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Cinema pernambucano se despede de Alfredo Bertini, idealizador do Cine/PE

Alfredo Bertini morre aos 65 anos após complicações em cirurgia, deixando legado de fomentação audiovisual e incentivo à cultura cinematográfica no estado

André Guerra

Publicado: 05/06/2026 às 18:09

Corpo de Alfredo Bertini foi velado na sede do Sport Club do Recife, na sexta-feira (5)/Foto: Karol Rodrigues/DP

Corpo de Alfredo Bertini foi velado na sede do Sport Club do Recife, na sexta-feira (5) (Foto: Karol Rodrigues/DP)

Uma semana de celebração acabou terminando em clima de despedida. Alfredo Bertini, economista e idealizador do Cine PE, faleceu na última quinta-feira (4), aos 65 anos, após complicações de uma cirurgia de transplante de fígado realizada em João Pessoa, na Paraíba. O velório foi realizado nesta sexta-feira (5) pela manhã, na sede do Sport Club do Recife, com a presença de sua esposa e parceira na condução do festival de cinema, Sandra Bertini, e dos filhos, Patrícia e Vítor. A cerimônia de cremação ocorreu à tarde, no Memorial Guararapes.

Amigos, colaboradores e admiradores do trabalho de Bertini na condução dos 30 anos de Cine PE fizeram fila para prestar suas condolências aos parentes. Entre 10h e 14h, ele recebeu homenagens de autoridades como o deputado João Paulo, o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), Marcelo Canuto, e a Secretária de Cultura do Recife, Milu Megale.

“Bertini contribuiu com a gestão pública em todas as suas instâncias e, sobretudo, dedicou-se à celebração das artes, especialmente ao fomento de um dos nossos bens culturais mais valiosos, que é o audiovisual. O Cine PE, seu maior legado, há 30 anos ajuda a contar e a fazer a história do cinema pernambucano e brasileiro. Nele, Alfredo Bertini segue em sua grandeza, paixão, força e coragem”, disse Canuto.

“Foi uma pessoa rara, que assumiu, com incansável paixão e dedicação, as lutas de um povo inteiro pelo direito à celebração de nossas vocações culturais. Foi um articulador de grandes públicos para o audiovisual pernambucano e brasileiro. Em três décadas, seu Cine PE se consagrou como um dos mais importantes festivais de cinema do país. Ele se despediu em cartaz, sem nunca deixar de acreditar na nossa cultura e no nosso povo. Nós também não deixaremos. Sua esperança seguirá viva, seguirá nossa”, declarou Milu Megale.

 

Responsável pela curadoria do Cine/PE ao lado do jornalista Edu Fernandes, a roteirista e crítica de cinema Carissa Vieira destacou o cuidado de Alfredo Bertini com a equipe do festival e com a seleção de filmes. “Ele sempre foi ao mesmo tempo muito disposto a colaborar quanto leve. Dava total liberdade para que conseguíssemos fazer nosso trabalho, mas se fazia sempre presente. Ao longo do ano inteiro estávamos nos comunicando para falar do festival e ele fazia o possível e o impossível para conseguir trazer os filmes”, exaltou. “Seu acolhimento se estendeu por todas as pessoas que de alguma maneira ajudaram a escrever essa trajetória tão especial do Cine PE”, completou.

No ano passado, Bertini havia sido diagnosticado com problemas no fígado e, nos últimos dias, a notícia da cirurgia despertou a esperança de que ele conseguisse atravessar este momento tão delicado de saúde. Mesmo que a edição tenha sido abalada pela notícia, a energia das coletivas de imprensa que seguiram na programação do festival ao longo da tarde reiteraram que o festival não vai perder de vista o espírito celebrativo. Emocionada, Sandra fez questão de reafirmar a todos que o festival seguirá a pleno vapor. “Foi para isso que Alfredo trabalhou tanto em todos esses anos. Ele queria ver esse amor pelo cinema sendo celebrado pelo público do nosso evento”, destacou.

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