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Raquel Lyra rejeita rótulo de bolsonarista e diz que foco é "Pernambuco"

Governadora criticou postura da gestão estadual anterior em relação ao diálogo com o Governo Federal, alegando que o estado de Pernambuco saiu perdendo

Por Adelmo Lucena

Raquel Lyra em sabatina do Diario de Pernambuco

A governadora Raquel Lyra (PSD) reagiu, durante a sabatina do Diario de Pernambuco nesta quarta-feira (26), às associações de sua imagem ao bolsonarismo nas redes sociais. Sem declarar apoio explícito a nenhum candidato à Presidência da República em 2026, Raquel afirmou que é alvo de tentativas de enquadramento político e disse se considerar uma política voltada aos interesses de Pernambuco. “Eu sou pernambuquista. Vão querer me rotular.”

A posição de neutralidade de Raquel na eleição presidencial não é nova. Em 2022, quando disputava o Governo de Pernambuco no segundo turno contra Marília Arraes, então pelo Solidariedade, ela também não declarou voto nem para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem para Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, Raquel afirmou que sua decisão era manter uma posição de independência e chegou a dizer que não faria campanha para nenhum dos dois candidatos.

A postura voltou a ser adotada neste ano e, na sabatina desta quarta, ela criticou o que chamou de tentativa permanente de rotulá-la politicamente. Segundo ela, a classificação não corresponde à forma como conduz sua relação com o governo federal.

Relação com Lula

Ao defender a postura adotada na eleição presidencial, Raquel destacou a relação administrativa construída com o governo Lula. “Diziam que eu não ia conseguir construir pontes com o governo federal, e os investimentos estavam acontecendo em Pernambuco.”

Raquel também afirmou que teve encontros com Lula e atribuiu à relação institucional a retomada de obras e a realização de investimentos no estado. Entre os exemplos citados, mencionou a entrega de 26 mil unidades habitacionais, a retomada da obra do Canal dos Sertões e projetos relacionados ao Minha Casa, Minha Vida.

“O presidente Lula me recebeu desde a primeira vez. Eu fui mais de 100 vezes a Brasília para falar com ele, levar projeto, buscar resgatar a credibilidade do governo do Estado com o governo federal.”

A governadora também fez uma comparação com a relação mantida entre o governo estadual anterior e os presidentes da República que passaram pelo Palácio do Planalto. “O governo [estadual] anterior brigou com três presidentes da República: com Dilma, brigou com Temer, brigou com o Bolsonaro. Quem perdeu? Pernambuco.”

Na sabatina, Raquel ainda afirmou que prefere que sua atuação seja avaliada pela relação construída com diferentes governos e pelas entregas feitas no estado, em vez de ser enquadrada em um dos polos da disputa nacional.

A governadora encerrou o argumento frisando que, na avaliação dela, sua capacidade de dialogar com diferentes grupos políticos é necessária para garantir investimentos e obras em Pernambuco.