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UE considera terrorismo ataque fracassado na Alemanha atribuído à Rússia e endurece discurso

Na terça-feira (1º), o governo da Alemanha responsabilizou Moscou pela tentativa de ataque com um drone carregado de explosivos contra o aeroporto de Leipzig

Isabel Alvarez

Publicado: 02/09/2026 às 14:20

Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE)/Nicolas Tucat/AFP

Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE) (Nicolas Tucat/AFP)

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, descreveu como "terrorismo patrocinado por um Estado" a recente tentativa de ataque ocorrida no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, atribuída à Rússia.

Kallas declarou ter convocado o representante russo em Bruxelas para prestar explicações, assim como fizeram diversos países do bloco europeu. “É claro que há todos os indícios de terrorismo patrocinado por um Estado. Os ministros das Relações Exteriores da UE vão discutir qual resposta dar à Rússia por essa tentativa de ataque. Vamos debater o que mais podemos fazer", afirmou.

Na terça-feira (1º), o governo da Alemanha responsabilizou Moscou pela tentativa de ataque com um drone carregado de explosivos contra o aeroporto de Leipzig. O aparelho foi localizado próximo a um avião ucraniano e desativado pelas autoridades. O governo alemão afirmou que o incidente representa um novo nível de perigo. Por sua vez, o Kremlin negou as acusações.

A primeira reação de Berlim ao episódio foi ordenar o fechamento do consulado russo em Bonn e de um centro cultural na capital. "O Governo Federal está respondendo a este ataque híbrido em Leipzig de forma proporcional e ponderada, porém igualmente resoluta. Deixem-me ser claro: não estamos em guerra, mas somos alvo diário de uma guerra híbrida", pontuou Alexander Dobrindt, ministro alemão do Interior.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, acrescentou hoje que a resposta do país será coordenada com a UE e reiterou o apoio irrestrito do bloco à Ucrânia.

Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o caso em Leipzig demonstra uma nova escalada em território europeu promovida diretamente por Moscou.

“O ataque se enquadra num padrão mais amplo de incidentes cada vez mais perigosos, incluindo incursões repetidas no espaço aéreo, drones que paralisam aeroportos e interferências em infraestruturas críticas. Os europeus estão diante de uma verdade dura: este se tornou o novo normal. Este ataque com material militar poderia ter causado perda de vidas se tivesse sido concluído. Não vamos tolerar isto. Estamos plenamente solidários com a Alemanha. A intenção russa era nos fazer pensar duas vezes sobre o apoio à Ucrânia, mas posso garantir que isso apenas fortaleceu a nossa determinação. A intimidação não vai funcionar”, afirmou Von der Leyen em coletiva de imprensa conjunta com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Von der Leyen garantiu que a União Europeia e a Aliança Atlântica estão unidas e vão intensificar a pressão sobre o governo russo. "A Europa e a OTAN não vão simplesmente manter a pressão sobre a Rússia; vamos aumentá-la. E não vamos parar até que a Rússia pare de bombardear e matar pessoas inocentes e crianças na Ucrânia. É necessário responder de forma mais rápida e eficaz. Temos de tratar a nossa infraestrutura militar como alvo da linha de frente. Temos de protegê-la e apoiar qualquer país-membro que seja alvo de investidas russas. Vamos continuar, vamos prevalecer e deter qualquer um que atente contra a nossa liberdade e segurança", prometeu.

A presidente da Comissão Europeia destacou ainda a estreita colaboração com a OTAN para antecipar o reforço das defesas do bloco e adiantou que novas sanções contra Moscou já estão em análise.

O secretário-geral da OTAN também adotou um tom firme e mandou um recado ao presidente Vladimir Putin: “Se a Rússia pensa que vai nos dividir com estas ameaças ou que vamos diminuir nosso apoio à Ucrânia, está errada. A nossa unidade é inquebrável e o nosso apoio aos ucranianos é claro”, concluiu Rutte.

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