Suspeito confessa ter matado esposa em Passira e diz que crime aconteceu após discussão
Daniel Gomes da Silva, de 48 anos, passou por audiência de custódia na manhã desta quarta (19) e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Pernambuco
Publicado: 19/08/2026 às 20:50
Marília Alves da Silva tinha 36 anos (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O suspeito de matar a própria companheira a tiros dentro de casa, em Passira, no Agreste, na terça (18), confessou o crime. A informação foi confirmada pela Justiça de Pernambuco, ao decretar a prisão preventiva de Daniel Gomes da Silva, de 48 anos, nesta quarta (19).
O Diario de Pernambuco teve acesso à decisão judicial que manteve o suspeito preso. De acordo com as informações do documento, Daniel disse à própria mãe e à polícia que matou a vítima, Marília Alves da Silva, de 36, após uma discussão, na madrugada da terça (18).
Após o crime, Daniel fugiu. Ele foi preso em flagrante em Carpina, na Mata Norte do estado, ainda na terça (18). O caso foi registrado como feminicídio.
Depoimentos
A mãe de Daniel, que mora na casa onde Marília vivia com ele, depôs à Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Segundo ela, os dois estavam juntos há cerca de sete anos, em um relacionamento marcado por “discussões, brigas e ciúmes”.
A mulher disse que Marília e Daniel chegaram em casa por volta das 22h da segunda (17), e que ouviu a discussão deles. Ela contou também que dormiu pouco depois, mas acordou por volta das 2h da madrugada, com barulhos parecidos com “uma explosão”.
Ela afirmou que não achou que os sons tivessem sido provocados dentro de casa, mas entrou no quarto do casal. Foi quando, segundo ela, encontrou Marília deitada na cama, com um ferimento na cabeça, e já sem sinais de vida. A perícia inicial apontou que a vítima foi atingida no pescoço e na barriga.
Ainda de acordo com as informações, Daniel ligou para a mãe por volta das 3h e confessou o crime, dizendo: ‘Eu matei ela mesmo, mãe!’, e desligando logo em seguida.
Segundo uma outra testemunha, um policial militar envolvido na ocorrência, Daniel afirmou informalmente, após ser detido, que Marília teria pegado um revólver que era guardado embaixo do colchão da cama do casal e atirado contra ele.
Ainda segundo o suspeito, o disparo não o atingiu, mas alcançou um móvel. Daniel comentou, ainda, que depois disso conseguiu desarmar Marília e atirou nela.
“Após constatar que Marília havia sido atingida, Daniel afirmou que se evadiu do local, deslocando-se posteriormente até a cidade de Carpina/PE, onde acabou sendo localizado e preso”, diz trecho do documento.
Por fim, de acordo com a declaração, Daniel também afirmou que o revólver utilizado no crime foi jogado no Rio de Poço do Pau, localidade onde tudo aconteceu. Até o momento, a arma não foi recuperada, de acordo com as informações da decisão.
Daniel preferiu ficar em silêncio durante o próprio depoimento e disse que só se pronunciará em juízo.
Histórico
Segundo a mãe de Daniel, ele já foi preso anteriormente por homicídio e, por isso, pretendia comprar uma arma para se defender. No entanto, ela disse que não tinha certeza da posse do armamento.
De acordo com o juiz Enrico Duarte da Costa Oliveira, responsável pela decisão, este é o terceiro homicídio atribuído a Daniel, que também é réu por associação para o tráfico de drogas.
Prisão preventiva
O magistrado entendeu, ainda, que, diante da gravidade dos fatos, a liberdade de Daniel representa perigo para a ordem pública. Além disso, destacou que há risco latente de fuga, o que tornaria a determinação de medidas cautelares insuficiente.
Por fim, o juiz determinou que Daniel fosse encaminhado à Penitenciária Ênio Pessoa Guerra, em Limoeiro, também no Agreste.