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Vida de concurseiro: planejamento financeiro pode ser o diferencial rumo à vaga

Em meio a diferentes cenários, entenda desafios e estratégias para quem busca a sonhada estabilidade do cargo público. Confira ainda a lista de certames abertos

Por Diario de Pernambuco

Educadora financeira Mariana Banja diz que é preciso "planejamento, renúncia e adaptação à condição de cada um"

Guto Moraes
Especial para o Diario

Que a preparação para prestar concurso público requer dedicação, sacrifícios e uma rotina quase sempre organizada meticulosamente, todo mundo já sabe. Mas existe outro aspecto que nem todo mundo comenta: a organização das finanças. Além das horas dedicadas aos estudos e às revisões, ainda é preciso custear inscrições, cursos presenciais ou on-line, material de apoio e até passagens, hospedagens e alimentação durante as viagens. É nesse contexto que as diferentes condições socioeconômicas e individuais exigem outro rigor: a consciência do que é possível fazer e de como fazer.

A educadora financeira Mariana Banja confirma que a preparação para concursos vai muito além da rotina de estudos, já que o percurso é diretamente atravessado pelo contexto pessoal e financeiro. “Este é um projeto realizável a médio prazo e, para alguns concursos, até de longo prazo — pelo nível de dificuldade, pelos editais extensos e pela concorrência imensa. Exige, sim, planejamento, renúncia e adaptação à condição de cada um”, afirma. “Inclusive, nem todo candidato parte do mesmo ponto. Há quem precise conciliar trabalho, maternidade e faculdade”, acrescenta.

É o caso do docente Luelton Silva, 38. Residente em Custódia, no Sertão de Pernambuco, a 335 km do Recife, ele conta que enfrentava uma jornada diária de quase 14 horas de trabalho para sustentar a casa e cumprir com as responsabilidades. À tarde, lecionava português em uma escola da zona rural do município e, durante a noite e parte da madrugada, trabalhava em um restaurante às margens da BR-232. “Não existia a possibilidade de deixar de trabalhar para estudar. Então, a única saída foi aprender a organizar meu tempo”, relata, ao lembrar do cansaço e das renúncias.

Como em inúmeras realidades brasileiras, a preparação era feita nas poucas horas disponíveis, em intervalos de descanso, mas outro sacrifício também foi necessário. “Como eu sabia que concursos geram gastos, comecei a controlar melhor minhas despesas e cortar o que não era essencial”, lembra. Além dos custos obrigatórios com inscrições e viagens, ele também assinou uma plataforma de aulas, exercícios e revisões de conteúdo. “Ter equilíbrio financeiro contribuiu muito para eu continuar focado”, conclui. Em 2024, Luelton foi aprovado no concurso para professor em Afogados da Ingazeira.

Para a advogada Daniella de Pádua, 29, apesar de já desempenhar atividade profissional, contar com o apoio dos pais foi essencial para dedicar mais fôlego à rotina de concurseira. “Financeiramente, eu não precisava sustentar uma casa”, contextualiza. Ela revela ter investido mais de R$ 20 mil em inscrições, materiais de estudo e viagens, além dos custos das múltiplas fases do segmento ao qual concorria. Ao longo dos últimos quatro anos, ela participou de todos os concursos para defensoria pública no Brasil. O mais distante ocorreu em Porto Velho, capital de Rondônia, a 4.523 km do Recife.

Ao comentar os gastos atrelados aos deslocamentos, a advogada destaca a importância de dividir a jornada e as despesas. “Eu tinha uma rede de apoio muito legal, que facilitava esses custos, porque eu dividia hospedagem, deslocamento e alimentação com um grupo de amigas. Isso tornava tudo mais viável, além de ser um apoio emocional”, reconhece Daniella. No último ano, ela foi aprovada no concurso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e, atualmente, aguarda a convocação.

Certames mais rigorosos exigem maior planejamento
Nos últimos anos, as bancas de concursos têm se tornado cada vez mais exigentes, independentemente dos cargos e das localidades. Com isso, além do impacto na preparação, muitos candidatos precisam de garantias mínimas de estabilidade para aliviar a pressão da rotina. “Não existe mais aquele personagem que passa em um concurso sem estudar”, observa Mariana Banja, para quem a gestão financeira pode ser um grande diferencial. “Ter tranquilidade com dinheiro libera espaço mental para estudar e assimilar o conteúdo em paz. A gente ganha saúde emocional e estabilidade para avançar nesse objetivo.”

