Presidente do PT Recife, Osmar Ricardo confirma licença para apoiar Raquel Lyra nas eleições
"Vou me licenciar porque acho que é uma questão política importante para poder fazer a campanha da governadora com tranquilidade", declarou o petista
Antes mesmo do início da convenção estadual da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), nesta segunda-feira (20), no Hotel Jangadeiro, na Zona Sul do Recife, o presidente municipal do PT do Recife, Osmar Ricardo, anunciou que pedirá licença do cargo para fazer campanha pela reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) e endureceu as críticas ao ex-prefeito João Campos (PSB).
"Não dá para se entender mais com o PSB", afirmou Osmar ao garantir que não participaria do ato. O anúncio foi feito durante o ato de registro das candidaturas da federação formada por PT, PCdoB e PV. Segundo Osmar, a licença será formalizada em reunião do diretório municipal marcada para esta terça-feira. O dirigente afirmou que a decisão busca evitar questionamentos internos sobre sua participação na campanha de uma candidata de outro partido.
"Vou me licenciar porque acho que é uma questão política importante para poder fazer a campanha da governadora com tranquilidade", declarou. O dirigente minimizou as ameaças de pedidos de expulsão ou punição por parte de integrantes da legenda. Segundo ele, o PT tem histórico de dirigentes que apoiaram candidatos de outras siglas sem sequer se afastarem dos cargos partidários.
"Não vejo moral em algumas pessoas que estão dizendo que vão pedir expulsão. O PT tem uma história e jurisprudência de outras pessoas que apoiaram candidaturas fora do partido sem pedir licença", explicou.
Osmar justificou que, por ocupar a presidência do diretório municipal da capital, considera necessário o afastamento temporário. "Fui eleito com uma grande maioria dos votos. Não tenho por que não me licenciar".
Críticas ao PSB
Durante a entrevista, o dirigente também fez duras críticas ao PSB e ao pré-candidato João Campos (PSB), afirmando que rompeu politicamente com o grupo após décadas de convivência na Frente Popular de Pernambuco.
"Hoje eu entendo que às vezes a gente fica cego na política. Esse feitiço acabou. É uma nova era agora. A governadora Raquel Lyra vem trabalhando por Pernambuco". Na avaliação de Osmar, já não existe possibilidade de entendimento político entre parte do PT e os socialistas.
Segundo ele, dentro do PT convivem diferentes correntes, algumas alinhadas ao governo João Campos e outras críticas à administração municipal. "Sei o que ele faz com o trabalhador, as perseguições. A gente denuncia isso o tempo todo", disse. "João Campos não respeita as pessoas", declarou ao criticar inclusive as anteriores gestões socialistas na área da saúde, citando os governos de Eduardo Campos e Paulo Câmara. Segundo ele, embora tenham sido construídos hospitais, houve falta de valorização das unidades mais antigas da rede estadual.