Ocupações crescem às margens da Av. Agamenon Magalhães e geram insegurança no Recife
Estruturas improvisadas em frente ao Instituto de Criminalística chamam atenção de quem circula pela área. Relatos apontam preocupação com a segurança e crescimento da ocupação
Publicado: 08/07/2026 às 14:23
Pessoas em situação de rua na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
A presença de barracas improvisadas às margens do canal da Avenida Agamenon Magalhães, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, tem gerado insegurança entre comerciantes e pessoas que passam diariamente pela região. As estruturas foram montadas em frente ao Instituto de Criminalística de Pernambuco, em um trecho de grande circulação de veículos e usuários do transporte público.
No local, pessoas em situação de rua vivem em tendas improvisadas montadas com lonas. Além dos abrigos, é possível observar cadeiras, baldes, mochilas, sacos, guarda-chuvas e outros pertences espalhados às margens do canal. Durante o período chuvoso e nos dias mais frios, fogueiras são acesas para aquecer os ocupantes, inclusive durante o dia.
Segundo relatos feitos ao Diario de Pernambuco, a ocupação reúne adultos, adolescentes e crianças e vem crescendo nos últimos meses. Comerciantes, que pediram para não ter a identidade revelada, ouvidos pela reportagem contaram que as barracas apareceram há cerca de um ano e só aumentam.
Uma moradora de Santo Amaro e proprietária de um estabelecimento de alimentos, afirma que convive diariamente com a situação e relata preocupação com episódios de violência registrados nas proximidades.
“Já aconteceu de, quando os ladrões vão roubar, acabaram batendo nas pessoas. Não chegam a matar ninguém. Eles já ficaram no Campo do Onze e também em outra pracinha. Tem alguns adolescentes também. Existe uma sensação de insegurança.”
O proprietário de uma farmácia localizada nas proximidades também percebe um aumento da ocupação e afirma que a presença das barracas preocupa comerciantes da região.
“Há cerca de um mês estamos vendo um aumento muito grande. Eles não amedrontam os moradores nem fazem ameaças, mas a presença aumentou demais. Eles usam drogas, mas ficam quietos. De uns meses para cá, a situação ficou mais séria.”
Segundo ele, equipes de fiscalização realizam abordagens frequentes, mas a ocupação volta a se formar.
Crescimento da população em situação de rua
O aumento da ocupação observado em Santo Amaro ocorre em um contexto de crescimento da população em situação de rua em todo o país.
Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), elaborados a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), apontam que o Recife tinha, até março de 2025, 3.725 pessoas nesta situação, sendo a 11ª capital com mais moradores de rua. São Paulo aparece em primeiro lugar, com 96.220 pessoas.
No mesmo período, o Brasil registrou 335.151 pessoas em situação de rua inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O número representa um aumento de 0,37% em relação a dezembro de 2024, quando eram 327.925 pessoas cadastradas.
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O levantamento também mostra que o Nordeste concentra 48.374 pessoas nessa condição, o equivalente a 14% do total nacional.
Dentro desse cenário, Pernambuco está entre os estados cujas capitais registraram crescimento no número de pessoas em situação de rua ao longo da série histórica do CadÚnico, atrás apenas de Santa catarina, Distrito Federal e Rio de Janeiro.