Em nova proposta para educação, João Campos promete 10 mil vagas de formação superior
Candidato afirmou que pretende ampliar ensino técnico e profissionalizante, investir em tecnologia e segunda língua e usar experiência do Embarque Digital como modelo para o estado
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) prometeu, durante sabatina realizada nesta quarta-feira (2) pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), criar 10 mil vagas de formação de nível superior em quatro anos.
A proposta faz parte de uma agenda apresentada pelo candidato para ampliar a qualificação profissional, fortalecer a educação técnica e preparar o Estado para os efeitos da reforma tributária e para a disputa por investimentos com outras unidades da região Nordeste.
João afirmou que pretende construir a política de formação em diálogo com os arranjos produtivos e aumentar a participação de mulheres e pessoas pretas nos cursos de tecnologia. Como exemplo, citou o Embarque Digital, programa implantado durante sua gestão na Prefeitura do Recife.
“A média de participação feminina nos cursos de TI é de 15%. No Embarque Digital [programa em parceria com o Porto Digital], a gente tem mais de 35% de mulheres, e a participação de pessoas pretas é de mais de 50%.”
A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia de aumento da competitividade de Pernambuco. Para o candidato, a reforma tributária vai simplificar o sistema e reduzir distorções, além de criar uma nova disputa entre os estados pela atração de empresas e investimentos.
Reforma tributária e disputa regional
O candidato avaliou que Pernambuco precisará aproveitar a janela de transição da reforma tributária, especialmente entre 2029 e 2033, para se posicionar diante dos demais estados.
“O desafio, eu enxergo que ele é muito maior para o próprio setor de serviços, mas a gente tem um novo eixo de desafio pela frente, que é garantir a competitividade regional. E a gente vai ter um desafio grande com a própria Zona Franca de Manaus, que passa a ser uma competidora muito maior do Nordeste brasileiro.”
João defendeu que o estado tenha um governo “multifuncional” para aproveitar o período de transição e afirmou que Pernambuco precisará disputar investimentos diretamente com Bahia, Ceará, Alagoas, Paraíba, Maranhão e Piauí.
Na avaliação do candidato, a infraestrutura será um dos principais fatores para determinar quais estados conseguirão aproveitar as mudanças trazidas pela reforma. Ele defendeu a utilização do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) em conjunto com o setor produtivo e prometeu uma carteira de projetos estruturantes.
Transnordestina como prioridade
Entre os projetos citados por João está a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina. O candidato criticou o atual modelo de execução da ferrovia e defendeu que Pernambuco tenha maior participação na definição do formato de concessão.
Segundo ele, há uma diferença de tratamento entre os modelos adotados para os trechos de Pernambuco e do Ceará. Para João Campos, a solução passa por uma articulação política que permita a participação privada e a integração entre os governos envolvidos.
“O modelo está desenhado hoje e Pernambuco não vai conseguir ter uma abertura. A própria decisão do TCU já mostra o interesse de alguns em combater o trecho de Pernambuco, questionando a viabilidade técnica, econômica e social. Isso é completamente equivocado”, afirmou
“De um lado, tem o Ceará, com uma concessão feita a um operador privado da ferrovia, com fontes de financiamento que passam pelo acesso a crédito subsidiado do Fundo Constitucional do Nordeste e pelo Orçamento Geral da União. Do outro lado, tem o trecho de Pernambuco, que também só está no sonho de ter obra porque o presidente Lula mandou que fosse tocado exclusivamente pela Infra, uma empresa pública federal”, complementou o candidato.
Ele defendeu que o projeto deixe de ser tratado apenas como uma obra federal e seja encarado como uma prioridade de Pernambuco.
“Essa é a obra do estado de Pernambuco. É por isso que a gente tem que chamar a responsabilidade para fazer com que a obra comece a ser dos três, para viabilizar a concessão. A gente precisa mudar logo a concessão para criar uma concorrência privada entre os dois, entre os três. Isso é decisivo. E, se não utilizar de força política para resolver isso, não vai ser resolvido.”
Para João, a ferrovia também pode funcionar como indutora de novas cadeias produtivas, especialmente na Mata Sul e no Agreste, além de fortalecer a logística de combustíveis e outros produtos. O candidato ainda citou o potencial logístico de Salgueiro e defendeu a criação de estruturas capazes de distribuir combustíveis e integrar diferentes regiões do Estado.
Ao longo da sabatina, João voltou a defender a necessidade de Pernambuco formar um grande portfólio de projetos para captar recursos e transformar financiamentos em obras estruturantes. O candidato alertou para o risco de o estado aumentar o endividamento sem conseguir converter os recursos em crescimento econômico.
Pacto antifacção
Na segurança pública, João defendeu a criação de um pacto antifacção e afirmou que o estado precisa combinar repressão qualificada, prevenção e inteligência financeira para combater o crime organizado.
O candidato também propôs ampliar a participação da Secretaria da Fazenda no programa de segurança, com o objetivo de rastrear recursos provenientes de atividades criminosas e impedir que empresas sejam utilizadas para movimentar dinheiro do crime.
“O Comando Vermelho não pode estar tomando conta de territórios em Pernambuco. Isso é uma realidade. É preciso lançar um grande pacto antifacção, em que a gente cuide dos territórios, onde a população não pague essa conta e onde a gente tenha a capacidade não só de fazer o enfrentamento qualificado no território, com prevenção e ações de fortalecimento da polícia, com papel comunitário, mas que a gente também tenha capacidade de garantir que Pernambuco é uma área onde não se tolera crime organizado.”
João também anunciou a criação da ação “De Olho na Estrada”, voltada ao monitoramento das divisas estaduais, com videomonitoramento, fiscalização e integração entre diferentes instituições. O candidato afirmou ainda que pretende adotar uma política de segurança sem orientação ideológica.
Ensino técnico
A educação técnica também foi colocada como prioridade e João prometeu duplicar a rede de ensino técnico estadual. Ele criticou a redução das matrículas na modalidade.
“Quando a gente fala da educação técnica, é claro que vai ter competitividade. Não se aumentou uma única escola técnica nesse período e, ao mesmo tempo, reduziu as matrículas existentes das escolas técnicas. Então, como é que Pernambuco vai ganhar competitividade com isso? A gente era o segundo do Nordeste e hoje é o penúltimo do em ensino médio técnico integrado. A gente vai duplicar a rede de ensino técnico do nosso estado.”
Além das escolas técnicas, o candidato defendeu o ensino de tecnologia e de uma segunda língua na rede regular de ensino. “A gente fez, na cidade do Recife, o primeiro programa de intercâmbio de uma cidade, e a gente vai incrementar a segunda língua e o ensino de tecnologia também na rede regular de ensino.”