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Vorcaro sobre diretor-geral da PF: "Viajou para eventos comigo, teve relação pretérita"

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou depoimento a juiz auxiliar do gabinete do ministro do STF, André Mendonça

Por Cynthia Morato

Vorcaro foi preso no dia 4 de março

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu em depoimento ao juiz auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que possuía relações sociais e de eventos com o Diretor-Geral da PF, Andrei Rodrigues. Vorcaro ainda sustentou que se tivesse conseguido fechar o acordo de delação, Rodrigues seria mencionado.

“Um diretor-geral com quem eu tinha uma relação, que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco. (...) O próprio diretor-geral, o Andrei (Rodrigues), que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente. E aí, depois, os delegados que estão fazendo a colaboração, que estão escutando o que eu tenho para falar, não quiseram escutar, não quiseram fazer”, afirmou o banqueiro.

Segundo Vorcaro, não poder fazer a delação “é a maior prova de que existe um sistema que resistiu a minha fala”. “Não estou acusando a Polícia Federal. Eu só acho que, pela sensibilidade dos fatos, pelas pessoas que estão envolvidas, pelos interesses políticos, pelas relações do sistema e da política atual que estão envolvidas nesse caso, no modelo tradicional, no modelo atual, as pessoas envolvidas, não vai ser possível fazer a colaboração”, disse.

Ainda durante o depoimento, o banqueiro denunciou maus-tratos, além de relatar que a família foi ameaçada e que sua mãe e irmã corriam perigo. O cunhado do empresário, Fabiano Campos Zettel, também está preso pelo envolvimento no Caso Master. Ainda de acordo com o Vorcaro, a família está “destruída”.

“Minha mãe está em casa com a minha irmã, que está sozinha, porque não existe um homem, todos estão presos. Receberam inúmeras ameaças de morte e falaram que eu seria morto. Tem e-mails, inclusive, depois a gente pode entregar e-mails de morte, ameaçando morte”, relatou.

Vorcaro ainda afirmou que as ameaças foram todas anônimas. O banqueiro, porém, não especificou ao juiz se teria como comprovar a existência desses e-mails.

A declaração de Vorcaro foi feita para o juiz João Azambuja, no último dia 27 de agosto na Papudinha, em Brasília, onde o banqueiro está preso. A íntegra do depoimento foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela colunista Manoela Alcântara, no portal Metrópoles.