Novo ‘Resident Evil’ funde horror e comédia para criar autêntica atmosfera de gameplay
Zach Cregger (de 'A Hora do Mal') comanda reboot da franquia, que já está em cartaz nos cinemas
Publicado: 18/09/2026 às 20:42
Longa funciona como uma longa sequência de 'survival horror' em tempo quase real (Sony/Divulgação)
A tentativa de retomar a marca poderosa de “Resident Evil” com uma das principais vozes do cinema de horror atual é o ponto de partida desse reboot da franquia, baseada na popular saga de videogame lançada no Japão em 1996. Diretor dos aclamados “Noites Brutais” e “A Hora do Mal”, Zach Cregger assume aqui o desafio de imprimir novidade à 8ª adaptação dos jogos para as telas. Curiosamente, é da objetividade e da simplificação que ele extrai o antídoto da questão: o retorno ao básico da experiência dos jogos.
Neste “Resident Evil”, que está em cartaz, o entregador de medicamentos Bryan (Austin Abrams) recebe o dobro do seu pagamento comum para entregar uma importante encomenda no Hospital Geral de Raccoon City. Já na estrada, coberta de neve, tudo dá errado após um atropelamento e um trajeto simples se torna uma corrida desesperada por sobrevivência em meio ao apocalipse zumbi.
A primeira leva de adaptações de “Resident Evil”, com seis filmes, foi majoritariamente comandada por Paul W. S. Anderson, e Milla Jovovich virou o rosto da franquia entre 2002 e 2016. Em 2021, “Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City”, de Johannes Roberts, tentou reiniciar tudo com novos personagens, mas teve baixa adesão tanto da crítica quanto da bilheteria.
Apesar da legião de fãs pesar nas críticas aos filmes pela falta de fidelidade aos jogos, Zach Cregger segue a tradição de ignorar a estrutura do material original e, por outro lado, abraça como nenhum outro “Resident Evil” a proposta de um autêntico gameplay. Bryan, o protagonista, tem uma única missão e uma personalidade limitada pelas suas cômicas reações de susto (a maioria delas arranca gargalhadas genuínas). Todos os coadjuvantes que surgem obedecem à mesma função de botar a ação para frente sem pretensões dramáticas, o que é, neste caso, uma grande vantagem.
Excelente em misturar o grotesco com a comédia nervosa, que intensifica a tensão sem diluir a atmosfera de horror, o cineasta teve toda a liberdade para brincar com a iconografia do game à vontade e fez disso seu triunfo. Evitando grandes explicações e conceitos, ele deduz que o espectador já conhece as regras do universo e do cinema de zumbi de modo geral (em todas as suas ramificações).
A fotografia usa à perfeição a escuridão e as possibilidades do espaço negativo. Como demonstrado na primeira hora de "Noites Brutais" e em quase todo "A Hora do Mal", Cregger é um dos mais hábeis cineastas em atividade para manipular a iminência do perigo. Ele poe ser também profundamente violento e, naturalmente, "Resident Evil" dá diversas oportunidades para surtos de sanguinolência.
Mesmo que o pique da tensão perca fôlego no final do segundo ato com repetições de gags visuais, a sequência de horror corporal no terceiro é impagável — e ainda abre inúmeras possibilidades para as continuações, que devem ser confirmadas em breve.