maior percentual do senador entre as unidades da Federação.
No Rio Grande do Sul, a distância é menor. Flávio registra 34%, contra 28% de Lula, uma vantagem situada no limite da margem de erro. Ainda assim, nesse caso, os institutos consideram improvável um cenário de empate.
Confira matéria no Correio Braziliense.