Marcha para Jesus vira espaço para distribuição de materiais eleitorais da direita no Recife
Evento reúne milhares de fiéis em Boa Viagem e é aproveitado por candidatos e apoiadores para distribuir santinhos, adesivos e panfletos
A 28ª edição da Marcha para Jesus, realizada neste sábado (5), no Recife, ganhou também contornos eleitorais com a presença de apoiadores e grupos ligados a candidaturas de direita que disputam as eleições de 2026 em Pernambuco. Ao longo da concentração e do percurso em Boa Viagem, pessoas distribuíram santinhos, adesivos e panfletos de candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador.
Entre os nomes que aparecem nos materiais distribuídos estão Clarissa Tércio (PP), candidata à reeleição para deputada federal; Júnior Tércio (PP), candidato a deputado estadual; Mendonça Filho (PL), candidato ao Senado; Gilson Machado (Podemos), candidato a deputado federal; Gilson Machado Filho (Podemos), candidato a deputado estadual; Anderson Ferreira (PL), candidato a deputado federal; André Ferreira (PL), candidato a deputado estadual; Polly do Amor (Podemos), candidata a deputada federal; e Miguel Coelho (UB), candidato a deputado federal.
Os candidatos ao Governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) não marcaram presença.
A movimentação transformou o evento religioso em um espaço de aproximação de candidatos com um público considerado estratégico para a direita pernambucana, uma vez que a maioria dos presentes no evento são evangélicos.
Além do material com nomes e imagens de candidatos, também foram distribuídos panfletos de conteúdo político e ideológico com críticas à esquerda e ao comunismo. A circulação dessas mensagens deixa mais forte, ao longo da Marcha, a associação entre a mobilização religiosa e pautas defendidas por setores conservadores do espectro político.
No entanto, a Marcha para Jesus mantém oficialmente o caráter religioso e a organização apresenta o evento como uma celebração pública de fé, com participação de diferentes denominações cristãs, música, oração e adoração. A concentração ocorreu na Avenida Boa Viagem, com percurso até o Parque Dona Lindu.
O movimento também aponta a disputa da direita por espaços de visibilidade junto ao eleitorado cristão, principalmente em uma eleição na qual o campo conservador busca fortalecer sua presença em Pernambuco.
Panfleto prega alerta ao comunismo
Além dos materiais com nomes de candidatos, um dos panfletos distribuídos durante a Marcha para Jesus traz o título “Manual Cristão de Alerta ao Comunismo” e apresenta uma série de argumentos de caráter político e religioso contra a ideologia comunista.
Logo na introdução, o material define o comunismo como uma ideologia política e econômica criada por Karl Marx e Friedrich Engels e afirma que sua proposta seria acabar com a propriedade privada e estabelecer uma sociedade baseada na igualdade. O texto sustenta, ainda, que o comunismo negaria a fé em Deus, colocaria o Estado no centro da vida humana e substituiria a moral cristã por uma “moral política e materialista”.
O panfleto também associa experiências históricas de regimes comunistas à perseguição de cristãos, fechamento de igrejas e destruição de valores familiares. A partir dessa argumentação, classifica o comunismo como uma ideologia “anticristã” que buscaria retirar Deus da sociedade.
Na segunda parte, intitulada “Refutação Bíblica ao Comunismo”, o material utiliza passagens da Bíblia para sustentar argumentos contrários à ideologia. Entre os temas abordados estão a soberania de Deus, a defesa da propriedade privada, o trabalho como responsabilidade individual, a importância da família e a liberdade religiosa.
O conteúdo é organizado em dez questões, apresentadas como pontos de contraposição entre princípios cristãos e ideias atribuídas ao comunismo. O texto questiona, por exemplo, a existência de Deus, a relação entre religião e política, a propriedade privada, a distribuição de renda, o papel do trabalho, a estrutura familiar, a educação, a ideia de justiça social e a chamada luta de classes.
Em um dos trechos, o panfleto afirma que o comunismo defenderia que todos recebessem o mesmo independentemente do esforço individual. Em outro, sustenta que a ideologia representaria uma ameaça à família tradicional por considerar a estrutura familiar um obstáculo ao domínio do Estado.