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JUSTIÇA

Caso Esther: irmão de 11 anos será ouvido na 1ª audiência da morte da menina em São Lourenço da Mata

Irmão de 11 anos da vítima, uma das últimas pessoas a ver Esther antes do crime, será ouvido na tarde desta quinta-feira (18), no Fórum de Camaragibe

Cadu Silva

Publicado: 18/06/2026 às 14:44

Carolina Aguiar, advogada que representa a família de Esther Isabelly/Rafael Vieira/DP Foto

Carolina Aguiar, advogada que representa a família de Esther Isabelly (Rafael Vieira/DP Foto)

O irmão de 11 anos de Esther Izabelly Pereira da Silva, de 4 anos, será ouvido por uma equipe especializada na tarde desta quinta-feira (18), durante a audiência de instrução e julgamento da morte da menina.

A informação foi confirmada pela advogada da família, Carolina Aguiar, que acompanha a escuta ao lado dos pais da criança.

A audiência teve início pela manhã na Vara Criminal da Comarca de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, mas o depoimento do menino ocorreu no Fórum de Camaragibe, em ambiente adequado para a escuta especializada de crianças e adolescentes.

Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), figuram como réus no processo Fernando Santos de Brito, Uilma Ferreira dos Santos e Fabiano Rodrigues de Lima.

Até o início da tarde, dois peritos e os pais de Esther já haviam sido ouvidos. Ainda devem prestar depoimento a avó e a tia da criança, além de duas testemunhas de defesa. Os três réus também serão interrogados ao longo da audiência.

Em entrevista à TV Guararapes, a advogada Carolina Aguiar afirmou que a expectativa é de conclusão da fase de instrução criminal.

“Hoje inicia-se, e espera-se fielmente, que ocorra a conclusão da instrução criminal. Todas as testemunhas compareceram, os acusados também. Então, nesse momento, está sendo ouvido tudo aquilo para que se chegue ao que já é muito nítido da simples análise dos autos”, declarou.

Provas apontam autoria do crime

Durante a entrevista, Carolina Aguiar declarou que as provas reunidas pela investigação são contundentes. “As provas são claras no sentido de que matou, matou de forma fria”, afirmou.

A advogada também relembrou o comportamento de Fernando Santos de Brito após o desaparecimento da criança. Segundo ela, o acusado teria participado das buscas e de manifestações organizadas pela comunidade.

“Foi alguém que matou uma criança e teve a frieza de voltar para o local onde aconteciam as buscas e os protestos. Ele apareceu em cima de um cavalo como se estivesse procurando Esther, quando, na verdade, tinha acabado de matá-la. Estava apenas tentando despistar e desacreditando que a Justiça seria feita”, disse.

Motivação segue sem explicação

Questionada sobre a motivação do crime, a advogada afirmou que não existe justificativa possível para o assassinato de uma criança de quatro anos.

“Não se justifica o injustificável. Absolutamente nada do que esse ser humano venha a dizer é capaz de justificar o que aconteceu. Esther era uma criança de quatro anos que estava brincando de boneca pouco tempo antes de ser morta. Foi assassinada com pancadas na cabeça. Isso é algo que ultrapassa qualquer compreensão”, afirmou.

Apesar da convicção da acusação, Carolina ressaltou que o acusado terá garantidos todos os direitos previstos em lei durante o processo.

“Claro que ele terá assegurados o contraditório e a ampla defesa, como determina a Constituição. Mas acreditamos que qualquer tese defensiva não merece prosperar diante do conjunto de provas existente nos autos.”

Sobre os outros dois réus, Carolina explicou que as investigações concluíram que eles não participaram diretamente da morte da menina, mas teriam atuado para ocultar provas.

“Eles participaram da fraude processual. Tentaram ocultar vestígios, limpar o local do crime e se desfazer de objetos para tentar fazer com que Fernando se livrasse de uma condenação penal”, disse.

De acordo com a advogada, a retirada de móveis da residência onde o crime teria ocorrido também faz parte dos elementos analisados pela investigação.

“Sem sombra de dúvidas, tentou-se eliminar os vestígios existentes na casa de Fernando. Mas, através da Polícia Científica e de um laudo pericial bem detalhado, com o uso do luminol, chegou-se à conclusão de que havia sangue humano e também o DNA de Esther”, afirmou.

Carolina destacou ainda que, apesar das tentativas de limpeza do imóvel, os exames periciais conseguiram identificar material genético da criança no local.

Defesa da pena máxima

Representando a família da vítima desde os primeiros dias após o crime, Carolina Aguiar afirmou que a expectativa é de que Fernando Santos de Brito seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e posteriormente condenado.

“O que se pede é a ida para o Tribunal do Júri, a decisão de pronúncia e depois a condenação. A família espera uma pena justa e a responsabilização de todos os envolvidos”, afirmou.

A advogada também falou sobre o sofrimento dos familiares e relatou uma conversa que teve com o pai da menina pouco antes da audiência.

“Poucos minutos antes da audiência, o pai me disse algo que me marcou muito. Ele olhou para mim e falou: ‘Doutora, nada é capaz de explicar a dor que estou sentindo nesse momento ao ver o assassino da minha filha. Ele me matou junto com ela’. Isso demonstra a dimensão da dor que essa família carrega.”

Segundo Carolina, nenhuma decisão judicial será capaz de reparar a perda sofrida pelos familiares.

“Nada vai trazer Esther de volta. Nada vai apagar a dor dessa mãe, desse pai, dos familiares. Mas o que se busca é Justiça e a responsabilização daqueles que participaram desse crime brutal”, concluiu.

Relembre o caso

Esther Izabelly desapareceu na tarde de 20 de outubro de 2025, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife.

Após cerca de 21 horas de buscas realizadas por familiares, amigos e moradores da comunidade, o corpo da menina foi encontrado no dia seguinte dentro de uma cacimba localizada no quintal de uma residência próxima à casa da família.

De acordo com a Polícia Civil, a criança morreu em decorrência de traumatismo craniano.

As investigações apontaram Fernando Santos de Brito, vizinho da família, como autor do crime. Segundo a apuração, ele teria atraído a menina para sua residência, onde o homicídio ocorreu.

Ainda conforme a investigação, Uilma Ferreira dos Santos e Fabiano Rodrigues de Lima teriam ajudado a ocultar vestígios do crime, realizando a limpeza do imóvel e retirando objetos da residência após o desaparecimento da criança.

Os três foram denunciados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Fernando responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, enquanto Uilma e Fabiano respondem por fraude processual e ocultação de cadáver.

Fernando permanece preso. Os outros dois réus respondem ao processo em liberdade.

 

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