Park Chan-wook, Demi Moore e mais membros do júri do Festival de Cannes falam das suas expectativas
Em sua 79ª edição, o Festival de Cannes traz o diretor sul-coreano Park Chan-wook como presidente de um dos corpos de júri mais diversos dos últimos anos, com todos os membros de diferentes nacionalidades
André Guerra - Enviado Especial
Publicado: 12/05/2026 às 13:41
(Reprodução/Festival de Cannes)
A 79ª edição do Festival de Cannes, que dá início à sua programação oficial nesta terça (12), tem um dos júris mais diversos da história recente do evento do ponto de vista da nacionalidade. Presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook (de "Oldboy" e "Decisão de Partir"), o corpo de jurados reúne a atriz norte-americana Demi Moore, a diretora chinesa Chloé Zhao, o ator sueco Stellan Skarsgård, a atriz etíope-irlandesa Ruth Negga, o ator costa-marfinense Isaach De Bankolé, a diretora e roteirista belga Laura Wandel, o cineasta chileno Diego Céspedes e o roteirista britânico Paul Laverty.
Em coletiva de imprensa realizada nesta tarde, com a presença do Diario, o júri falou sobre as expectativas para esta edição.
Park Chan-wook afirmou que a presença de filmes asiáticos na competição, incluindo o aguardado sul-coreano “Hope”, não mudará a imparcialidade na análise dos jurados. “Passei um bom tempo refletindo se estava pronto para essa tarefa, porque, como já fui jurado, sei como é difícil presidir. Até que percebi que, depois de uma longa história com o festival, estava na minha hora de servir a ele também”, acrescentou, referindo-se aos filmes que exibiu em Cannes e ao prêmio de Melhor Diretor conquistado com "Decisão de Partir", em 2022.
O presidente do júri falou ainda sobre a relação entre arte e política, defendendo que as duas coisas não podem ser separadas. “Acho estranho pensar que arte e política estejam em conflito. Só porque uma obra de arte tem um manifesto político, não quer dizer que seja inimiga da arte”, afirmou. “Ao mesmo tempo, um manifesto político feito sem uma expressão artística forte vira apenas propaganda.”
Stellan Skarsgård, indicado ao Oscar 2026 de Melhor Ator Coadjuvante por “Valor Sentimental”, brincou sobre a sua seleção para o júri: “Finalmente. Ainda bem que não esperaram eu morrer”, disparou o veterano, que esteve no evento na edição anterior com o longa.
Já Demi Moore, que passou pelo Festival de Cannes em 2024 com o premiado longa de terror "A Substância", reforçou a importância de os atores se protegerem diante do avanço da inteligência artificial. “É algo que já chegou. A questão é que não dá para lutar contra algo em que você sabe que vai perder, então precisamos encontrar maneiras de trabalhar com a IA, ao mesmo tempo em que buscamos formas de nos proteger”, afirmou.
Apesar da diversidade dos integrantes do júri da Competição Principal pela Palma de Ouro, a seleção de filmes da mostra competitiva apresenta ausências significativas de representatividade, como a falta de candidatos latino-americanos. “Sei que estou aqui não apenas pelo Chile, mas por todo o cinema da América Latina”, disse o diretor chileno Diego Céspedes.