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EXPOSIÇÃO

Bienal do Barro do Brasil movimenta Caruaru com mostra sobre memória e transformação do território

Em sua 3ª edição, evento reúne dez artistas do Brasil e de Portugal no antigo galpão da Fábrica Caroá, no Armazém da Criatividade

Diario de Pernambuco

Publicado: 06/11/2026 às 13:00

Evento gratuito segue com sua programação até o dia 28 de novembro/Divulgação

Evento gratuito segue com sua programação até o dia 28 de novembro (Divulgação)

A 3ª edição da Bienal do Barro do Brasil, que começou nesta semana, segue movimentando Caruaru até o dia 28 de novembro. A exposição “Escassez e Abundância: Rotas de Fuga”, apresentada pelo evento gratuito, reúne trabalhos de dez artistas brasileiros e portugueses e propõe uma reflexão sobre o barro como território, memória, identidade e força de transformação. A programação ocorre no antigo galpão da Fábrica Caroá, espaço que integra o complexo do Armazém da Criatividade.

A produção artística de Caruaru ganha destaque nesta edição, com a participação de Ratinho, Terezinha Gonzaga e Tavares da Gaita, falecido em 2009. Nascido em Taquaritinga do Norte e radicado em Caruaru, Tavares tem trabalhos inéditos apresentados na cidade.

A presença pernambucana também reúne Adones Valença, de Belo Jardim, e Edson Atikum, de Carnaubeira da Penha. Completam a lista Beatriz Albuquerque, do Porto, em Portugal; Isabela Prado, de Belo Horizonte; Anna Bella Geiger, do Rio de Janeiro; Amanda Nunes, de Ceilândia, no Distrito Federal; e Toni Graton, de Curitiba.

Sob a curadoria e coordenação geral de Carlos Mélo, a proposta questiona representações históricas do Nordeste associadas à escassez, à seca, à pobreza e ao atraso. Também amplia o sentido desses conceitos para apontar a falta de políticas públicas, investimentos e oportunidades de circulação e reconhecimento para artistas que produzem fora dos grandes centros culturais. Em contraponto, destaca a abundância criativa do interior pernambucano e a força de seus conhecimentos e práticas artísticas.

A exposição se organiza a partir de três estados da matéria: pó, lama e cerâmica, como explica Carlos Mélo. “Esta Bienal assume-se como um espelho de sobrevivência coletiva. Uma plataforma de fricção que denuncia o trauma da plantation, a estrutura colonial que cercou a terra, monopolizou a água e mercantilizou os corpos, enquanto celebra a insistência poética daqueles que reinventam a vida nos contra-espaços”, afirma Carlos Mélo.

A Bienal também marca o reencontro com um espaço importante para a história de Caruaru: o antigo galpão da Fábrica Caroá, que produzia cordas e foi posteriormente doado ao município para abrigar um centro cultural. Depois de um período em que funcionou como estacionamento, o espaço foi restaurado e transformado em pavilhão, integrando o complexo do Armazém da Criatividade. A ocupação pela Bienal reafirma sua vocação cultural e amplia a proposta de descentralizar a circulação da arte contemporânea, criando em Caruaru um ponto de encontro entre artistas e públicos de diferentes regiões.

Entre os trabalhos apresentados, Anna Bella Geiger transforma o gesto cotidiano de comer em reflexão política na obra “O Pão Nosso de Cada Dia”, na qual mordidas em uma fatia de pão configuram o mapa do Brasil. Edson Atikum, por sua vez, apresenta as Mukitas, esculturas em barro cru que dialogam com a ancestralidade Atikum e a tradição das caras feias e carrancas. Já as jarras de Terezinha Gonzaga evocam a relação entre terra, fogo, água, trabalho e saberes tradicionais.

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