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CASO BETINHO

"Até hoje não se descobriu quem matou Betinho", diz defesa de réu após MPPE pedir aquivamento

Após o MPPE recuar e pedir que Raphaell Gouveia Thorpe, ex-companheiro de Betinho, não vá a júri por falta de provas, advogado afirma que testemunhas se basearam em boatos

Nicolle Gomes

Publicado: 11/09/2026 às 15:37

Professor Betinho, como era conhecido José Bernardino da Silva Filho, de 49 anos, foi morto em maio de 2015. O crime ainda não foi totalmente elucidado/Foto: Reprodução/Acervo

Professor Betinho, como era conhecido José Bernardino da Silva Filho, de 49 anos, foi morto em maio de 2015. O crime ainda não foi totalmente elucidado (Foto: Reprodução/Acervo)

A defesa de Raphaell Gouveia Thorpe, réu pela morte do professor José Bernardino da Silva Filho, o "Betinho", se pronunciou após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pedir o arquivamento do processo por falta de provas contra o acusado, ex-companheiro da vítima.

Em nota, o advogado afirmou que também pedirá a impronúncia, ou seja, que Raphaell não vá a júri popular.

Segundo o jurista, a defesa apresentará suas alegações finais na próxima semana. Ele destacou que as evidências colhidas na instrução judicial se mostraram frágeis.

“Vou pedir também a impronúncia, é claro, pois foram ouvidas inúmeras testemunhas (...) e nenhuma delas afirmou, com segurança, que o acusado Raphaell matou o prof. Betinho, que era seu amigo. As inúmeras testemunhas ouvidas apenas se reportaram a comentários e informações "por ouvir dizer", afirmou o advogado João Olympio ao Diario de Pernambuco.

A defesa disse também acreditar que a impronúncia será aceita pela Justiça.

Reviravolta

O crime ocorreu em maio de 2015, no apartamento da vítima, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. Betinho, na época com 49 anos, foi encontrado morto com sinais de violência na cabeça, provocados por golpes de ferro de passar e estrangulamento com o cabo do próprio eletrodoméstico.

Em 2019, um aluno de Betinho chegou a responder na Justiça, mas foi absolvido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri do Recife, também por falta de provas.

Posteriormente, o caso foi reaberto e Raphaell Gouveia Thorpe foi apontado como o autor do assassinato pela nova investigação. O MPPE ofereceu denúncia contra ele em agosto de 2024, que foi aceita pela Justiça.

Passados 11 anos e quatro meses, a autoria do crime segue desconhecida. O advogado lembrou a complexidade do caso e o histórico de investigação.

“Esse é um processo antigo e muito complexo. Antes do Raphaell, dois outros rapazes foram acusados do homicídio, mas foram impronunciados. Até hoje não se descobriu, com a necessária certeza, quem matou o prof. Betinho”, declarou.

Nas alegações finais, após as audiências de instrução e julgamento, a 49ª Promotoria de Justiça da Capital entendeu que as provas contra Raphaell são “frágeis e insuficientes” para pedir que ele vá a júri popular. A manifestação é do dia 3 de setembro e ainda não há decisão.

O MPPE destacou que o DNA e as impressões digitais de Raphaell na cena do crime não provam que ele esteve presente no momento do crime, mas que constatam o relacionamento afetivo de quatro anos que ele mantinha com a vítima, com livre acesso ao imóvel, onde eles conviviam.

Além disso, a promotoria apontou a existência de pontos cegos nas câmeras do edifício e a hipótese não elucidada pela polícia de que o crime possa ter sido praticado por mais de um agressor.

Ao pedir a impronúncia de Raphaell, a promotora destacou, ainda, que ele era réu primário e não tem registros de comportamento violento.

Próximos passos

Com a entrega dos memoriais da defesa na próxima semana, o processo seguirá para análise da Justiça, que decidirá se Raphaell vai ou não a júri popular.

Caso a magistrada acolha os pedidos concordantes do MPPE e da defesa e decrete a impronúncia, Raphaell não será submetido ao Tribunal do Júri e ficará isento do processo, a menos que surja nova prova concreta apontando sua responsabilidade antes que o crime prescreva.

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