Artistas investigam conceitos de corpo e identidade em exposição coletiva no Mamam
"Ganga: Madrugada Azul dos Meus Sonhares" ocupa dois andares do Mamam até março
Publicado: 13/01/2026 às 13:16
Exposição "Ganga: Madrugada Azul dos Meus Sonhares" (Foto: Divulgação)
A exposição "Ganga: Madrugada Azul dos Meus Sonhares" ocupa os dois andares do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Recife, com obras dos artistas Atena Miranda, Cris Peres, Leandro Garcia e Robson Xavier, sob curadoria de Joana D'Arc Lima. A exposição, inaugurada no último sábado (10), segue em cartaz até 29 de março, convidando o público a uma imersão nas múltiplas camadas de um conceito ancestral.
Ganga é um termo de significados plurais: refere-se aos resíduos, restos e produtos descartáveis, sejam minerais não aproveitáveis ou objetos inutilizáveis. Também designa um tecido de baixa qualidade, fabricado na Índia, geralmente azul ou amarelo; uma caixa acústica rústica usada como instrumento de percussão na África; ou ainda um feiticeiro tribal do Congo ou de Angola, a quem se atribui a capacidade de identificar assassinos. O termo foi ressignificado pelos escravizados africanos para nomear alguém considerado espiritualmente superior.
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Entre o descartável e o espiritual, o Coletivo Ganga aborda o Corpo como lugar privilegiado de interação com o mundo, estabelecendo relações que deixam marcas na existência e nas Memórias, entendidas como referências ancestrais e experiências de vida.
Por meio dos corpos em movimento, apreendemos as coisas, os seres físicos e espirituais, as emoções, as dores, as angústias e as alegrias. No fluxo da vida, escolhemos os Caminho(s), contornamos pedras, atravessamos rios e mares, e propiciamos encontros.
A obra de Cris Peres, intitulada Levante, desarticula simbolicamente as vísceras humanas em seus Monstruários, apresentando uma topografia alternativa de corpos que se materializam em formas orgânicas, utilizando materiais como madeira, pedra e cimento.
Já Atena Miranda traz as Ninfas, figuras etéreas e fugazes que se manifestam em dobras de tecido, pinceladas e movimento, sugerindo uma presença espectral que habita entre sombras e formas fluidas.
As pinturas de Leandro Garcia exploram corpos manchados e coloridos que surgem como espectros, refletindo questões de pertencimento e as dificuldades da vida, com base nas memórias e vivências do artista.
Por fim, Robson Xavier apresenta corpos nus em Derivas, retratados em situações de solidão e encontro. Sua série Amassos mostra figuras que se contorcem em linhas curvas, banhadas em tons de azul que criam transparências e sombras, enquanto elementos como tranças e fios soltos sugerem a fugacidade da existência.
A exposição aborda a efemeridade das relações humanas, propondo uma reflexão sobre corpos, memórias, temporalidades, marcas no mundo, experiências vividas, desejos, imaginários, transformações e responsabilidades sociais. GANGA nos convoca, como um grito, a testemunhar o pensamento e as inquietações dos artistas diante dos desafios da vida contemporânea.