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Primeiro-ministro britânico admite volta do Reino Unido à União Europeia

Declaração do primeiro-ministro divide opiniões entre críticas da oposição conservadora e sinalizações positivas de líderes da Europa

Por Isabel Alvarez

Andy Burnham, primeiro-ministro britânico

O líder do governo britânico, Andy Burnham, declarou em uma entrevista ao canal BBC que o retorno do Reino Unido à União Europeia é uma possibilidade que está sendo considerada. Burnham revelou a vontade de recuperar a relação de longo prazo com o bloco europeu e que pode ir até ao fim, em direção ao objetivo de reverter o "mal" causado pelo Brexit.

“O Brexit causou mais mal do que bem à economia britânica. Vou analisar todas as opções para que esta questão não seja esquecida ou deixada em aberto. Há claramente opções que têm de ser consideradas. Temos de analisar o que é viável e quais seriam os prós e os contras de cada opção. Mas poderíamos continuar como estamos. Também é uma opção, se as pessoas acharem que este é o lugar certo para ficar", ponderou.

Na última semana, Burnham já tinha adiantado sobre a probabilidade de promover uma futura campanha a favor do regresso do Reino Unido à UE nas próximas eleições gerais. O primeiro-ministro detalhou vários cenários possíveis, desde manter o status quo, reentrar na união tarifária ou no mercado único, e ainda ir até a plena reintegração. “É uma opção em aberto para o futuro das relações de longo prazo do país”, disse.

Essa ação romperia completamente com o manifesto eleitoral do Partido Trabalhista para 2024, que prometia fazer o Brexit funcionar, e, por isso, se manter afastado da UE. O premiê quebrou, portanto, um tabu político e relançou a discussão sobre o tema.

Contudo, as declarações geraram críticas de setores opositores e conservadores. Líderes do Partido Conservador acusam Burnham de tentar reabrir feridas do passado.

O líder do Partido Liberal Democrata respondeu: “falar é fácil. Burnham precisa parar com os ‘talvez’ e começar a negociar um acordo melhor para a Grã-Bretanha rapidamente". Enquanto, o Partido anti-imigração Reform UK classificou a posição de Burnham como uma "traição" e uma tentativa de reconduzir o Reino Unido a UE pela porta dos fundos.

Por outro lado, líderes da Europa reagiram positivamente. O presidente da França, Emmanuel Macron, qualificou a possibilidade de uma nova adesão do Reino Unido como uma ótima notícia e Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, afirmou estar de braços abertos para este regresso.

Brexit
O Brexit foi a saída oficial do Reino Unido da União Europeia, que entrou no bloco em 1973 e encerrou sua participação após quase 50 anos de integração. O termo Brexit une as palavras em inglês Britain (Bretanha) e exit (saída).

Em 23 de junho de 2016, o então primeiro-ministro David Cameron convocou um plebiscito popular para definir o futuro do país no bloco. Contra a maioria das previsões, o "Sair" (Leave) venceu com 51,9% dos votos, contra 48,1% do "Ficar" (Remain). A votação dividiu o país: Inglaterra e País de Gales apoiaram a saída, enquanto Escócia e Irlanda do Norte votaram majoritariamente por permanecer.

O resultado gerou anos de intensa crise política no parlamento britânico, resultando na renúncia de dois primeiros-ministros: David Cameron (2016) e Theresa May (2019), que não conseguiu aprovar os termos de saída no Parlamento. A separação só avançou sob o governo de Boris Johnson, que selou o "Acordo de Saída". Depois da saída oficial em janeiro de 2020, vigorou um período de transição de 11 meses até que um tratado comercial de tarifa zero fosse assinado, entrando totalmente em vigor em 1º de janeiro de 2021.

Entre as principais consequências esteve o impacto econômico, uma vez que o Reino Unido enfrentou desaceleração econômica, perda bilionária em comércio e redução de postos de trabalho. A inflação também atingiu patamares recordes nos anos seguintes. Com o fim do livre comércio e circulação, as mercadorias vindas da Europa passaram a sofrer maior burocracia e vistorias alfandegárias, encarecendo os alimentos. Cidadãos europeus e britânicos ainda perderam o direito automático de morar e trabalhar livremente entre as duas regiões. Além disso, elevaram-se as tensões geopolíticas, porque o Brexit reacendeu debates sobre a independência da Escócia e criou impasses complexos na fronteira entre a Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido).