João Campos aposta em agendas nos comitês de aliados para ampliar presença eleitoral em Pernambuco
Primeiras semanas da agenda do candidato socialista foram preenchidas por inaugurações de comitês e lançamentos de candidaturas na capital e no interior do estado
A largada oficial da corrida eleitoral deu a tônica do que seriam as primeiras semanas de campanha de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco: a presença recorrente junto às candidaturas proporcionais. Logo no dia 16 de agosto, data em que a campanha formal foi iniciada no pleito atual, o socialista encerrou a sua agenda com a inauguração do comitê do deputado federal e candidato à reeleição Carlos Veras (PT) no bairro da Soledade, região central do Recife.
Desde então, o roteiro conta com presença frequente em lançamentos de candidaturas e inaugurações de comitês, seja na Região Metropolitana do Recife ou em cidades do interior do estado. Na avaliação de João, as atividades se justificam pelo tamanho da coligação formada para a disputa do Executivo estadual. No pleito deste ano, a Frente Popular de Pernambuco conta com PSB, MDB, PDT, Republicanos, PT, PC do B, PV, PRD, Solidariedade e Democracia Cristã.
“A gente tem uma frente ampla, a maior frente política desta eleição, com o maior número de partidos. Então são muitas candidaturas que fazem parte da nossa aliança e a gente está presente na inauguração dos comitês, na agenda com setores específicos. Estamos dialogando com cada candidatura, com cada categoria, porque a nossa frente é uma frente que representa o estado”, argumenta.
Até o momento, mais de 20 candidaturas receberam algum gesto de apoio do líder do PSB. Além de Veras, foram contemplados na agenda Felipe Carreras (PSB), Gabriel Porto (PSB), Bergue Júnior (MDB), Liana Cirne (PT), Charlles de Tiringa (PSB), Kelly Alencar (Podemos) e Rinaldo Júnior (PSB), que buscam uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na disputa estadual pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o ex-prefeito do Recife prestigiou atividades de Aderaldo Pinto (PSB), Cayo Albino (PSB), Flávio Gadelha Filho (MDB), Ivete Caetano (PT), Vinícius Castello (PCdoB), Romerinho Jatobá (PSB), Álvaro Porto (MDB), Dani Portela (PT), Eugênia Lima (PT), Maria Arraes (PSB), Rodrigo Farias (PSB), Fabrizio Ferraz (Podemos) e Júnior Matuto (Republicanos).
Para o cientista político Bhreno Vieira, o movimento de associação a nomes proporcionais tem como principal trunfo atuar como uma “porta de entrada” na consciência do eleitorado. “O eleitor muitas vezes não chega a fazer uma pesquisa aprofundada sobre o que o candidato fez ou deixou de fazer, até mesmo por conta da rotina com trabalho, filhos e outras preocupações”, aponta.
“Nesse momento eleitoral, muito perto de decidir em quem votar, ele precisa ter um atalho cognitivo para fazer com que ele confie e se transforme em voto. Muitas vezes esse atalho está na figura de um cabo eleitoral que está nas eleições proporcionais”, explica Vieira.
Expansão para outras regiões
No caso de João Campos, a estratégia ganha maior centralidade em razão da necessidade da campanha de ampliar a imagem do ex-prefeito para além dos feitos à frente da gestão da capital pernambucana. Além disso, o socialista precisa transpor a “vantagem do incumbente” da governadora Raquel Lyra (PSD), termo utilizado na ciência política para definir o benefício do político que se candidata ao mesmo cargo que já ocupa.
“Muitos dos benefícios que João está trazendo são localizados [no Recife], diferente do que Raquel apontou ao longo do estado, como um conserto de uma rodovia. Nesse cenário, ele tem essa dificuldade de se localizar geograficamente e manter uma base ampla ao longo do estado”, diz Bhreno.
Para a reta final, a um mês do primeiro turno, a tendência é de que as agendas conjuntas se acentuem. “Na disputa por território cada um vai montando suas peças, suas militâncias, os seus cabos eleitorais. Então a gente vai ver uma intensificação muito forte de viagens ao interior, lançamentos de comitês, comícios, caminhada, carreatas. Isso vai ser uma tendência que veremos nesses últimos dias”, projeta Vieira.