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Estudantes franceses retomam onda de protestos contra o governo e anunciam novas greves

Movimento rejeita pacote do Palácio do Eliseu e cobra 10 bilhões de euros em investimentos na educação; manifestações somam mais de 6 mil detidos e alimentam crise do presidente Emmanuel Macron

Por Isabel Alvarez

Movimento rejeita pacote do Palácio do Eliseu e cobra 10 bilhões de euros em investimentos na educação.

O movimento de estudantes franceses anunciou a retomada dos protestos no país e reiterou que não abrirá mão de suas reivindicações na área de educação. A decisão é uma resposta direta às medidas e pacotes de investimento anunciados pelo Palácio do Eliseu, considerados insuficientes pelas lideranças estudantis.

Novas manifestações e uma jornada de greve geral já foram convocadas para os próximos dias. Após duas semanas de férias de outono, os estudantes marcaram dois atos contra as condições do ensino na França para esta semana.

No retorno às aulas, cerca de 48 escolas secundárias foram bloqueadas, número que representa 1% dos estabelecimentos do país. Insatisfeitos com as decisões governamentais, os manifestantes preveem ainda perturbações no funcionamento de cerca de 50 universidades.

Pauta de reivindicações e resposta governamental


As principais reivindicações estudantis envolvem melhorias estruturais na educação, maior financiamento público e mudanças substanciais no sistema de acesso às universidades.

Entre eles, pedem um investimento financeiro com um aporte de 10 bilhões de euros para recuperar escolas, normalizar as condições de estudo e modernizar os prédios; exigem o fim da falta de professores e de substitutos não repostos, além da contratação de mais profissionais de saúde e assistência social nas escolas.

Nos últimos dias, o governo aprovou verbas milionárias para a renovação de edifícios e anunciou outras ações, como a limitação de alunos por turma no primeiro ano do ensino médio em áreas vulneráveis, aumento no valor das bolsas, criação de vagas universitárias e o fim dos cortes previstos para o setor.

O Palácio do Eliseu comprometeu-se também a criar 500 vagas para docentes, contratar professores temporários e substituir gradualmente a plataforma Parcoursup, sistema de admissão ao ensino superior fortemente criticado, até 2028, tornando os critérios mais transparentes.

União de movimentos e impactos econômicos

Iniciados em meados de setembro motivados por salas superlotadas, falta de professores e infraestrutura precária, os protestos ganharam adesão do movimento dos Coletes Amarelos, de sindicatos e de trabalhadores contra os cortes no setor público, a precarização dos serviços e o alto custo de vida.

As mobilizações já provocaram fortes distúrbios econômicos e sociais na França, somando mais de seis mil detenções e inúmeros feridos. Os episódios agravaram a crise política do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, impulsionando nas pesquisas nomes de oposição como a líder de extrema-direita Marine Le Pen e o líder de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon. A onda de insatisfação gerou ainda um efeito dominó na Europa, com marchas e greves na Itália, Alemanha, Portugal, Grécia e Bélgica.

Na capital francesa, os danos causados por depredações e incêndios em mais de 100 escolas e espaços públicos ultrapassaram sete milhões de euros. Cidades como Marselha e Lyon também registraram saques e atos de vandalismo.

A Câmara de Comércio e Indústria estimou uma queda de 60% a 80% no faturamento dos comércios próximos às áreas afetadas nos dias de ato, enquanto o setor hoteleiro contabilizou uma redução de 20% nas reservas durante os períodos de maior tensão.

Críticas à atuação policial e pronunciamento da ONU

As forças de segurança francesas enfrentam duras críticas locais e de especialistas da Organização das Nações Unidas pelo uso desproporcional da força. O governo foi forçado a proibir o uso de granadas de efeito moral após incidentes graves, incluindo o caso de um jovem de 15 anos que teve a mão amputada por um dos artefatos na cidade de Lens e outro que perdeu a visão.

O Alto-Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e especialistas independentes denunciaram o uso excessivo e desnecessário da força pela polícia nos protestos.

Do outro lado, centenas de policiais também ficaram feridos. Em Paris, as autoridades abriram uma investigação por tentativa de homicídio após agentes de segurança serem alvos de coquetéis molotov.