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O amor de um idoso por cães fez surgir uma associação para animais abandonados no Recife

APA Severino Chaves atende mensalmente mais de 40 animais, sendo 25 cães e 14 gatos de forma permanente

Bartô Leonel

Publicado: 25/06/2026 às 08:56

Atualmente, a APA Severino Chaves ajuda na criação de 42 animais por mês
/Foto: Divulgação / APA Severino Chaves

Atualmente, a APA Severino Chaves ajuda na criação de 42 animais por mês (Foto: Divulgação / APA Severino Chaves)

Foi mesclando a disciplina das condutas do Exército Brasileiro e o amor por cães que o ex-militar Severino Chaves, de 83 anos, despertou para os cuidados por animais abandonados. A prática levou Chaves a criar, há 9 anos, uma Associação Protetora de Animais Abandonados (APA) que carrega o seu nome e atende cachorros e gatos deixados nas ruas do bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.

Fundada oficialmente no dia 15 de maio de 2017, a APA Severino Chaves é uma Organização Não Governamental (ONG) que cuida de animais abandonados e realiza doações de rações e medicamentos para tutores que têm algum tipo de dificuldade financeira.

Atualmente, segundo o tesoureiro da associação, Maurício Oliveira, a instituição atende 42 animais, sendo 25 cães e 14 gatos cuidados pelos próprios voluntários e outros por tutores que recebem doações arrecadadas pela ONG.

Surgimento da APA Severino Chaves

Apesar da associação ter apenas nove anos de fundação, o amor de Severino Chaves por cães e gatos vem desde 1996, quando ele, ainda morador do Curado IV, começou a ajudar um tutor a cuidar de um cachorro que não estava recebendo um tratamento adequado.

E toda essa atenção com o cão fez com que esse animal, chamado Rico, se mudasse junto com Chaves para o bairro da Imbiribeira, em 2011. Com o passar do tempo, o quantitativo de animais atendidos pelo ex-militar foi se multiplicando, chegando até 80 cães que recebiam alimentação do “Vovô dos animais”.

“Antes de formalizar a APA, seu Chaves passava sozinho com um balde pelos restaurantes do bairro para pegar as comidas que sobravam para dar aos animais abandonados. Ele sabia que não era a alimentação ideal, mas ele não tinha recurso financeiro para comprar ração para todos. Ele chegou a ajudar cerca de 80 cães aqui nas ruas do bairro”, destacou Maurício Oliveira.

Com a proporção que as ações tomaram, Severino Chaves teve a ideia, junto com outros voluntários, de criar no dia 15 de maio de 2017 a APA Severino Chaves, oficializando o apelido dele de “Vovô dos animais”.

Além da assistência prestada aos tutores da Imbiribeira, a associação também ajuda um abrigo de cães localizado no município de São José da Coroa Grande.

Questão financeira

Para manter as atividades e proporcionar uma melhor qualidade de vida para os animais, a APA Severino Chaves realiza um bazar mensal na Lagoa do Araçá para levantar recursos financeiros que serão usados na compra de medicamentos e rações e no pagamento de procedimentos cirúrgicos.

“Fazemos esse bazar logo no primeiro sábado após o dia 5 de cada mês, já para ver se o pessoal compra os nossos produtos seminovos assim que recebe o salário. Esse dinheiro nos ajuda a custear todas as nossas despesas, principalmente aquelas com cirurgias em que os hospitais veterinários públicos não conseguem atender”, explicou o tesoureiro da associação, Maurício Oliveira.

Além do bazar, a APA Severino Chaves recebe doações de pessoas físicas, faz rifas em datas comemorativas e realiza a reciclagem de tampas de plástico, que são convertidas a cada três meses em dinheiro para a associação.

Apesar dessas ações de arrecadação financeira, ainda existem, segundo Maurício Oliveira, dificuldades para manter as atividades, fazendo com que os voluntários recorram aos recursos próprios.

“Quando algum animal precisa realizar uma cirurgia de urgência e não temos recurso em caixa, os próprios voluntários emprestam o cartão de crédito e à medida que vai entrando dinheiro, a gente sai pagando as pessoas. Apesar de serem procedimentos caros, sempre damos um jeito para proporcionar uma condição de vida adequada para os animais”, explicou.

Outro problema relatado por Maurício Oliveira é a questão do quantitativo de voluntários, algo que impede a associação de criar novos animais abandonados. Porém, apesar dessas dificuldades, o amor retribuído pelos animais faz com que o trabalho seja recompensado.

“Cuidar desses animais é uma realização que nós fazemos com a APA. A gente ouve pessoas criticando nossas ações, dizendo que elas deveriam ser voltadas para pessoas, mas sempre batemos na tecla de que não podemos deixar os cães e gatos de lado. Além disso, todo carinho que esses animais transmitem é algo impagável”, finalizou Maurício Oliveira.

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