"Dizer que o PT tem unidade é balela", admite Teresa Leitão sobre cenário do partido em Pernambuco
Ao Diario, Teresa Leitão salientou as articulações na Casa Legislativa, traçando com prioridade imediata o destravamento da PEC 6x1, a tramitação de outros projetos prioritários, como a PEC da Segurança Pública e o PL das Terras Raras
Em um momento de transição, a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), teceu críticas ao cenário do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco. Em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, a senadora reconheceu a fragmentação da legenda e classificou como "balela" o apontamento de que o PT apresenta unidade no estado. Teresa também salientou as articulações na Casa Legislativa, traçando com prioridade imediata o destravamento da PEC que propõe o fim da jornada de trabalho 6x1, a tramitação de outros projetos prioritários, como a PEC da Segurança Pública e o PL das Terras Raras, em meio ao recesso parlamentar e à proximidade da campanha eleitoral.
O apoio do PT a João Campos fortalece de fato o projeto nacional do presidente Lula em Pernambuco?
Sem sombra de dúvidas. O vídeo que Lula gravou é uma síntese dessa relação. A nossa relação com o PSB teve alguns perrengues. Mas quem não tem perrengue na política? E o que o presidente Lula foca naquele vídeo, em que declarou apoio explícito dele e do partido à pré-candidatura de João Campos, é esse apoio dentro de um projeto nacional. Ele rememorou alianças com Arraes e Eduardo Campos, citou o PSB como o maior aliado do PT na disputa nacional e focou na importância da candidatura de João Campos aqui no estado.
Esse apoio do partido ao ex-prefeito do Recife não é unânime no estado. Temos como exemplo o presidente do PT no Recife, Osmar Ricardo, que se licenciará para dar apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra. Como não deixar que isso atrapalhe a estratégia nacional e sirva como capital político para a oposição?
Isso são as instâncias partidárias que decidimos e elas já foram bem mais duras. Em 2022, por exemplo, com expulsões de prefeito e vereador. Para mim, é desrespeitoso à posição nacional, porque se trata de um dirigente partidário. Ele tem consciência disso. Se a gente tem um candidato que apoia Lula, que vai fazer campanha para Lula, que não tem vergonha de dizer que Lula é o melhor presidente do Brasil, por que a gente vai buscar outra candidatura?
Infelizmente o PT está dividido. Dizer que o PT tem unidade é balela, porque não tem, infelizmente. O PT Pernambuco é um partido importante, é um partido que busca um crescimento e que tem desafios grandes nas eleições para Pernambuco. A reeleição do senador Humberto Costa, por exemplo, e a ampliação da bancada estadual. Ter um protagonismo na chapa majoritária com João, com Marília [Arraes]. Então, um partido que tem todos esses desafios precisa pensar em si como protagonista e quem não tem uma posição firme não promove essa unidade partidária, que é o que o PT mais precisa.
A senadora assume a liderança do governo no Senado em um momento de pressão política, como também eleitoral. Qual será a sua prioridade imediata na articulação com os senadores?
A tarefa que me foi dada foi pública. O presidente Lula expôs as prioridades de governo: o fim da jornada de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e o PL das Terras Raras. Cada uma delas está com um processo de tramitação diferenciado. Eu estou focando no fim da jornada 6x1, porque é o mais adiantado; já tem relatório, já foi aprovado na Câmara [dos Deputados] e estou tentando ver com o presidente Davi Alcolumbre, depois de várias conversas com as centrais sindicais e debates. Os outros dois também são prioridades, mas acho que a gente cuida na semana pós-recesso. Um outro ponto é ter a atenção redobrada para as medidas provisórias, como a do frete dos caminhoneiros e empresas de transportadoras.
Na sua percepção, o governo tem maioria sólida na Casa ou ainda precisará negociar caso a caso para aprovar projetos estratégicos, como a PEC 6X1?
