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Hospital Oswaldo Cruz passa a ter aulas para alunos em tratamento contra o câncer

Turma funciona no Hospital Oswaldo Cruz e atende adolescentes que precisaram interromper as aulas durante o tratamento contra o câncer

Diario de Pernambuco

Publicado: 17/08/2026 às 21:56

Pernambuco abre primeira classe hospitalar para estudantes do ensino médio no Hospital Oswaldo Cruz/ Josimar Oliveira/SEE

Pernambuco abre primeira classe hospitalar para estudantes do ensino médio no Hospital Oswaldo Cruz ( Josimar Oliveira/SEE)

Estudantes do ensino médio que estão em tratamento contra o câncer no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, passaram a ter aulas dentro da unidade de saúde nesta segunda-feira (17). A turma funciona no Centro de OncoHematologia Pediátrica (Ceonhpe) e é a primeira classe hospitalar voltada para alunos dessa etapa de ensino na rede estadual de Pernambuco.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE), a Universidade de Pernambuco (UPE) e o Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC). Os estudantes têm uma sala destinada às atividades escolares, mas também podem receber acompanhamento no próprio leito quando não têm condições clínicas de deixar o quarto.

A criação da turma atende adolescentes que precisam permanecer afastados das escolas de origem durante o tratamento. As atividades são adaptadas de acordo com a situação de cada estudante e podem envolver profissionais da rede estadual e do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Uma das alunas é Jamille Vitória, de 16 anos. Ela mora em Tacaratu, no Sertão de Pernambuco, e está matriculada na Escola de Referência em Ensino Médio João Batista de Vasconcelos. A adolescente foi diagnosticada com linfoma em junho e, desde então, passou a ser acompanhada no HUOC.

Com a internação e o tratamento, Jamille precisou interromper os estudos. Nesta segunda, voltou a ter contato com as atividades escolares. Ela está próxima de concluir as sessões de quimioterapia.

“Por conta da internação, eu parei os estudos, e foi algo que mexeu muito comigo, porque eu sou muito preocupada com o meu futuro e quero dar um futuro bom aos meus pais. É gratificante ter uma classe hospitalar para ajudar a gente a chegar um pouco mais perto do nosso sonho e a não parar por aqui, por mais que seja um diagnóstico difícil. Somos adolescentes, e os sonhos não param”, disse Jamille.

Segundo a mãe da adolescente, Jussilene de Araújo, a filha tinha o desejo de se tornar policial federal. Durante o tratamento, porém, passou a considerar também a possibilidade de seguir uma carreira na área da saúde, influenciada pelos profissionais que acompanham os pacientes no hospital.

A classe hospitalar permite que os conteúdos sejam trabalhados mesmo quando o aluno não consegue acompanhar a rotina convencional de uma escola. As atividades podem ser realizadas na sala ou no leito, conforme as condições de cada paciente.

De acordo com a Secretaria de Educação, a proposta é manter o vínculo dos adolescentes com a vida escolar durante o período de tratamento e evitar que a interrupção das aulas comprometa a continuidade dos estudos.

Antes da abertura da turma do ensino médio, o GAC já mantinha atendimento educacional para crianças em tratamento no hospital. A nova classe amplia esse atendimento para estudantes mais velhos, incluindo pacientes de até 19 anos incompletos acompanhados pelo serviço.

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