Comerciantes da Rua da Imperatriz aguardam ações que resgatem movimento do Centro do Recife
Reabertura para fluxo de veículos e elaboração de planos e estudos são algumas das ações implementadas que podem retomar as grandes movimentações na Rua da Imperatriz, na área Central do Recife
Publicado: 09/09/2026 às 16:23
Rua da Imperatriz tem pouco movimento de pessoas (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
Em meio ao saudosismo do grande quantitativo de clientes e o vazio que impera na área central do Recife, os comerciantes da Rua da Imperatriz, no bairro da Boa Vista, aguardam com certa esperança ações que possam trazer de volta a movimentação que era comum na localidade.
Uma das ações mais comentadas pelos comerciantes da via, entrevistados nesta quarta-feira (9) pela reportagem do Diario de Pernambuco, é a reabertura do fluxo de veículos na localidade, prometido pela Prefeitura do Recife para acontecer ainda neste mês de setembro.
Mas, além da reabertura da rua para a passagem dos carros, outras alternativas estão sendo procuradas pelos comerciantes.
Uma dessas alternativas foi a apresentação de uma proposta integrada de recuperação do corredor histórico do Centro do Recife para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), feita pela Associação dos Proprietários de Imóveis da Rua da Imperatriz (IMPERA).
De acordo com a aquirteta e integrante da Impera, Ana Eugenia Figueiredo, o plano reúne ações voltadas à requalificação do espaço público, preservação do patrimônio, incentivo à recuperação de imóveis privados e ampliação dos usos da rua, incluindo comércio, cultura, gastronomia e habitação. "A Rua da Imperatriz já tem uma riqueza enorme: imóveis lindos, história e identidade. É um patrimônio que precisa ser levado a sério, valorizado e devolvido à vida da cidade.”
Além desse plano, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), iniciou no mês de abril um Estudo Vocacional para a Rua da Imperatriz, que visa a elaboração de diretrizes estratégicas para o futuro da via.
Retorno dos veículos
Em agosto, o Gabinete do Centro da capital pernambucana (Recentro) anunciou o retorno da circulação de carros na Rua da Imperatriz. De acordo com o Gabinete, a ação de viabilizar trânsito de automóveis atende a uma antiga reivindicação dos proprietários de imóveis da via.
Segundo o Recentro e a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) a mudança irá acontecer ainda este mês. Apesar de ser uma tentativa de retomar o fluxo de clientes, alguns comerciantes afirmam que apenas isso não irá resolver a questão do esvaziamento.
“A princípio, a abertura para o fluxo de veículos é uma forma de tentar melhorar a Rua da Imperatriz, que está completamente abandonada. Porém, só o fluxo de veículos não vai melhorar muita coisa, porque a rua não tem estrutura para carros. A rua foi planejada para pedestres, inclusive o piso é projetado para pedestres. Apesar disso, eu não perco a esperança que essa rua volte a ser parte do comércio popular da cidade do Recife”, explicou o comerciante Elias Beltrão, de 58 anos.
Segundo Elias Beltrão, que trabalha na Rua da Imperatriz há 24 anos, uma das possíveis soluções para tentar retomar a movimentação é levar serviços públicos para a localidade.
Um dos exemplos citados por ele é a questão do Expresso Cidadão, um programa que reúne diversos serviços públicos e privados em um só lugar, mas que estão localizados, no Grande Recife, em shoppings centers.
Alto preço dos aluguéis
Além da pouca movimentação de pessoas na localidade, o alto preço cobrado pelo aluguel de estabelecimentos comerciais faz com que o processo de esvaziamento da Rua da Imperatriz piore ainda mais.
“O valor do aluguel cobrado pelos donos dos imóveis para colocar uma loja impacta bastante, pois não tem movimento para tirar o valor do aluguel e ainda ter lucro. Tem um prédio aqui que está pedindo entre R$ 15 e R$ 17 mil de aluguel e está fechado”, explicou o comerciante Geovane Rodrigues, de 51 anos, que herdou do pai o fiteiro na Rua da Imperatriz.
O também comerciante Elias Beltrão, diz que até o ano de 2013, a Rua da Imperatriz era uma lugar que não tinha imóvel disponível para aluguel. "Inclusive quando alguém entregava algum estabelecimento, outro inquilino já estava querendo o ponto. Hoje, a gente vê a maioria dos pontos fechados. Se fizer um levantamento rápido aqui, pode-se dizer que cerca de 80% dos estabelecimentos estão fechados”, relembrou Elias Beltrão.
Tradição e resistência
Enquanto essas diversas alternativas não saem do papel, os estabelecimentos históricos da localidade, como a Padaria Imperatriz, que funciona há quase 130 anos no Recife, buscam manter a qualidade dos produtos para manter os estabelecimentos abertos.
“Por sermos uma das padarias mais antigas do Brasil, a gente tenta preservar muito toda a base dos nossos produtos, ou seja, não mexemos nas receitas, justamente para manter o máximo de nossa tradição e qualidade. A gente usa essa e outras alternativas para tentar sobreviver esse esvaziamento da Rua da Imperatriz, que infelizmente já sucumbiu diversos estabelecimentos”, destacou o gerente da Padaria, Luiz Paulo Cabral.
Além disso, muitos comerciantes afirmam que procuraram os meios digitais, como as redes sociais, para manter o comércio aberto. Apesar dos problemas relatados o sentimento comum entre os entrevistados pelo Diario é que continua viva a esperança de dias melhores.
“A gente esperou muito. A rua não poderia ter ficado desse jeito para que se tomasse uma providência. Mas qualquer passo que se dê para combater esse descaso aqui é importante”, finalizou Elias Beltrão.