A educadora reforça que a gestão do tempo e das finanças precisa caminhar lado a lado. “O dinheiro, muitas vezes, compra disponibilidade. Então, suponha que eu trabalhe em um lugar e precise estudar no contraturno, mas também tenha que cuidar da casa e da família. Com dinheiro, eu consigo colocar minha filha em atividades no contraturno escolar enquanto estudo à tarde. O dinheiro ajuda nessa ideia de comprar tempo e liberar horas para os estudos.” Aulas e materiais de boa qualidade também são apontados por Mariana Banja como fatores importantes nessa caminhada.

Estabelecer prazos e garantir recursos
Estudo e aprovação são coisas distintas. Em algum momento da caminhada, todo concurseiro entende que, apesar de indispensável, a dedicação não garante a conquista da tão almejada vaga, por ‘n’ fatores. “A gente não tem uma data para passar na prova. A gente tem uma expectativa”, lembra a educadora financeira. “Existem algumas sensibilidades durante essa trajetória até a aprovação.” Por isso, segundo a especialista, estabelecer prazos de dedicação e garantir recursos para esse período podem ser estratégias fundamentais para não ficar no vermelho ou até contrair dívidas.

“Suponhamos que eu tenha um plano para passar em dois anos e, portanto, uma rota meio definida. Para isso, pedi demissão e decidi atuar como freelancer durante parte do dia, destinando o restante das horas para estudar. Eu tinha uma reserva financeira para esse período, mas não fui aprovada. O que acontece?”, provoca, ao destacar também a importância de prever possibilidades. “Como eu lido com essas frustrações no meio do caminho? Eu gasto mais? Eu gasto menos? Eu consigo renovar esse plano ou preciso voltar a trabalhar para sustentar a rotina junto ao plano de estudos?”

Outras estratégias
Cada contexto é único, mas existem estratégias que, além de favorecerem a dedicação aos estudos, ajudam a equilibrar as finanças durante o período de preparação, como quitar dívidas e reduzir gastos com lazer e eventos sociais. Questionada sobre a viabilidade de prestar concurso sem fonte de renda ou reserva financeira, Mariana afirma acreditar que isso seja possível, sobretudo quando o candidato conta com o apoio de outras pessoas, embora reconheça que não se trata da condição mais comum. “A maioria das pessoas precisa de alguma renda. É possível, mas os níveis de esforço e tensão serão diferentes”, pontua.

Ela também destaca a ampliação de ações afirmativas em concursos públicos de caráter socioeconômico, voltadas ao reconhecimento de situações menos favorecidas. Outra recomendação da especialista é aproveitar videoaulas, cronogramas e materiais gratuitos de qualidade disponíveis na internet. “A falta de dinheiro não impede completamente a preparação, mas a pessoa pode estar preocupada com outras coisas. Ter uma reserva, independentemente de ser concurseiro ou não, é um critério de paz”, conclui.

Dicas da especialista

1. Entenda o concurso como um projeto de médio a longo prazo
A preparação exige a consciência de que a aprovação não tem uma data exata, mas sim uma expectativa. O candidato precisa de planejamento, renúncia e adaptação à sua própria realidade, entendendo que o processo pode levar de meses a anos.

2. Busque estabilidade financeira para ganhar "espaço mental"
A gestão financeira deve ser vista como um diferencial na preparação. Segundo a educadora, ter tranquilidade em relação ao dinheiro libera espaço mental para que o candidato consiga estudar e assimilar o conteúdo.

3. Use o dinheiro estrategicamente para "comprar tempo"
A gestão do tempo e das finanças deve caminhar lado a lado. Quando o candidato possui recursos, ele pode utilizá-los para delegar tarefas ou contratar serviços (como atividades no contraturno para os filhos), liberando horas para se dedicar aos estudos, além de viabilizar o acesso a aulas e materiais.

4. Estabeleça prazos e preveja cenários de frustração
É fundamental traçar uma rota com prazos definidos (por exemplo, um plano de dois anos sustentado por uma reserva ou trabalho freelancer). O candidato deve se planejar financeiramente para responder a perguntas como: "Como eu gasto menos?", "Consigo renovar esse plano?" ou "Preciso voltar a trabalhar?", evitando ficar no vermelho ou contrair dívidas.

