Com obras paradas, Humberto já levou a Raquel medidas para Transnordestina
O petista não só dividiu medidas para destravar ramal com a governadora como fez tabelinha com Túlio Gadêlha sobre o assunto
No dia em que saiu a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a ferrovia Transnordestina, a governadora Raquel Lyra gravou vídeo do carro mesmo, uma vez que se encontrava em trânsito, agradecendo ao presidente Lula. No post, ela afirmara o seguinte: “Notícia boa para terminar o dia é que o Tribunal de Contas da União liberou assinatura do contrato da obra da Transnordestina. Obrigada ministro George, ao presidente Lula, todo mundo trabalhando para a gente ter nossa ferrovia virando realidade em Pernambuco”.
A referida decisão do TCU se deu no último dia 15 de julho e não impede processos licitatórios. No entanto, mantém a suspensão das obras da ferrovia no trecho Salgueiro-Porto de Suape. Desde então, destravar o andamento da Transnordestina no Estado virou causa que parece ultrapassar os campos políticos.
Antes mesmo que a decisão do TCU frustrasse as expectativas sobre eventual retomada das obras, o senador Humberto Costa, debruçado sobre alternativas capazes de fazer o ramal pernambucano voltar a avançar, chegou a ir à mesa com a governadora Raquel Lyra.
Com ela, dividiu uma análise de medidas que pudessem fazer o Estado atrair investimentos e viabilizar as obras, visando a benefícios expressivos, como geração de emprego e renda. Ao que foi abordado por ele, a gestora do PSD acenara positivamente. Os dois se reuniram no Palácio do Campo das Princesas.
A reunião se deu antes ainda que Humberto tivesse videoconferência, no último dia 13 de julho, com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e com o ministro do TCU, Benjamin Zymler.
A alternativa defendida pelo senador durante encontro com a Imprensa, como a coluna registrara no último dia 20 de agosto, acabou detalhada por ele da seguinte forma: “A Petrobras poderia ser sócia do empreendimento. Poderia montar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Infra S.A., que é empresa vinculada ao Ministério dos Transportes. A Petrobras entra com recurso, o Governo Federal entra com recurso, o Estado de Pernambuco pode entrar com recurso nisso aí. E a Petrobras tem toda razão para entrar e ela, se for botar o dinheiro, é muito pouco”.
Essa é a proposta que também uniu Humberto, que concorre à reeleição na chapa de João Campos, e Túlio Gadelha, candidato ao Senado na chapa de Raquel Lyra, no debate de candidatos ao Senado, promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, no último dia 10. E é também a que o senador, munido de estudos desenvolvidos pela Sudene, pretende apresentar ao presidente Lula como hipótese capaz de destravar o ramal pernambucano da Transnordestina. Mas, agora, só após o pleito.
Denominador quase comum
Ainda ontem, João Campos acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro de retirar o trecho pernambucano da Transnordestina da concessão federal. “Literalmente, no apagar das luzes, ele tirou a Transnordestina de Pernambuco, dando esse golpe em Pernambuco”, declarou o candidato a governador do PSB durante sabatina do NE1. Raquel Lyra tem repisado, sem citar Bolsonaro tão diretamente, que o trecho pernambucano foi retirado em 2022. Na cronologia, os dois adversários concordam.
Descarrilou
As teses de João Campos e Raquel Lyra pegam trilhos diferentes quando ele sugere que a gestão dela não assumiu o protagonismo necessário para tirar a obra do papel, enquanto ela tem sugerido que o PSB viu o governo Bolsonaro agir para prejudicar o trecho pernambucano sem que tivesse reagido. Socialistas tem relatado que foram em busca da mineradora Bemisa para solucionar a questão, sim.
De Lula
No dia que fez tabelinha com Humberto Costa no debate sobre a Transnordestina, Túlio Gadêlha chegou a dizer que "um senador de Lula" seria fundamental para resolver a retomada da obra. Nas coxias, há quem aponte que Humberto seria peça fundamental no xadrez da governadora Raquel Lyra, que não abre mão da ponte com o Governo Federal. Túlio, entretanto, também é nome encarregado dar um "verniz de esquerda" à chapa dela.
No radar
A agenda do presidente Lula estagnou em três dias, segundo integrantes da campanha nacional, em função da crise no STF. Já era para ele ter ido, por exemplo, para Ceilândia, o que acabou ficando para esta semana. Com os ajustes em curso, a visita a Pernambuco é estudada para semana que vem. Até ontem, se falava em terça, quarta ou quinta próximas. A ideia inicial é que ele faça uma cidade só. Ainda se fala em Garanhuns, além do Recife. O petista ainda pode voltar ao Rio Grande do Norte na esteira.