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João Campos diz ter conversado com Alckmin sobre impactos do fim da 'taxa das blusinhas'

Candidato ao Governo de Pernambuco defende medidas de proteção ao Polo de Confecções e afirma que é preciso conciliar benefício aos consumidores com apoio à produção local

Por Adelmo Lucena e Amauri Lins

Candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB)

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou, nesta sexta-feira (4), que conversou com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), sobre os possíveis impactos do fim da chamada 'taxa das blusinhas' para o Polo de Confecções do Agreste.

A declaração foi dada após o Congresso Nacional aprovar a medida que zera o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. O texto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

João Campos afirmou que considera necessário avaliar os efeitos da mudança sobre setores produtivos brasileiros e destacou o Polo de Confecções pernmabucano como uma das áreas que precisam receber atenção. Segundo ele, a preocupação já foi apresentada a Alckmin e deverá voltar a ser discutida.

“Eu acho que essa medida tem pontos positivos para o Brasil, mas é preciso ter cuidado com as externalidades negativas. E um desses pontos que precisam ser cuidados é o nosso Polo de Confecções do Agreste. Inclusive, eu reforcei isso ao vice-presidente Geraldo Alckmin e vou reforçar novamente com ele. É preciso chegar junto do Polo de Confecções para ajudar.”

Entre as medidas que, segundo o candidato, poderiam ser adotadas estão a oferta de linhas de crédito, benefícios fiscais e modelos de financiamento voltados à produção. João também citou a necessidade de garantir condições para que o setor pernambucano não seja prejudicado pelo custo de matérias-primas importadas utilizadas na fabricação local.

“Linhas de crédito, benefícios fiscais, modelos de financiamento da produção e garantir que não haverá uma taxação sobre o tecido que vem de fora para ser confeccionado lá. Isso é uma coisa que eu ajudei a cuidar junto com o vice-presidente Alckmin, para a gente proteger o nosso Polo de Confecções.”

Apoio ao consumidor

A aprovação do fim da “taxa das blusinhas” extingue a cobrança de 20% sobre remessas internacionais de até US$ 50. A regra anterior havia sido adotada em 2024 e era defendida como uma forma de equilibrar a concorrência entre produtos importados e a produção nacional.

Com a mudança aprovada, as compras de até US$ 50 ficam sem o imposto federal de importação, embora continuem sujeitas ao ICMS. Para remessas de até US$ 3 mil, o texto também prevê a possibilidade de alíquota de até 30%.

João Campos evitou se posicionar de forma contrária à medida e reconheceu o impacto que a redução da tributação pode representar para os consumidores. Ao mesmo tempo, defendeu que o governo adote mecanismos para evitar que a mudança prejudique a cadeia produtiva do Agreste.

“Cuidar do Polo de Confecções para que ele não seja atingido por isso, mas entender também que, para milhões de pessoas no Brasil, essa medida que o presidente Lula tomou foi importante. A gente precisa cuidar da nossa gente e cuidar do Polo de Confecções. Então, inclusive, eu vou reforçar isso ao vice-presidente Alckmin.”

O candidato afirmou, portanto, que sua posição tem como objetivo preservar o benefício da medida para os consumidores e, paralelamente, criar condições para que o Polo de Confecções tenha acesso a crédito, financiamento e incentivos capazes de reduzir eventuais impactos sobre a produção local.