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EMPREGOS

Estudo da Fecomércio avalia que Pernambuco pode perder mais de 49 mil empregos com a escala 6x1

Entidade defende que mudanças na jornada de trabalho sejam votadas apenas após as eleições

João Tavares

Publicado: 31/08/2026 às 18:15

Representantes da Fiepe, Faepe e Fetracan durante o encontro nesta segunda-feira (31)/MakerMidia

Representantes da Fiepe, Faepe e Fetracan durante o encontro nesta segunda-feira (31) (MakerMidia)

O Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE defende cautela na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1. O posicionamento faz parte de uma mobilização nacional liderada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que pede que a proposta não seja votada antes das eleições.

Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a campanha reúne entidades do setor em um apelo aos parlamentares por uma discussão mais ampla sobre os possíveis impactos da mudança na jornada de trabalho.

Alerta para impactos no mercado de trabalho

Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, Bernardo Peixoto, uma alteração na jornada pode aumentar os custos das empresas e afetar empregos e preços.

“É preciso discutir esse tema com muita cautela, porque qualquer mudança na jornada de trabalho provoca impactos diretos sobre os custos das empresas, a geração de empregos e os preços para o consumidor. Defendemos que esse debate seja conduzido com responsabilidade, ouvindo trabalhadores e empregadores e considerando as particularidades de cada atividade econômica”, afirmou.

O estudo apresentado pelo setor aponta que Pernambuco tinha 2,09 milhões de vínculos formais ativos em dezembro de 2025, sendo que cerca de 1,24 milhão de trabalhadores atuavam em jornadas superiores a 40 horas semanais. No comércio de bens, serviços e turismo, 860.381 trabalhadores estavam formalmente em jornadas no regime 6x1.

Segundo a análise, uma redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, mantendo os salários, poderia resultar na perda de 49.866 postos de trabalho (4%) no estado. Já um cenário com pagamento de hora extra pelo sexto dia trabalhado estima uma redução de 71.308 postos (5,7%).

A entrevista coletiva também reuniu representantes da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (Fetracan).

Entidade defende negociação coletiva

O estudo também estima que, no cenário de pagamento de hora extra no sexto dia, haveria uma redução de R$ 183 mensais no salário do trabalhador, com impacto anual de R$ 2,74 bilhões na massa salarial e de R$ 2,33 bilhões no consumo. A arrecadação de INSS, FGTS e IRRF poderia cair R$ 1,26 bilhão ao ano.

A CNC defende que eventuais mudanças nas jornadas sejam discutidas por meio de convenções e acordos coletivos, levando em consideração as características de cada setor e região.

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

A PEC que trata do fim da escala 6x1 está em discussão no Congresso Nacional e prevê alterações nas regras constitucionais relacionadas à jornada de trabalho e aos períodos de descanso.

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