Polícia turca assume controle do principal canal de televisão da oposição
Num vídeo compartilhado pela Halk TV na rede X, é possível ver o editor-chefe, Suat Toktas, falando com o administrador nomeado pelas autoridades turcas, para convencê-lo a não interromper a transmissão em direto
De acordo com a principal emissora de televisão privada da oposição na Turquia, a Halk TV, a polícia assumiu hoje o controle da sede do canal e suspendeu a transmissão direta.
"A polícia está no edifício da Halk TV. Foi nomeado um administrador. A transmissão direta foi interrompida. A polícia turca realizou também uma busca nas instalações da emissora e impediu os funcionários que chegavam pela manhã de entrar no edifício”, reportou o canal na rede social X.
Num vídeo compartilhado pela Halk TV na rede X, é possível ver o editor-chefe, Suat Toktas, falando com o administrador nomeado pelas autoridades turcas, para convencê-lo a não interromper a transmissão em direto. "O que está a acontecer é ilegal", afirmou Toktas.
"Irromper numa emissora de televisão ao amanhecer e nomear um administrador é algo que só os ditadores fariam. Infelizmente, foi isso que fizeram ao nosso país", reagiu na X o líder do principal partido da oposição, Özgür Özel.
A medida tomada de controle da Halk TV pelas autoridades turcas acontece duas semanas após o bloqueio do acesso ao site de notícias independente T24, um dos mais importantes do país, por motivos de "propaganda LGBT".
Censura
O governo turco intensificou a repressão a conteúdos considerados "propaganda LGBTQIA+" por meio de investigações oficiais e bloqueios de sites e redes sociais. Em setembro e outubro de 2026, a Justiça da Turquia ordenou o bloqueio do site e das redes sociais do popular portal de notícias independente T24, sob a acusação de veicular "propaganda LGBTQIA+" no âmbito de uma campanha estatal chamada "Minha Família está Segura”.
O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoan tem endurecido cada vez mais a retórica contra direitos de pessoas LGBTQIA+ e políticas de "neutralidade de gênero", defendendo o que chama de proteção da família tradicional.
As organizações de direitos humanos, jornalistas internacionais e a União Europeia criticaram as detenções, a censura à imprensa e o bloqueio de associações e ativistas sob a justificativa de combater a dita propaganda.