5. Utilize materiais gratuitos de qualidade e monte uma reserva de paz
Para quem tem restrições financeiras ou não possui uma fonte de renda, a dica é aproveitar o vasto conteúdo programático gratuito disponível na internet, como videoaulas e cronogramas. A educadora reforça que buscar a construção de uma reserva financeira é um critério para diminuir os níveis de esforço e tensão.

Confira os editais abertos no país

Brasil

CFO-Exército
Remuneração: a ser informada
Vagas: 277
Prazo: 12 de junho
Taxa de inscrição: R$ 150
Cargos: quadros Complementar, de Capelães Militares e de Serviço de Saúde
Nível: superior
Inscrição: espcex.eb.mil.br

Marinha do Brasil
Remuneração: R$ 1.544,62 (inicial)
Vagas: 10
Prazo: 12 de junho
Taxa de inscrição: R$ 85
Cargos: terceiro-sargento
Nível: técnico
Inscrição: marinha.mil.br

Pernambuco

Cesvasf (seleção simplificada)
Remuneração: R$ 1 mil a R$ 1,8 mil
Vagas: 20
Prazo: 2 de junho
Taxa de inscrição: R$ 100
Cargos: professor universitário substituto
Nível: superior
Inscrição: presencialmente - Rua Coronel Trapiá, 201-A, Belém do São Francisco-PE

Prefeitura de Moreno (seleção simplificada)
Remuneração: R$ 1,6 mil a R$ 3,8 mil
Vagas: 30
Prazo: 8 de junho
Taxa de inscrição: R$ 57
Cargos: intérprete de Libras, professor formador e professor II
Nível: médio e superior
Inscrição: institutodarwin.com

Prefeitura de Santa Filomena
Remuneração: R$ 2,5 mil a R$ 12 mil
Vagas: 209
Prazo: 8 de junho
Taxa de inscrição: R$ 75 a R$ 120, conforme nível
Cargos: assistente social, enfermeiro, biomédico, médico, professor, agentes de saúde e de combate às endemias, auxiliares de serviços gerais, dentre outros
Nível: fundamental, médio e superior
Inscrição: idhtec.org.br

Tribunal de Justiça de Pernambuco
Cargo: juiz substituto
Remuneração: R$ 35.877,28
Vagas: 30
Prazo: 10 de julho
Taxa de inscrição: 358,77
Banca: Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Nível: superior
Inscrição: portal.tjpe.jus.br

Ceará

Tribunal de Justiça do Ceará
Remuneração: R$ 5,3 mil a R$ 8,8 mil
Vagas: 24 + cadastro reserva
Prazo: 22 de junho
Taxa de inscrição: R$ 100 e R$ 130, conforme cargo
Cargos: oficial de justiça, analista e técnico judiciário
Nível: médio, técnico e superior
Inscrição: djea-con.tjce.jus.br

São Paulo

Conselho Regional dos Técnicos Industriais
Remuneração: R$ 4,3 mil a R$ 10,6 mil
Vagas: 710
Prazo: 6 de julho
Taxa de inscrição: R$ 60 e R$ 70, conforme nível
Cargos: advogado, analista e técnico administrativo, fiscal
Nível: médio, técnico e superior
Inscrição: quadrix.org.br

Minas Gerais

Conselho Regional de Administração
Remuneração: R$ 3,1 mil a R$ 5 mil + benefícios
Vagas: 9 + cadastro reserva
Prazo: 16 de junho
Taxa de inscrição: R$ 70 a R$ 125, conforme nível
Cargos: técnicos em administração e informática, advogado, analista de desenvolvimento de sistemas, jornalista, gestão de recursos, dentre outros.
Nível: técnico e superior
Inscrição: fumarc.com.br

Paraíba

Universidade Estadual da Paraíba
Remuneração: R$ 2,1 mil a R$ 3,7 mil
Vagas: 8
Prazo: 12 de julho
Taxa de inscrição: R$ 75 a 95, conforme nível
Cargos: auxiliar de laboratório de fotografia, técnicos em agropecuária, em prótese dentária, em laboratório de física e radiologia
Nível: fundamental, médio e técnico
Inscrição: cpcon.uepb.edu.br