El Niño em Pernambuco: especialistas alertam sobre fenômeno que pode chegar em julho no estado
Esperado a partir de julho, o El Niño é um fenômeno climático natural que pode intensificar o quadro de secas em Pernambuco
Publicado: 16/06/2026 às 07:00
Secas intensas estão entre os principais efeitos do El Niño (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O fenômeno climático ‘El Niño’ tem a possibilidade de produzir efeitos em Pernambuco já a partir do próximo mês de julho, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). O impacto previsto é de seca no estado.
Diante do alerta, o Diario de Pernambuco procurou especialistas para entender o que esperar da situação.
Segundo a meteorologista da APAC, Edvânia Santos, o El Niño consiste no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical, causando vários efeitos climáticos.
“Quando mais aquecidas, as águas dessa região influenciam diretamente na circulação atmosférica global. Isso faz com que as chuvas, tanto na região Norte quanto Nordeste, sejam diminuídas, incluindo Pernambuco”, inicia.
A meteorologista destaca que há consenso sobre o acontecimento do fenômeno; apenas a intensidade não está confirmada.
“Temos uma previsão de favorecimento do El Niño. No mês de julho, provavelmente a gente já tem El Niño. É um consenso, já se observa que vai ter o fenômeno. A preocupação é se vai ser só de moderado a forte ou se ele será superforte”, comenta.
Em três ocasiões anteriores o El Niño foi superforte, de acordo com Edvânia: entre os anos de 1982-83; 1997-1998; e 2015-2016, quando as anomalias ultrapassaram 2 graus. Esse histórico também é marcado por uma seca intensa ocorrida no Nordeste.
Apesar de já ter início previsto para o próximo mês, o pico do fenômeno deve ser no fim deste ano e no início do próximo, entre novembro e janeiro, coincidindo com o verão brasileiro, conforme a meteorologista da APAC.
Perante a possibilidade do El Niño superforte, ela também destaca a importância de manter a cautela no planejamento.
“Se for um superforte, vai ter um impacto direto, especialmente nas chuvas de outono, no período chuvoso do ano que vem também. No entanto, mesmo que não seja super forte, seja só moderado a forte, é necessária atenção”, reforça.
Orientações e cuidados
O Diario também conversou com o Diretor Geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Eduardo Bezerra. Segundo ele, as doenças diarreicas e arboviroses tendem a crescer durante o El Niño.
“No caso das doenças diarreicas, como a gente começa a ter uma seca muito forte, a disponibilidade de água fica menor, as pessoas tendem a reservar mais e essa água vira meio de crescimento para bactérias, mas também ideal para mosquito se reproduzir”, comenta.
O calor também representa riscos para a hidratação, especialmente de idosos e crianças, reforça Bezerra.
“Crianças e idosos preocupam, e os idosos particularmente porque são a população que mais cresce. Temos muito mais idosos, e eles ficam bem vulneráveis e têm certas dificuldades também, porque eles têm dificuldade de ter cedo, de se hidratar bem”, relata.
Diante dos riscos, é importante estar atento aos cuidados com a saúde, como evitar a exposição prolongada direta ao sol e manter a hidratação constante, destaca o diretor.
Apesar do quadro de seca que tem grande possibilidade de se configurar, a APAC orienta a população a manter a calma e seguir as recomendações das autoridades.
“A primeira coisa que a gente está alertando as pessoas é não acreditarem em todo tipo de notícia. A população tem que ter cautela, principalmente se já mora em áreas que são mais vulneráveis à seca. Tem que fazer o que a Defesa Civil manda, tem que ficar planejando, mês a mês”, afirma.
Por fim, Eduardo Bezerra destaca que Pernambuco monitora esses cenários (tanto de cheias quanto de seca) por meio de um programa específico chamado VigiDesastres. Ele reforça que os municípios precisam criar seus próprios planos de contingência locais, porque cada território tem uma realidade de vulnerabilidade diferente.