O patrimônio que o Nordeste ainda pode construir
Alavancagem financeira e patrimonial pode transformar o consórcio em estratégia de médio e longo prazo
Por Alexandre Luiz Oliveira*
Construir patrimônio deveria fazer parte do planejamento financeiro desde o início da vida profissional. No entanto, muitos brasileiros ainda concentram seus esforços apenas na renda do trabalho e deixam para depois uma decisão fundamental: como transformar renda em um ativo capaz de gerar novos recursos no futuro.
No Nordeste, essa mudança de mentalidade representa uma grande oportunidade. Enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam maior familiaridade com estratégias de crédito voltadas à formação patrimonial, existe amplo espaço para expandir esse conhecimento na região.
O consórcio como ferramenta de alavancagem
O consórcio pode ser utilizado não apenas para adquirir um imóvel ou veículo, mas como instrumento de planejamento e alavancagem. Quanto mais cedo começa o processo, maior é o horizonte para repetir ciclos de contemplação, aquisição e reinvestimento.
Em um período de 20 anos, uma estratégia bem estruturada pode buscar de cinco a seis ciclos de contemplação. É justamente na repetição desses ciclos que surge uma das possibilidades mais interessantes de alavancagem. Após a contemplação, conforme as regras da administradora e as condições do mercado, a carta de crédito pode ser negociada. Em determinadas operações, o valor ágio obtido pode representar entre 30% e 40% do crédito total.
A combinação desses recursos com aplicações em renda fixa pode criar um fator multiplicador, aumentando a capacidade financeira para novas contratações e novos ciclos. Além disso, os imóveis contemplados passam a gerar aluguéis que, integrados ao planejamento do investidor, alimentam a aquisição de novos créditos e investimentos.
Diversificação geográfica e proteção
Essa estratégia não precisa ficar restrita ao local onde o investidor reside. A depender das regras da administradora e da modalidade contratada, o crédito pode ser direcionado para imóveis em diferentes regiões do Brasil e, em produtos específicos, até para oportunidades no exterior. Isso permite diversificar geograficamente o patrimônio e buscar mercados com diferentes dinâmicas de valorização.
Esse tipo de estruturação atende tanto a investidores pessoa física quanto jurídica, com destaque para holdings e empresas de natureza patrimonial, auxiliando na organização de ativos, créditos, renda imobiliária e planejamento sucessório, sempre com o devido suporte contábil, tributário e jurídico.
Há ainda o fator proteção. O seguro associado à operação atua como complemento a estratégias previdenciárias e resguarda o crédito contratado. Dependendo das coberturas, ele garante o ressarcimento dos valores pagos e a quitação do saldo devedor em situações imprevistas, preservando o patrimônio familiar.
A vocação turística e imobiliária do Nordeste
Alavancar patrimônio não significa buscar enriquecimento rápido. Significa combinar tempo, crédito, contemplação, imóveis, aluguel, renda fixa e proteção de maneira coordenada.
Neste cenário, o Nordeste possui um diferencial estratégico: uma das maiores vocações turísticas do país. O litoral ensolarado, aliado ao crescimento constante dos destinos turísticos, impulsiona oportunidades para imóveis destinados à locação tradicional, por temporada ou à exploração hoteleira. Recife, Porto de Galinhas, Tamandaré, Muro Alto, Maragogi, Maceió, João Pessoa e Fortaleza, entre outros destinos, integram um mercado vibrante que combina turismo e forte potencial imobiliário.
O investidor nordestino, portanto, não precisa limitar sua atuação ao próprio estado ou à sua região. Pode construir patrimônio onde houver oportunidade.
A grande mudança de cultura é compreender que o crédito pode ser o ponto de partida, e não o de chegada. O crédito viabiliza o patrimônio; o patrimônio gera renda; e a renda contribui para novos créditos. É esse ciclo, sustentado por planejamento e disciplina, que pode colocar o Nordeste no centro de uma nova cultura nacional de construção patrimonial.
Alexandre Luiz Oliveira, economista e analista de Investimentos Ademicon