Festival de Teatro do Agreste completa 45 anos e segue programação até 31 de outubro
Iniciativa chega à sua 36ª edição e reúne apresentações em Caruaru e Recife, promovendo ações de formação e intercâmbio de performances
Publicado: 15/10/2026 às 17:35
O coletivo cearense Cangaias apresenta o espetáculo 'Josefina, uma Peça-Rato' (Foto: Pedro Vini?cius)
O mês de outubro é marcado há 45 anos pelo Festival de Teatro do Agreste (FETEAG), que nasceu em Caruaru, em 1981, sob a criação do Teatro Experimental de Arte. Voltado para a ação formativa desde sua origem, o projeto segue sua maratona cênica, aproximando jovens estudantes ao universo do proscênio, até o dia 31, apresentando espetáculos que aumentam cada vez mais as fronteiras entre linguagens e geografias.
De acordo com o curador Fabio Pascoal, a iniciativa busca trazer trabalhos transnacionais ou transestaduais performados por atores locais. "Estamos fazendo esse movimento desde 2010, quando trouxemos 'Kelblim, O Cão da Divindade', do Lume (SP), e montamos um coro local para a peça, mesma coisa que fizemos com 'Batucada', do Piauí", explica. "Acreditamos que esse modelo faz quem está participando se sinta mais conectado com o festival e sinta que pertence, de fato, à programação", acrescenta.
Nesta quinta (15), a partir das 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, será apresentado Josefina, Uma Peça-Rato, novo espetáculo do coletivo cearense Cangaias, inspirado na obra de Franz Kafka. A montagem leva a plateia a um cruzamento entre a literatura clássica e as ruas da Região Metropolitana de Fortaleza.
Já nesta sexta (16), às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosa, em Caruaru, o festival contará com a performance Mimosa, da recifense Flávia Pinheiro. O projeto é um experimento que surge de um vínculo com a planta também conhecida como malícia-de-mulher, maria-sem-vergonha e dormideira, famosa por fechar suas folhas em reação ao toque. A artista estabelece uma relação entre a história da botânica e investiga os processos de classificação, extração e conquista colonial que produziram formas de conhecimento e hierarquias sobre o mundo vegetal.
Entre o Recife e Caruaru, a programação inclui mais de 30 apresentações, ações formativas e intercâmbios artísticos. Ocorre ainda, na edição de 2026, a primeira Caruaru Conectada – Rodada de Negócios, iniciativa voltada à circulação e à profissionalização da produção artística do Nordeste.
Escolhidas como imagens representativas do FETEAG 2026, as andorinhas atravessam fronteiras e chegam a diferentes lugares, partindo logo em seguida, o que reflete o movimento fluido de experiências e memórias que compõem o imaginário do teatro.
Durante o festival, também serão lançadas duas obras que resgatam memórias da comunidade LGBTQIAPN+, tanto por meio de grupos, lugares e eventos quanto por meio de biografias. Entre os lançamentos estão Lantejoulas no Mangue, de Márcio Bastos, sobre o grupo de teatro Vivencial, e Copi: a desmesura de uma vida meteórica, de Renata Pimentel, sobre o escritor, dramaturgo e quadrinista argentino.