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Caso Beatriz: Lucinha Mota diz que vai lutar para que júri popular seja feito em Petrolina

Mãe da menina assassinada afirma que tentativa de transferir julgamento para o Recife é estratégia para adiar o desfecho do processo

Adelmo Lucena

Publicado: 22/07/2026 às 08:03

Lucina Mota, mãe de Beatriz/Reprodução/Redes Sociais

Lucina Mota, mãe de Beatriz (Reprodução/Redes Sociais)

A mãe de Beatriz Angélica Mota, Lucinha Mota, reagiu nesta terça-feira (21) ao pedido da defesa de Marcelo da Silva para transferir o julgamento do caso de Petrolina para o Recife. Em pronunciamento nas redes sociais, ela afirmou que não aceitará a mudança do local do Tribunal do Júri e classificou a solicitação como mais uma tentativa de protelar o andamento do processo.

“Eu posso dizer com franqueza a vocês que, independente de onde aconteça o júri do caso de Beatriz, Marcelo da Silva vai ser condenado porque ele é um estuprador de uma criança. O processo tem as provas necessárias e suficientes para a condenação dele”, declarou.

Apesar disso, a mãe de Beatriz defendeu que o julgamento permaneça em Petrolina, onde o crime ocorreu, por considerar que a população da região aguarda uma resposta da Justiça há mais de dez anos.

“Eu não vou admitir, de forma alguma, que esse processo seja retirado daqui de Petrolina. Petrolina, Juazeiro, o Vale do São Francisco merecem essa resposta. Ele deve isso à gente. Essa resposta tem que ser dada aqui. Não há argumento nem fundamentação que justifique essa transferência para Recife ou para qualquer outra cidade de Pernambuco ou até mesmo de outro estado.”

Ela também classificou o pedido de desaforamento como uma estratégia para atrasar a realização do júri popular.

“Essa tentativa de parar mais uma vez o júri de Beatriz é apenas uma protelação. O nosso ordenamento jurídico, através do Código de Processo Penal, dá esse direito a esses covardes e cruéis.”

Durante o pronunciamento, ela afirmou que continuará mobilizada para acompanhar o processo e prometeu intensificar os protestos caso a Justiça determine a transferência do julgamento.

“Se houver qualquer tipo de manobra para levar o júri para Recife ou qualquer outra cidade ou estado, eu faço minhas malas e vou acampar a partir desse momento até o dia do júri, porque onde eu estiver, a minha voz vai ser a voz de Beatriz. Não vou admitir mais nenhum tipo de protelação. Chega!”

Lucinha ainda lembrou a caminhada de cerca de 720 quilômetros que realizou entre Petrolina e o Recife, em 2021, para cobrar a conclusão das investigações sobre a morte da filha.

“Se a caminhada não foi suficiente para mostrar ao Estado quanto eu sou capaz de lutar por minha filha, pode ter certeza de que eu vou acampar e só vou sair da frente da comarca no dia do júri”, afirmou.

Assista ao vídeo publicado por Lucinha

Pedido da defesa

A defesa de Marcelo da Silva protocolou no Tribunal de Justiça de Pernambuco um pedido de desaforamento para que o júri seja realizado no Recife. O advogado Rafael Nunes sustenta que a trajetória política de Lucinha Mota e a mobilização popular em torno do caso comprometem a imparcialidade do Conselho de Sentença em Petrolina.

Segundo a defesa, existe risco de que eleitores, apoiadores e simpatizantes de Lucinha integrem o corpo de jurados, o que poderia gerar um “pré-julgamento” do acusado. Os advogados também alegam risco à integridade física de Marcelo e da equipe de defesa durante a realização do julgamento na cidade.

O pedido aguarda análise do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

O caso

Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, foi assassinada com 42 golpes de faca durante a festa de formatura da irmã, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, em 10 de dezembro de 2015.

Marcelo da Silva foi identificado como autor do crime após exames de DNA realizados pela Polícia Civil. Embora tenha confessado o homicídio durante as investigações, atualmente a defesa contesta a autoria, questiona a validade da confissão e das provas reunidas no processo.

Ele responde por homicídio triplamente qualificado e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri. Desde a decisão de pronúncia, a defesa apresentou recursos para tentar impedir o júri popular, todos rejeitados pela Justiça. Agora, busca apenas a mudança do local onde o julgamento será realizado.

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