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Greve portuária contra envio de armas para zonas de conflito atinge mais de 100 portos em 20 países

A paralisação atinge importantes centros logísticos e de transporte marítimo

Por Isabel Alvarez

Mais de 25 sindicatos em 113 portos em todo o mundo participam da greve.

Nesta sexta-feira (30), decorre uma ampla mobilização que envolve estivadores e trabalhadores portuários de 22 países que realizam protestos e paralisações em mais de 100 portos ao redor do mundo. A paralisação atinge importantes centros logísticos e de transporte marítimo em quatro continentes para protestar contra a guerra e o uso dos portos para enviar armas a zonas de conflito.

Mais de 25 sindicatos em 113 portos em todo o mundo participam e os organizadores dizem que a greve poderá interromper mais de 40% do transporte de mercadorias pelo Mediterrâneo, paralisando cargas no valor de mais de dois bilhões de dólares.

“O sistema portuário esta sendo usado como um elo logístico para apoiar conflitos armados. De aviões, tanques, armas e munições a explosivos, uniformes e calçados, nossos portos se tornaram bases de abastecimento e trânsito a serviço da guerra e do genocídio", diz o comunicado em conjunto dos sindicatos.

Na Europa abrange portos na França, Itália, Espanha, Alemanha e Grécia. Na América, atinge infraestrutura marítimas em Nova Jersey, São Francisco e Oakland nos Estados Unidos. Na África, aderiram os portuários de Tanger, no Marrocos, e na Ásia, se juntou os trabalhadores do setor na Índia.

A paralisação convocada para hoje ocorre sob os lemas "Portos em Ação" e "Trabalhadores portuários não trabalham para a guerra". Os principais motivos da greve é o protesto contra o comércio de armas, com uma pauta central que exige que as infraestruturas portuárias não sejam usadas para o transporte de armas, munições e equipamentos militares direcionados a zonas de conflito, com foco no embargo e repúdio às ações militares no Oriente Médio.

Além do manifesto geopolítico, os trabalhadores também apresentam demandas locais, que envolvem protestos contra o aumento do custo de vida, a inflação, cobram reajustes salariais reais, melhoria nas pensões e barreiras contra a automação desenfreada e o uso de Inteligência artificial (IA) que ameacem postos de trabalho.