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SAÚDE

Uso de testosterona para ganhar músculos pode comprometer coração, alerta médica

Cardiologista afirma que hormônio deve ser indicado apenas em situações específicas e com monitoramento

Adelmo Lucena

Publicado: 10/08/2026 às 17:53

Uso de testosterona sem acompanhamento médico pode trazer consequências à saúde/Foto: Magnific

Uso de testosterona sem acompanhamento médico pode trazer consequências à saúde (Foto: Magnific)

O uso de testosterona para aumentar a disposição e a massa muscular tem se tornado cada vez mais comum entre atletas e pessoas que buscam melhor condicionamento físico. Entretanto, a utilização do hormônio sem indicação e acompanhamento médico pode trazer consequências à saúde. O alerta foi feito pela cardiologista Jacqueline Miranda, chefe da Unidade Cardiointensiva do Hospital CopaStar e coordenadora do Transplante Cardíaco do Instituto Nacional de Cardiologia e da Rede D'Or Rio de Janeiro, durante o Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 8 de agosto.

Segundo a médica, a indicação de testosterona para homens é restrita a casos em que existe deficiência hormonal comprovada e uma condição clínica que justifique o tratamento. A avaliação deve envolver sintomas compatíveis e exames laboratoriais, e não apenas a busca por níveis hormonais mais elevados.

Segundo ela, a redução da testosterona que ocorre naturalmente com o envelhecimento não significa, por si só, que o indivíduo precise recuperar os níveis hormonais da juventude por meio de reposição.

A orientação também é reforçada por uma manifestação divulgada em julho de 2026 pela Endocrine Society. A entidade afirma que o diagnóstico de deficiência de testosterona deve considerar sintomas compatíveis e níveis consistentemente baixos do hormônio, medidos de forma adequada.

A recomendação também destaca que fatores reversíveis, como obesidade e determinados medicamentos, devem ser investigados antes da indicação da terapia. 

Jacqueline chamou atenção para os possíveis efeitos cardiovasculares relacionados ao uso inadequado do hormônio. Entre os problemas citados por ela estão o aumento da pressão arterial e a possibilidade de complicações cardiovasculares.

Uso para ganhar músculos

A busca por mais massa muscular, energia, disposição e desempenho está entre os fatores que podem levar pessoas a utilizar testosterona sem necessidade médica. Para Jacqueline, os possíveis benefícios percebidos pelo paciente podem acabar mascarando os riscos envolvidos.

“Se você está aumentando a taxa hormonal de um homem ou de uma mulher, ele pode ficar com mais vigor, mais definição muscular, mais energia, mais explosão. Então isso é trocado pela saúde”, disse.

A Endocrine Society também recomenda acompanhamento médico e exames regulares para os pacientes que realmente têm indicação de tratamento.

Outro aspecto abordado pela cardiologista durante o Congresso foi a dificuldade que alguns pacientes podem apresentar para interromper o uso depois de iniciar a reposição por conta própria ou em doses inadequadas.

De acordo com Jacqueline, a administração externa de testosterona pode reduzir temporariamente a produção natural do organismo. Por isso, dependendo do caso e da forma como o hormônio foi utilizado, a retirada pode precisar ser conduzida de maneira gradual e acompanhada por um profissional.

Ela destaca que o paciente também pode sentir perda de massa muscular, disposição e qualidade de vida ao interromper o uso, o que contribui para a dificuldade de abandonar o hormônio.

A médica compara essa situação à utilização de substâncias que proporcionam uma sensação imediata de benefício, mas podem trazer consequências posteriormente. “A pessoa pode usar determinada droga, ter um prazer momentâneo, mas aquilo tem um preço a pagar”, declarou.

Uso adequado

A testosterona pode ser utilizada como tratamento médico em pessoas que apresentam deficiência hormonal comprovada e uma causa clínica que justifique a reposição. Nesses casos, a terapia deve ser individualizada, com avaliação dos benefícios e riscos e acompanhamento periódico.

Para a cardiologista, o problema está principalmente quando o hormônio passa a ser utilizado como estratégia para melhorar performance ou aparência, sem que exista uma necessidade clínica. “Aquilo que não está testado, aquilo que não está estudado, aquilo que não é seguro não deveria ser prescrito por um médico”, afirmou Jacqueline.

A orientação, portanto, é que pessoas que utilizam testosterona não interrompam nem alterem a dose por conta própria, mas procurem avaliação médica. O acompanhamento é especialmente importante para quem já apresenta fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes ou histórico de doenças cardíacas.

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