Negociação é um instrumento estratégico muito positivo na política porque leva ao diálogo; ela leva você a considerar as condições divergentes. É a única possibilidade que você tem de construir consensos e deve ser esgotada ao máximo possível. Não havendo negociação, a gente vai para o voto e ganha quem tem mais voto. A nossa maioria no Senado existe, mas não muito ampla. Por isso, às vezes, em um ou outro projeto, a gente tem mais necessidade de diálogo. A PEC 6x1 não tem problema de conteúdo. O Dieese fez um levantamento e apontou que 80% dos senadores concordam com o projeto. Acredito que será uma votação consagradora, só agilizar a tramitação para que seja aprovado antes das eleições.
Eu estou tentando afastar determinados projetos da pauta eleitoral. Esse projeto 6X1 não é uma pauta eleitoral. Ele pode ter impacto na pauta eleitoral, mas tramita ou deveria ter tramitado na Casa dentro do governo Bolsonaro, porque ele foi protocolado em 2019. O governo Bolsonaro foi o que não deu atenção.
A senadora cita a questão do recesso parlamentar e também temos o período de campanha eleitoral, que muda a dinâmica no Senado. Como serão as articulações na Casa, sob esse contexto, para que as prioridades elencadas anteriormente não sejam impactadas?
O Senado ainda não divulgou o calendário. Acredito que o presidente [Alcolumbre] vai fazer isso nessa última semana de trabalho antes do recesso. Normalmente, pelo rito de eleições, a gente vai juntar as semanas chamadas de esforço concentrado, que são as semanas obrigatoriamente de trabalho presencial, com pautas mais robustas e com um número maior de inserções. Então, o Senado deve definir que semanas serão essas no mês de agosto e no mês de setembro e funcionar nos outros dias em regime semipresencial. Além disso, não vão se debater somente projetos de interesse do governo; têm projetos de parlamentares, iniciativas que são mais simples, mas precisam ser despachadas, e projetos com prazos.
O que muda, na prática, com a sua chegada após a saída de Jaques Wagner, em relação ao que vinha sendo feito anteriormente?
É uma substituição. Então, os pontos de atenção de Jaques são os meus, porque são do governo. Eu estou substituindo uma pessoa muito experiente, muito querida na Casa, com um grande poder de articulação, mas que, infelizmente, está em um momento de dificuldade. A tarefa de Jaques hoje é a sua própria defesa e sua reeleição. Eu estou fazendo as coisas de conteúdo do mesmo modo de atenção de relação com o presidente Lula. O conteúdo político da minha atuação como líder do governo é o mesmo [de Jaques Wagner], que é fortalecer o governo do presidente Lula. Ontem, eu tive uma longa reunião com o presidente Lula. Fui levar as principais ações que eu fiz nessas duas semanas, ajustar esse final antes do recesso e como vamos tratar as pautas prioritárias.
Como a senhora avalia a conjuntura política nacional para a reeleição do presidente Lula?
Eu acho um cenário favorável por dois motivos: primeiro, embora o nosso adversário seja muito resiliente, é um adversário fichado totalmente. Ele é fichado naquilo que eles dizem que combatem, mas praticam, que é a corrupção. Então, toda essa arquitetura do Banco Master, do papel de Vorcaro, tudo isso está intimamente ligado à família Bolsonaro e à candidatura da família. Por outro lado, o governo do presidente Lula tem um cardápio de entregas nunca visto na Saúde, na Educação, na estruturação do Estado brasileiro, a reforma tributária, os mecanismos de planejamento para frente. Em todas as áreas, o governo vai ter coisa para mostrar.
A nossa campanha vai ser muito positiva em dois aspectos: ela vai mostrar o que foi feito pelo governo do presidente Lula e ela vai, mais uma vez, mostrar o Brasil que o nosso presidente é um líder internacional. A força política do presidente Lula é inquestionável. A gente tem que ter os cuidados naturais de uma eleição, sobretudo com a intervenção dos Estados Unidos, que é uma força que banca os Bolsonaros, mas, acho que a gente tende a crescer. Lula nunca ficou atrás de Bolsonaro nas eleições e nessa pré-campanha e campanha, vai ter muita coisa boa para mostrar.