Contratações para shows do São João de Caruaru estão R$ 2 milhões acima do teto previsto, diz MPPE
O MPPE emitiu uma recomendação à Prefeitura de Caruaru para conter gastos com os shows do São João de 2026, após auditoria realizada com base nos dados publicados nos painéis de transparência
Publicado: 08/06/2026 às 12:26
Pátio de Eventos Luiz Gonzaga em Caruaru (DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE CARUARU)
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à Prefeitura de Caruaru e à Fundação de Cultura e Turismo do município a contenção de gastos com as atrações nos festejos juninos de 2026.
Com base nos dados publicados nos painéis de transparência do MPPE e do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), uma auditoria detectou um aumento desproporcional e acima da inflação nos valores dos contratos.
Conforme o MPPE, foi identificado um excesso global superior a R$ 2 milhões.
A investigação constatou que as contratações superam a média histórica cobrada pelos próprios artistas em anos anteriores.
É o caso de Wesley Safadão, contratação mais cara e de maior desproporção entre a média dos cachês anteriores.
O cantor receberá R$ 1,5 milhão para se apresentar no dia 19 de junho no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. O “excesso irrazoável” apontado é de R$ 429.597,34 em relação ao teto calculado.
Segundo o MPPE, outros nomes conhecidos, como Pablo e a banda À Vontade, registraram sobrepreços de R$ 222.848,00 e R$ 155.999,92, respectivamente.
Até mesmo atrações tradicionais do forró, como Zé Vaqueiro, Fala Mansa, Solange Almeida e Limão com Mel, figuram na relação acima da média de mercado.
A metodologia utilizada na auditoria do MPPE baseia-se na Nota Técnica n.º 02/2026 do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e Terceiro Setor (CAO PPTS).
Ela estipula que nenhum pagamento deve superar a média aritmética dos cachês cobrados pelo mesmo artista entre maio e julho de 2025 no Estado, corrigida pelo IPCA.
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) também reforça o controle, prevendo alertas caso as despesas com eventos festivos ultrapassem 3% da Receita Corrente Líquida do município nos últimos 12 meses.
A recomendação determina que o município se abstenha de pagar valores acima desse teto e não firme novos contratos sem justificativas robustas e pesquisas de mercado fidedignas.
A gestão municipal tem um prazo de cinco dias, a contar da quinta-feira (4), data da publicação no Diário Oficial do MPPE, para apresentar uma resposta por escrito com as providências adotadas.
Prefeitura de Caruaru
A reportagem do Diario de Pernambuco solicitou um posicionamento à Prefeitura de Caruaru sobre a recomendação do MPPE, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para atualização em caso de retorno.