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Bivar: "O PT defende as coisas que defendo"

A suplência foi uma construção que passou pela permanência do MDB no campo de apoio ao ex-prefeito do Recife, João Campos

Por Renata Bezerra de Melo

Humberto Costa e Luciano Bivar sentaram juntos, nesta segunda (20), na convenção da Federação Brasil da Esperança, quando sua condição de primeiro suplente apareceu formalizada.

Como a coluna cantara a pedra no último dia 11, as tratativas do deputado federal Luciano Bivar com o senador Humberto Costa sobre a suplência tiveram início ainda antes de Bivar atravessar do União Brasil para o MDB.

O parlamentar chegou a ter conversas que também avançaram com o PV, presidido em Pernambuco pelo deputado federal Clodoaldo Magalhães. Mas o ingresso nas hostes emedebistas foi uma construção que se deu também na direção reforçar as chances de o partido, presidido no Estado pelo secretário de Relações Institucionais da Prefeitura do Recife, Raul Henry, permanecer no campo de apoio ao ex-prefeito João Campos.

Nesta segunda (20), Bivar sentou ao lado do senador Humberto Costa na mesa da convenção da Federação Brasil da Esperança, no hotel Jangadeiro, em Boa Viagem, quando a condição dele de primeiro suplente apareceu formalizada.

À coluna, Bivar confirmou que a equação de seu ingresso no MDB passou por uma lógica de reforçar o apoio a João Campos. E relatou que o prego foi batido com a participação da direção nacional do MDB. Antes de sacramentar, Bivar recebeu telefonemas do presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e do ex-presidente da República, Michel Temer, ambos de largo trânsito com Henry.

Na esteira, ele diz que Raul introduziu a ideia da construção com Humberto: “Raul me diz: ´Luciano, vamos fazer uma composição com Humberto , com o PT”. Bivar, que já votara em Lula no 2º turno da última corrida presidencial, se sentiu à vontade.

“O PT defende as coisas que eu defendo. Acho que a gente está num momento muito interessante, agora, né, a gente está com uma escolha entre o autoritarismo e a democracia, entre a subserviência e a soberania. Então, eu nunca tive uma opção com tanta convicção como agora de votar no Lula para sua reeleição”, argumenta o deputado à coluna.

Bivar deu guarida ao ex-presidente Jair Bolsonaro no antigo PSL, quando grandes partidos esnobavam sua pretensão presidencial. Bolsonaro elegeu-se pela sigla, que passou de nanica à segunda maior bancada da Câmara Federal. Mas o rompimento veio na sequência. Indagado pela coluna se votaria em Flávio Bolsonaro, Bivar é taxativo: “Jamais”.

À mesa com Lula

Em 2022, Luciano Bivar chegou a estar com Lula, no hotel, em Fortaleza, onde o petista encontrava-se hospedado. Foi à mesa, na ocasião, com o líder-mor do PT e com a, então, presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann.

O pai

Quando afirma que “jamais” votaria em Flávio Bolsonaro, Bivar, à coluna, justifica o seguinte: “Primeiro, porque eu conheço bastante o pai dele. No segundo ano do governo do pai dele, eu senti coisas inequívocas de gestos e falas, que ele queria dar um golpe”.

Voto Secreto

“Primeiro, o voto é secreto!”, brincaram o deputado estadual João Paulo e o deputado federal Clodoaldo Magalhães quando indagados se votariam em Raquel Lyra. “O da gente precisa ser secreto, né, em respeito à federação”, emendou bem-humorado Clodoaldo à coluna. João Paulo disse que acompanha a decisão do PT sobre a majoritária. Clodoaldo avisou que “não vai ter caça às bruxas” no PV.

Tangente

Ao encerrar sua fala na convenção da Federação Brasil da Esperança, Clodoaldo, que preside o PV no Estado, conclamou a militância: “Vamos juntos, é Lula, reeleição de Lula, Humberto senador e Pernambuco avançando”. Não citou João Campos e saiu antes de o socialista chegar.

À francesa

Assim como Clodoaldo, nomes do PT, como João Paulo e Osmar Ricardo, também deixaram a convenção antes que o pré-candidato do PSB ao Palácio das Princesas chegasse. Osmar avisou que vai se licenciar da presidência municipal do PT para votar em Raquel Lyra. Nome histórico do PSB, Milton Coelho, que vai concorrer à Câmara Federal pelo PT, também não se demorou e saiu cedo.